sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Parabéns, Dom Luís Ferrando, por 75 anos de vida

Homenagens a Dom Luís Ferrando marcaram o dia em Bragança no seio católico e por toda a Diocese. Ele completa hoje 75 anos de vida, em quase 20 anos de episcopado.
Luigi Ferrando nasceu em Agazzano, na região da Emilia-Romagna, província de Piacenza Bobbio, na Itália, em 22 de janeiro de 1941. Estudou o 1º e o 2º Graus no Seminário de Piacenza, onde também cursou Filosofia e Teologia. Especializou-se em  Licença de Teologia Pastoral na Universidade Lateranense de Roma, na Itália.
Foi ordenado padre na Diocese de Piacenza, em 1º de maio 1965, pelo então bispo auxiliar de Piacenza Dom Paolo Ghizzoni. Foi coadjutor de duas paróquias desta diocese por 4 anos. Serviu como formador no Seminário Diocesano de Piacenza entre 1969 e 1977. Chegou ao Brasil como missionário Fidei Donum da Diocese de Piacenza, colaboradora da Diocese de Bragança e foi trabalhar como pároco em Paragominas, entre 1977 e 1979, juntamente com o também padre italiano Luis Carrá, já falecido.

Imagem: Com Dom Luís Ferrando.
Fonte: Acervo pessoal.

Anos mais tarde assumiu a reitoria do Seminário Menor Diocesano Santo Alexandre de Sauli, em Bragança, por 15 anos. Na Diocese de Bragança também exerceu a função de Coordenador de Pastoral e de Vigário Geral diocesano.
Em 1991 assumiu a reitoria do Seminário Maior Diocesano Paulo VI, em Belém, cargo que ocupou até o fim de 1995. Após acordo com a Diocese de Piacenza, ele retornou à Itália, onde em meados de 1996 assumiu a Paróquia de Cortemaggiore. Ficou nessa função apenas 22 dias, quando foi nomeado como bispo em 10 de abril de 1996, pelo Papa São João Paulo II.

Imagem: Dom Luís, em visita Ad Limina Apostolorum, ao então Papa Bento XVI.
Fonte: Diocese de Bragança.

Recebeu a ordenação episcopal na mesma paróquia em que estava, em Cortemaggiore, em 5 de maio de 1996, pelas mãos do cardeal Dom Ersilio Tonini, Arcebispo Emérito de Ravenna, na Itália, tendo como co-consagrantes Dom Antonio Mazza, bispo de Piacenza e Dom Luciano Monari, atual bispo da Diocese de Brescia. Fato marcante foi a presença de sua mãe nesta cerimônia.

Imagem: Dom Luís com o Ostensório do Congresso Eucarístico Diocesano, de 2003.
Fonte: Acervo pessoal.

Tomou posse na Diocese de Bragança, numa efusiva festa no dia 9 de junho de 1996, data do início de seu episcopado na Diocese de Bragança do Pará, da qual é o segundo bispo diocesano, sucedendo Dom Miguel Maria Giambelli (1980-1996), falecido em 26 de dezembro de 2010.

Imagem: Dom Luís no lançamento do Ano Mariano.
Fonte: Diocese de Bragança.

Seu lema episcopal é “Fiat mihi secundum verbum tuum”, ou seja, “Faça-se em mim segundo a tua palavra”, frase usada por Maria ao ser abordada no momento da anunciação do Anjo, segundo a tradição bíblica constante em Lucas 1,38.

Imagem: Brasão de Dom Luís Ferrando.
Fonte: Wikipedia (2015).

Completou em 2015 cinquenta anos de sacerdócio e para encerrar seu episcopado programou o tríduo em preparação ao Ano Mariano entre 2013 e 2015, finalizado com uma grande festa católica em Bragança. Já foi condecorado com a honraria do Antonino de Ouro, da Cidade de Piacenza.





Imagem: Dom Luís celebrando o dia de São Francisco, padroeiro da Itália, em Piacenza, na Itália, em 2014. E recebendo uma lâmpada de azeite do prefeito Paolo Doses.
Fonte: Site piacenzasera.it

Segundo a costumeira regra, Dom Luís Ferrando apresentou há 9 meses ao Vaticano a sua carta de renúncia ao cargo de Bispo Diocesano de Bragança, aguardando a nomeação do seu sucessor para se tornar em breve Bispo Emérito de Bragança.


Imagens: Dom Luís Ferrando na coroação de Nossa Senhora, coordenada pela Escola Mons. Mâncio Ribeiro, em 31.05.2013.
Fonte: Bragança News.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Prefeito de Bragança João Nelson Magalhães anuncia desfiliação do PT

Numa estratégia política raríssima na história recente dos governos municipais em Bragança, o atual prefeito João Nelson Magalhães anunciou às 20h30 desta sexta-feira, dia 15 de janeiro, sua intenção de sair do Partido dos Trabalhadores, sigla partidária que lhe rendeu a eleição ao Executivo Municipal, numa coligação com outros partidos, usando o slogan “Fé na Mudança”.

Carta ao PT de Bragança e desfiliação – A mídia ligada à Prefeitura de Bragança divulgou em redes sociais na manhã deste sábado, dia 16 de janeiro, a intenção de Nelson Magalhães, numa carta não assinada, destinada ao Sr. José Carlos Borges, presidente do Diretório Municipal do PT e com a data errada de 2015 (sic!), onde o gestor municipal alega sua saída do PT como fruto da conjuntura nacional e do desgaste da sigla diante da opinião pública bragantina.
João Nelson Magalhães filiou-se ao Partido dos Trabalhadores em 2006 (data errada na carta, pois ele se filiou em 17 de abril de 2007) e concorreu ao Executivo Municipal em 2012, obtendo vitória diante de outros candidatos, momentos que segundo a carta “jamais sairão da memória”. A carta foi tornada pública em redes sociais hoje pela manhã, após o comunicado de ontem do presidente do PT em Bragança ter sido amplamente divulgado.

Motivos – Dentre os motivos para sua desfiliação, Nelson Magalhães alega que o cenário político nacional e municipal são desfavoráveis, o que causou segundo ele o descrédito do partido diante das notícias diariamente veiculadas e que causaram a dilapidação do PT e de seu projeto de poder, maculando a imagem do partido na sociedade bragantina. Segundo o documento, o gestor municipal, oriundo do PT e formado em diretrizes próprias da sigla e de seus aliados, reconheceu que a opinião pública mudou suas posições políticas.

Eleições 2016 – Na carta, o prefeito se reporta a especulações de nomes para a próxima campanha eleitoral que se avizinha, reconhecendo que os problemas da sua administração são fruto da gestão anterior e que sua motivação de sair do PT se dá para evitar o “risco de ver a Gestão Municipal cair em mãos erradas”.
Ao final do texto, de duas laudas, o gestor alega que foi “impelido a pensar estratégias que dissuadissem a oposição, com base na opinião do povo” e que continuará em outra via a lutar pela população bragantina.
Pelo que se leu nas mídias sociais, o Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores (PT), não divulgou nota, resposta ou manifestação acerca da decisão do prefeito municipal.

Reflexões – A decisão também histórica de um gestor municipal de Bragança no exercício do mandato em sair do partido que o elegeu repercutiu em diversos meios de comunicação (especialmente nas redes sociais), gerando polêmicas e acusações diversas direcionadas a João Nelson Magalhães.

Ficam no ar muitas dúvidas em relação à administração pública de Bragança daqui para frente. A maior delas é a de se o PT sairá do governo e entregará as pastas e os cargos comissionados que ocupa na Prefeitura de Bragança, o que seria plausível em se tratando do fato de que o gestor não mais pertencerá à sigla.

Outra questão é a de se o PT apoiará seu ex-filiado nas próximas eleições, mesmo estando em outra sigla numa composição que soaria piada eleitoral. Nesse cenário, não se sabe quem seriam – ou se teriam – os nomes do partido para concorrer ao Executivo Municipal.

A decisão de Nelson Magalhães interferirá ou não no que a sua gestão tem negociado política e administrativamente com o governo federal (do PT) e com o governo estadual (do PSDB), somando-se os fatos que Bragança está prestes a alcançar alguns projetos junto a instâncias das duas esferas de governo? As Executivas Estaduais e Nacionais do PT e dos mandatários dos governos, assim como de outras legendas, ainda não comentaram a decisão de Nelson nem se posicionaram sobre o assunto.

É de se estranhar o fato de que mesmo sob uma enxurrada de críticas e denúncias de todos os níveis ao Partido dos Trabalhadores os seus mandatários nos âmbitos estadual e nacional não terem deixado a sigla. Recorde-se o governo do Estado, quando Ana Júlia Carepa, mesmo com a quebra de apoio político de sua base aliada e ao desgaste, não deixou o partido e concluiu seu mandato. Na esfera federal, Lula da Silva em pleno escândalo do “mensalão” não deixou o partido, foi reeleito e concluiu seus dois mandatos. Dilma Rousseff, atravessando uma enorme crise institucional do Estado brasileiro também não deixou o partido e já está em seu segundo mandato.

Se é que grupos de elite comandam as mídias, a comunicação e a informação no País e nos Estados, o PT não deixou de estar no comando dos mandatos democraticamente conferidos aos seus gestores eleitos, mesmo tendo que enfrentar o desgaste, a opinião pública (em diversos meios) e as crises internas do partido.

Mesmo assim, Nelson Magalhães alega que o motivo principal de sua saída do partido se deve ao movimento de “rapidez e o fluxo frenético de informações e, por consequência, de transformações da opinião pública – momente insuflada pela mídia”.

Pelo que o prefeito afirma e pela trajetória política pessoal citada na carta, é de estranhar que o gestor tenha se deixado levar pela repercussão negativa do cenário nacional e municipal, até porque a maioria dos principais grupos de comunicação em Bragança (televisão, rádios e jornais) são aliados dele, parceiros políticos, coligados ou estão muito próximos ao seu governo.

Soma-se a isto o fato de que fontes ligadas ao Executivo Municipal consideram boataria os comentários e as críticas destinadas ao governo de Nelson Magalhães nas redes sociais, o que concorre para a fragilidade da motivação do prefeito, agora ex-petista.

Alguns assessores de Nelson Magalhães informam que o ex-petista deverá anunciar nova filiação partidária ainda neste mês e que mesmo está analisando propostas de outros partidos como o PPS, PROS e PSB.



Imagens: Tribuna do Salgado (Facebook, 16.01.2016)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Alguns fatos de Janeiro na História de Bragança

1664 – Segundo Baena em “Compêndio das Eras”, p. 110, “de ordem do governador, traslada-se no fim de janeiro a povoação do Gurupi para o Caité, onde ergue-se tectos no lugar (à época da escrita do livro, 1838) chamado de Vimioso”. Fato curioso, pois as terras estavam localizadas na mesma capitania, fora da jurisdição do governo local e submissa ao poder de ordem régia. O nome Vimioso parece ser o antigo nome do bairro da Aldeia, local da primeira aldeia jesuítica em missão.

1672 – Em janeiro, transferiu-se a Aldeia de São João Batista, do Gurupi, para o seu novo lugar, à sede da capitania do Caité, a vila de Sousa do Caité, segundo Serafim Leite.

1818 – Em janeiro, o governador e capitão general do Grão-Pará e Rio Negro Antônio José Manoel de Menezes, nomeou o bacharel Miguel Joaquim de Cerqueira, Conde de Vila Flor, para realizar um exame geológico e exploração do terreno entre o rio Turi-açu e a vila de Bragança, para verificar a possível existência de jazigos auríferos.

1872 – Em janeiro, deixa a função de Vigário de Bragança o Pe. Mâncio Caetano Ribeiro, cargo ocupado por pouco tempo.
Foto: Quadro do Monsenhor Mâncio Caetano Ribeiro.
Fonte: EEEFM Mons. Mâncio Ribeiro, Bragança (2011)

1882 – Em janeiro, em data incerta, foi transferido o contrato de construção da Estrada de Ferro de Bragança da companhia organizada pelo desembargador Izidoro Borges Monteiro e engenheiro Francisco da Siqueira Queiroz à firma de Francisco de Paula Mayrink & Cia. Logo depois, esse contrato foi transferido para construtora representada pelo engenheiro Bernardo Caimari, que iniciou os trabalhos de construção em 24 de junho de 1883.
Foto: Locomotiva da Estrada de Ferro de Bragança.
Fonte: Álbum do acervo Pará em 1900.

1929 – Em 1º de janeiro, foram publicados na Revista Bragantina os estatutos do Centro Social Estudantino, fundado em 07 de janeiro de 1928 em Belém/PA.

1937 – Em 1º de janeiro, circulou o primeiro número do Almanach Bragantino, publicado pelo Grêmio Bragantino.
Foto: Capa do Almanach Bragantino, de 1937.
Fonte: Acervo Bordallo

1940 – Em 1º de janeiro, circulou o segundo número do Almanach Bragantino, publicado pelo Grêmio Bragantino.
Foto: Capa do Almanach Bragantino, de 1940.
Fonte: Acervo Bordallo

1943 – Em janeiro, desembarcou em Bragança o primeiro contingente do 35º Batalhão de Caçadores do Exército, ocupando o prédio da Escola Estadual Monsenhor Mâncio Ribeiro e parte do prédio em construção do Instituto Santa Teresinha.
Foto: IST à época (década de 1940).
Fonte: Acervo IST.

1955 – Em janeiro, o Pe. Vitaliano Maria Vari chegou de uma viagem à Itália trazendo três médicos e suas famílias, que deveriam trabalhar no Hospital Santo Antônio Maria Zaccaria e Maternidade de Nossa Senhora da Divina Providência, instituições pertencentes à Prelazia: Dr. Caetano Scalese, Dr. Mário Lordi e Dr. Alberto, sogro do Dr. Caetano.
Foto: Hospital Santo Antonio Maria Zaccaria e Maternidade Nossa Senhora da Divina Providência à época (década de 1950).
Fonte: Acervo IBGE (Internet).

1966 - Em 1º de janeiro, foram definitivamente paralisados os trabalhos da Estrada de Ferro de Bragança e, em 12 de janeiro do mesmo ano, começaram a ser retirados os seus trilhos, a partir da localidade de Benjamin Constant, causando repúdio de populares. Restam alguns resquícios (prédios) da Estrada de Ferro de Bragança em antigos ramais, alguns quase em total ruína, com fins históricos, culturais e turísticos.
Foto: Mapa da antiga Estrada de Ferro de Bragança.

Fonte: Ernesto Cruz (SPVEA, 1955)