domingo, 30 de dezembro de 2018

Minha imagem de 2018 - As ruínas do Palacete Augusto Corrêa em Bragança

Foto: Pedro de Almeida Tobias, para O Liberal (2018).

Certamente o dia 21 de maio de 2018 entrou para a história de Bragança, por todos os motivos que fatos se eternizam na vida de uma cidade e na memória de seu povo. Recordo exatamente de onde estava, como a notícia me chegou e o que vi, perplexo. A muitas pessoas de meu convívio eu disse: “Meus olhos estão vendo isso, minha mente registra tudo, mas meu coração não aceita”.
E assim, às 21h19 daquela fatídica segunda-feira, a parte da frente e do telhado do Palacete Augusto Corrêa veio abaixo, deixando uma pequena parte do piso superior colado ao restante do que restou da estrutura. Eram por volta de 9 metros e meio de altura e 22 metros de frente, em alvenaria.
Naquela parte do prédio funcionava a sala da Secretaria de Planejamento da Prefeitura de Bragança, onde trabalhei por cerca de três anos. E às 1h20, já na terça-feira, dia 22, esta pequena parte de uma sala ruiu por completo. E eu assisti isso tudo de frente. E testemunhei certa apreensão quando parte da energia elétrica da parte urbana de Bragança se perdeu com a derrubada dos cabos de transmissão em frente ao prédio.
Pelo restante da noite e madrugada, entre 21 e 22 de maio, muita aglomeração de pessoas atônitas, espantadas, com medo e com a sensação de perda inestimável. Muitas delas sem acreditar – assim como eu – no que se via e esperançosos que as chuvas de maio não tivessem feito estragos tão grandes na estrutura do prédio, que na manhã daquela segunda-feira já apresentava sinais e ruídos de que poderia vir abaixo.
Daí, órgãos da imprensa de todos os cantos estiveram por aqui, registrando o episódio. De veículos de comunicação de grande circulação até blogs e redes sociais reverberaram a queda de parte do palacete. Essa foto, escolhida para marcar o que vivi em 2018 foi feita pelo fotógrafo Pedro de Almeida Tobias após a reportagem feita comigo pelo jornalista Filipe Sanches, para o jornal O Liberal.
Na imagem, feita na Rua Dr. Justo Chermont na manhã de 22 de maio, eu estava sem dormir e com um cansaço que não era menor que a perplexidade e o espanto. Ao fundo, escombros do Palacete Augusto Corrêa. E tivemos, todos nós bragantinos, que conviver até o momento presente com esta ausência e tentar compreender – se é que se pode usar o verbo – o tamanho do descaso para com o Patrimônio Cultural de Bragança, algo que vem se tornando corriqueiro quando se vê a cidade atualmente.
Esperança é a única palavra do sentimento que esta imagem me traz, para que tenhamos em breve a reconstrução da fachada do Palacete Augusto Corrêa e a construção de uma Política Cultural séria bem como uma Educação Patrimonial em todas as escolas, que possa ser consolidada com os esforços e as energias da comunidade como um todo, de representantes políticos e governantes, de técnicos e de interessados na História e Cultura de Bragança.
Até 2019.

Nenhum comentário:

Postar um comentário