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segunda-feira, 21 de abril de 2025

Morreu o Papa Francisco (1936-2025)

Após um período longo de tratamento de saúde e depois de sua última aparição pública, no Domingo de Páscoa, a Igreja Católica anunciou o falecimento de Sua Santidade, o Papa Francisco, ocorrido na manhã desta segunda-feira, dia 21 de abril de 2025, às 7h35 min (horário de Roma), sendo 2h35min (horário de Brasília). O anúncio foi feito em vídeo pelo Cardeal Kevin Farrell, cardeal camerlengo da Igreja Católica, ao lado de auxiliares próximos do Sumo Pontífice.


Imagem 01: Papa Francisco. Fonte: Internet.

 

O Papa Francisco era o cardeal Jorge Mario Bergoglio, argentino de Flores, Buenos Aires, nascido em 17 de dezembro de 1936, sendo religioso da Companhia de Jesus (os Jesuítas). Foi arcebispo de Buenos Aires desde 28 de fevereiro de 1998. Era formado em Engenharia Química, escolhendo depois o sacerdócio e entrando para o seminário em Villa Devoto.

Em março de 1958 ingressou no Noviciado da Companhia de Jesus. Em 1963, estudou Humanidades no Chile, retornando depois a Buenos Aires. Entre 1964 e 1965 foi professor de Literatura e Psicologia no Colégio Imaculada Conceição de Santa Fé e, em 1966, ensinou as mesmas matérias em outro colégio de Buenos Aires. De 1967 a 1970, estudou Teologia.

Recebeu a ordenação sacerdotal em 13 de dezembro de 1969, pela imposição das mãos de Dom Ramón José Castellano. Foi ordenado bispo no dia 27 de junho de 1992, pela imposição das mãos de Dom Antônio Quarracino, Dom Mario José Serra e Dom Eduardo Vicente Mirás. Cinco anos depois foi elevado a arcebispo no dia 03 de junho de 1997. Foi criado cardeal no Consistório de 21 de fevereiro de 2001, no pontificado de São João Paulo II, recebendo o título de cardeal-presbítero de São Roberto Bellarmino.

 

Imagem 02 e 03: Papa Francisco eleito em 13 de março de 2013. Fonte: Vaticano.

 

Foi eleito em 13 de março de 2013, sendo o 266º Sumo Pontífice da Igreja Católica Apostólica Romana, escolhendo o nome de Francisco. Foi o primeiro papa proveniente da América Latina e o primeiro papa jesuíta, sucedendo o resignatário Papa Emérito Bento XVI, que o cumprimentou ainda vivo.


Imagem 04: Papa Francisco e o emérito Papa Bento XVI. Fonte: Vaticano.

 

Adotou uma postura simples e humilde, morando num quarto modesto na Casa Santa Marta, dando exemplo de pobreza e recusando o luxo do apartamento papal no Palácio Apostólico. O Brasil foi o primeiro país visitado por Francisco, na Jornada Mundial da Juventude, em julho de 2013, onde rezou e celebrou com uma multidão de mis de 3 milhões de participantes.


Imagem 05: Papa Francisco no Brasil, na Jornada Mundial da Juventude de 2013. Fonte: Vatican News.

 

Foi um papa de alegria, de sorriso, de acolhimento e que ensinou o caminho de Jesus, com olhar especial aos pobres, aos discriminados, aos excluídos e aos perseguidos, tendo trabalhando para tornar viva a mensagem de Jesus diante de um mundo tão cheio de juízos e preconceitos, focando para a misericórdia de Deus aos seus filhos. Isso marcou o seu pontificado de 12 anos à frente da Igreja e com o nome Francisco, nome de um dos santos mais populares da Igreja Católica e um dos mais importantes de todo o cristianismo. Canonizou a primeira santa nascida no Brasil, Santa Dulce dos Pobres.


Imagem 06: Papa Francisco caminhando  no Vaticano. Fonte: Vaticano.

 

Suas mensagens, gestos e decisões impactantes nem sempre agradavam uma ala conservadora e de extrema direita existente na Igreja Católica dentre padres e fiéis, que muitas vezes o julgou como um líder que deturpava a mensagem de Jesus e as leis da própria instituição. Deixa um legado ímpar, não de transição, mas de renovação espiritual dos cristãos, de olhar para o mais carente, de olhar para o nosso mundo como dom de Deus, de olhar para Jesus presente no irmão e nos sentirmos mais próximos ao amor de Deus sendo como somos.

Suas exortoções foram contundentes em relação à economia capitalista, com severidade contra a pedofilia na Igreja, de novas regras que reformaram o banco do Vaticano, além de abrir a Igreja para olhar a realidade do cuidado com a natureza, a chamada Casa Comum e da consciência de que toda realidade humana está interligada à vida em Cristo e ao anúncio do Evangelho. Foi um líder internacional marcante e mediou diversos conflitos, sempre pedindo pela paz mundial. E diante de todos os seus desafios, manteve sempre o seu peculiar bom humor e seu sorriso.


Imagem 07: Papa em celebração na Praça de São Pedro, no Vaticano. Fonte: Vaticano.

 

Num momento de grande comoção popular durante a pandemia de COVID-19, o Papa Francisco caminhou sozinho pela Praça de São Pedro, em 27 de março de 2020, para conceder de forma extraordinária a indulgência plenária a todo o mundo.




 Imagem 08, 09 e 10: Papa durante a benção extraordinária em 27 de março de 2020. Fonte: Vaticano.

 

Em seu último ato público, na manhã deste Domingo de Páscoa, presidiu a Benção Ubi et Orbi, conclamando o mundo que está em guerra para a busca de paz, numa mensagem atual e necessária para a contemporaneidade. Proclamou o grande Jubileu do ano de 2025 e o abriu oficialmente no fim de 2024, dando a oportunidade de todos celebrarem o mistério da encarnação de Jesus e receberem os benefícios jubilares.





Imagem 11, 12 e 13: Última aparição pública do Papa Francisco, em 20 de abril de 2025. Fonte: Vaticano.

 

Há uma ligação do Papa Francisco com a cultura religiosa de Bragança. No penúltimo dia da visita Ad Limina Apostolorum de bispos do Regional Norte II da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), o Papa Francisco recebeu Dom Raimundo Possidônio em 1º de julho de 2022, ainda como bispo coadjutor da Diocese de Bragança, no Vaticano, que lhe entregou uma imagem do Glorioso São Benedito da Praia, um gesto que nos aproximou e nos uniu ao seu papado.


Imagem 14: Papa Francisco recebe uma imagem de São Benedito, em 1º de julho de 2022. Fonte: Diocese de Bragança.

 

Desde seu enfraquecimento e declínio físico em quatro anos e especificamente nos últimos meses, o Papa Francisco lutou contra problemas do trato respiratório, problemas articulares e contra uma pneumonia bilateral que lhe deixou internado por 38 dias. O quadro de sua dificuldade pulmonar contribuiu para a sua morte nesta manhã, aos 88 anos. Um acidente vascular cerebral e um colapso cardiovascular irreversível foram a causa de seu falecimento. Segundo sua vontade testamental, seu corpo deve ser sepultado na Catedral de Santa Maria Maior, em Roma (Itália).

Participei de missa e do Angelus celebrado pelo Papa Francisco, em minha viagem à Itália, em outubro de 2024, um momento de grande emoção e alegria em rever o Santo Padre da janela do Palácio Apostólico.


 Imagem 15, 16 e 17: Participando do Angelus com o Papa Francisco, em Roma, em 30 de outubro de 2024. Fonte: Acervo pessoal.

 

Descanse em paz, querido Papa Francisco! Obrigado!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Meu tio Benedito Lázaro Rodrigues partiu (*02.03.1944, +08.01.2021)


Meu tio Benedito Lázaro Rodrigues sempre foi e sempre será uma referência em todos os sentidos, para além do laço familiar. Sempre meu amigo, meu confidente, um homem de fé, um cristão exemplar, um esposo, pai e avô devotado e um profissional respeitado em tudo o que fez.

Em seus 76 anos de vida entre nós, sempre vivenciou uma personalidade firme, austera, de palavras certas nas horas certas, de cuidado e de carinho, de zelo e de fé. Suas lições ficam para a vida toda.


Minha admiração e ligação filial com ele vem de muito, por muito e em tudo. Por exemplo, foi meu tio quem me disse que meu pai Jocelino havia partido naquele doloroso dia 26 de setembro de 1984, de manhã, em casa. E desde lá, em grande medida, ele tornou-se a minha referência de pai. 


Era o terceiro filho de uma família extensa e o primeiro filho homem de meu avô Manoel Paes Rodrigues e de sua primeira esposa Felícia de Oliveira Rodrigues e recebeu o nome de Benedito Lázaro Rodrigues, nascido em Bragança, no dia 02 de março de 1944. Teve cinco irmãos desse matrimônio, Benedita de Oliveira Rodrigues (in memoriam), Ana Leopoldina da Costa Rodrigues (in memoriam), Zelina Deoclécia Rodrigues Moraes, José Raimundo de Oliveira Rodrigues e João Nazaré de Oliveira Rodrigues. Sua mãe faleceu em 1949.


Meu avô casou pela segunda vez com minha avó Joana Dolores Rodrigues, tendo com ela outros oito filhos, sendo minha Mãe, Antônia Maria do Socorro Rodrigues Ramos, Raimundo Mariano de Aviz Rodrigues (in memoriam), Raimundo Nonato de Aviz Rodrigues, Paulo Roberto de Aviz Rodrigues, Maria Alice Rodrigues de Azevedo (in memoriam), Domingos Sávio Paes (in memoriam), Pedro Aurélio de Aviz Rodrigues e Antônio Zacarias Paes.


Benedito Lázaro, como todos os seus irmãos, recebeu formação religiosa católica, muito apegado à Igreja e por muito tempo ajudou como coroinha os padres da então Paróquia de Bragança, a Igreja Matriz, hoje Catedral de Nossa Senhora do Rosário. Tinha um orgulho muito grande em dizer que recebeu a Sagrada Comunhão das mãos de Dom Eliseu Maria Coroli.



Ele apresentou desde jovem o desejo de se tornar sacerdote. Isso o levou a se integrar à Sociedade de São Francisco de Sales, fundada por São João Bosco em 1859, os chamados Padres Salesianos. Morou em diversos seminários como o de Porto Velho, em Rondônia. Morou na Itália e cursou os anos iniciais da vida sacerdotal. Dessa caminhada herdou duas devoções particulares, de Nossa Senhora Auxiliadora, de São João Bosco, além de São Domingos Sávio. Uma das frases de Dom Bosco tornou-se o lema de sua vida: “O Senhor nos colocou neste mundo para os outros”.



Por sua escolha pessoal deixou o seminário para residir novamente em Bragança, na década de 1970. Atuou em diversos movimentos da Igreja, como Treinamento de Lideranças Cristãs (TLC), além das funções de catequista. Trabalhou no Sistema Educativo Radiofônico de Bragança e foi secretário pessoal de Dom Miguel Maria Giambelli (primeiro bispo diocesano de Bragança).



Casou-se em 1º de outubro de 1983 com minha tia Maria Evanilde de Quadros Rodrigues, na primeira Capela do Instituto Santa Teresinha, sob as bênçãos do então Padre Luís Ferrando (hoje Dom Luís Ferrando, segundo bispo diocesano de Bragança). Eu participei do seu matrimônio como pajem e recordo todos os detalhes daquele dia, especialmente de ir à frente de minha tia e seu irmão Gildo na capela do Colégio. Com tia Evanilde teve sua única filha, Ana Cristina de Quadros Rodrigues, Professora de Letras, atualmente Psicóloga e Mestre em Teologia. Casada com José Levítico Silva Santos, tem com ele o seu filho Pedro Arthur Rodrigues Santos, e Marcos José, que está no céu.


Foi nomeado para ser funcionário do SENAI – Centro de Educação Profissional de Bragança em 1986, na função de Caixa (Tesoureiro) e depois Diretor, função que ocupou por mais de duas décadas. No SENAI, tornou-se um exemplo de gestor e formador, tendo recebido vários prêmios pela unidade de Bragança e marcando gerações inteiras de jovens que pelo SENAI receberam além da formação profissional, a formação moral e cristã. Neste ponto, foi criticado por algumas pessoas, já que a escola tinha e tem um regime laico. Mesmo assim, continuou seu trabalho e por ele recebia constantes elogios de seus superiores pela condução desta escola. Ficou marcado em sua gestão os seus diários “bom dia” e “boa tarde” com a gravata, quando ele conversava com os alunos e os orientava, além dos tapetes de Corpus Christi e dos belos desfiles de 7 de setembro. Meu tio chegou a ser homenageado publicamente pelo garbo e pela elegância que o SENAI apresentava na avenida.


Mesmo com todos os seus afazeres profissionais, ele continuou catequista, para a área de Crisma de jovens e adultos e de Batismo para adultos. Ele foi ainda Vice-Coordenador e Coordenador da Festividade de Nossa Senhora de Nazaré (Círio de Bragança) e da Festividade do Glorioso São Benedito, onde atuou desde 1988 até os anos 2000. Tinha um apreço muito grande pela Semana Santa, onde ele e minha tia por muitos anos prepararam a Imagem de Nossa Senhora das Dores que sai na Procissão do Encontro de Sexta-Feira Santa e permanece na Catedral no Ofício de Nossa Senhora das Dores, no Sábado Santo.


Tio Benedito foi padrinho de casamento de meus pais Jocelino e Socorro em 1975, e de João Paes e minha mãe Socorro em 1995. Também foi padrinho de batismo de muitos dos seus sobrinhos, de sua sobrinha-neta Beatriz e de centenas de afilhados e afilhadas de Crisma, que têm por ele enorme admiração e respeito. É uma tarefa difícil tentar precisar o número desses afilhados.


Meu tio se aposentou do SENAI em 2008 ovacionado e passou a cuidar de seus afazeres mais domésticos, de parte de estruturar o Museu de Arte Sacra Nossa Senhora do Rosário, sob a administração do então Pároco Padre Gerenaldo Messias, e dedicou-se ainda mais à Igreja. Manifestou e recebeu da Diocese de Bragança do Pará a autorização para cursar as fases de formação do Diaconato Permanente, onde foi ordenado em 30 de dezembro de 2017, por Dom Jesus Maria Cizaurre Berdonces. Testemunhei com ele e sua família este dia, um dos dias mais felizes de sua vida.


Após se casarem, Ana Cristina e José Levítico tiveram Pedro Arthur, seu grande carinho e o chamego do vovô. Faleceu o seu segundo neto, Marcos José, em 25 de setembro de 2020, um dia triste para toda a nossa família. Com o seu neto, tio Benedito vivenciou uma outra vida, uma enorme alegria, sempre sorridente, feliz e satisfeito com esse presente.


Adoeceu com tia Evanilde em meados de dezembro, com COVID-19. Foram internados no Hospital Geral de Bragança, em 22 de dezembro. Ele mesmo comunicou isso a mim. Passou o Natal no hospital e da janela de seu quarto viu passar em carro aberto o Glorioso São Benedito de Bragança, acenando alegremente da janela do quarto, na tarde de 26 de dezembro. Eu vi isso acontecer. Pela piora de seu estado de saúde, meu tio foi transferido para o Hospital Adventista de Belém em 28 de dezembro, onde permaneceu sob os cuidados daquela equipe médica, entre estados de gravidade e de melhoras circunstanciais, mas com a fragilização de sua condição clínica.


Nestes últimos dias, seu estado clínico se agravou bastante. Diante dessa situação, meu tio Benedito faleceu na madrugada de 8 de janeiro de 2021, às 3h30min em seu leito na UTI do hospital.


A nossa família perde uma referência de homem, esposo, pai, cristão e um grande profissional. Eu não perco um tio, somente. Perco o meu maior amigo em minha família, o meu melhor confidente, o ombro mais largo, o mais carinhoso abraço, alguém que tinha um orgulho enorme de mim, para além do laço sanguíneo. Fica comigo tudo e com todos nós tudo o que ele me ensinou e me exemplou em todos os momentos. Suas memórias serão sempre parte de mim, em todos nós da sua maneira, em tudo o que eu fizer e onde for, pois carrego no meu nome parte do seu.


Esta doença ingrata levou meu tio, mas por ele nós ficaremos de pé, sempre serenos e tranquilos mesmo com tanta dor e sofrer. Cremos firmemente na Ressurreição e no reencontro em breve. Com a mesma força que lhe era peculiar, nós nos manteremos firmes e unidos junto ao amor de Deus e sob a proteção de Nossa Senhora, nosso auxílio e do Glorioso São Benedito, nosso intercessor querido.




Que Deus conforte a família do meu tio Benedito, sua esposa e minha Tia Evanilde, sua filha e minha prima Ana Cristina, seu neto Pedro Arthur e seu genro José Levítico. E em nome de todos da minha família, agradeço tantos e lindos testemunhos e demonstrações de afeto, condolências, amizade, carinho e conforto que nós recebemos nesta manhã.


Que o Senhor Deus nos abençoe e à Igreja Católica de Bragança nas mãos de nosso Bispo Diocesano Dom Jesus e de todo o Clero! Descanse em paz, Tio Benedito Lázaro! Guarde consigo o nosso amor para sempre, assim como nós faremos! Até breve!


Teu para sempre, Dário Benedito Rodrigues.

sábado, 11 de maio de 2019

Meu cão rottweiler Adam Smith faleceu em 11 de maio de 2019, às 20h49



Adam Smith – meu filho e meu melhor amigo de patas e pelos - fez parte de momentos importantes da minha vida em várias oportunidades e as pessoas de meu convívio podem testemunhar nosso carinho, conexão, companheirismo e amor.



Adam nasceu em Belém (PA) no dia 04 de outubro de 2011, no Dia de São Francisco de Assis e Dia Mundial dos Animais. Este cão foi um presente de meu irmão Jocelino Filho, que o trouxe para casa no dia 17 de janeiro de 2012. O nome Adam já havia sido dado e eu complementei com Smith, em homenagem ao famoso filósofo e economista escocês (Adam Smith, 1723-1790). Quando chegou, percebi algumas ranhuras de maus tratos, superados pela atenção e pelo amor incondicional que passei a dar a ele durante esse tempo todo.



Adam sempre viveu em casa, sempre dócil, muito amado e cuidado de maneira exemplar. Nunca fugiu, nunca agrediu nenhuma pessoa, nunca demonstrou sentimento de raiva por nada, só não gostava de barulho e manobras de skate. Não deixou nenhum descendente. Marcou a vida recente de minha casa e de meu convívio social, sempre com o seu carinho e com a sua presença. Seu latido não era somente um som grave e rouco, mas era a certeza da alegria, da proteção e do seu amor.




Tinha um senso de domínio sobre o seu território que me impressionava sempre e a todos ao meu redor, devido à proteção que deu durante os sete anos que viveu conosco. Ele era o dono do quintal, literalmente. Em algumas situações, é de se esperar que o cuidado e o carinho que se tem pelos animais recebam sérias e duras críticas, porém, ao cuidarmos de um cão, também estamos colaborando com a mãe Natureza, obra de Deus. Cães não amam com preconceitos, orgulho ou interesse, apenas amam, não calculam consequências para estarem com seus donos com lealdade e carinho.




Adam Smith fará parte dessa parte boa da minha história e da memória que guardarei para sempre.

O que houve?
Adam adoeceu algumas vezes, sendo muito bem tratado pela médica veterinária Marcielly Reis, que o amava também. Na manhã de hoje, 11 de maio, ele realizou um procedimento de retirada e cauterização de um hemogioma na região do olho esquerdo, retirada e cauterização de uns pólipos nos dois ouvidos e uma carne crescida na gengiva de um dente do lado esquerdo da boca, para evitar danos e doenças futuras.
Os hemagiomas são angiomas, tumores vasculares benignos causados pelo crescimento anormal de vasos sanguíneos. E nós realizamos de maneira responsável e cuidadosa todos os detalhes do procedimento, exames laboratoriais, pesagem, aplicação correta de todos os medicamentos e com bastante responsabilidade, atenção e cuidado da veterinária.


Eu acompanhei todo o procedimento, com meu amigo e compadre Alef Brito. Em seguida, Adam Smith foi acordando normalmente, mesmo tonto da sedação e anestesia que recebeu e que foi em dose bem abaixo do seu peso e do seu tamanho. Não demonstrou nenhuma agonia ou espasmos. Tudo estava muito tranquilo. Mas, por volta de 20h30 ele começou a ter uma súbita queda de pressão, e sua respiração ficou bastante ofegante. Depois ele pareceu desfalecer. E às 20h49, de forma muito serena, seu coração parou junto com a sua respiração. Tentamos reanimá-lo, mas sem sucesso. Estava ao lado dele o tempo todo e sua veterinária também.
Agradeço imensamente o trabalho da médica veterinária Marcielly Reis, além dos amigos meus e do Adam, em especial à minha mãe Socorro Rodrigues, meus amigos Neto Pereira, Rosalinda, Keyla Alessandra, Ryan Afonso, Alef Brito, Thiago Oliveira, Ítalo Costa, Higo Tadeu e Rafael, que de alguma forma se envolveram com todo esse processo prestando seu valoroso apoio e pesar durante esses anos todos. Agradeço também aos proprietários de pet shops que sempre cuidaram do meu cão, banhando-o, consultando-o e lhe dando todo carinho com responsabilidade e muita presteza.


A tristeza que fica se deve à saudade que sentirei e à memória que guardarei a partir de hoje, por isso faço esse agradecimento a quem ajudou meu Adam. Seu corpo foi enterrado às 22h49 quintal, em local marcado. Fica em meu coração essa enorme saudade, junto à mensagem do escritor mineiro Guimarães Rosa para reflexão: "Se todo animal inspira ternura, o que houve, então, com os homens?"
Assim, agradeço a todos que amaram Adam Smith durante essa vida. Muito obrigado e que Deus sempre os favoreça.

Origem da raça

Sabe-se que a raça origina-se da Roma antiga onde desempenhava a função de boiadeiro de tribos indígenas. Os cães foram usados para conduzir o gado, que serviria de alimento aos soldados, durante a expedição de conquista do exército romano a um local chamado “Araé Flaviae”, que corresponde a uma região do sul da Alemanha, aproximadamente em 74 d.C.
Nesta ocasião também se teria descoberto as qualidades de guarda, pois a eles era acumulada a tarefa de vigiar os suprimentos durante a noite. Cerca de 260 d.C., os swabianos desalojaram os romanos da cidade, tomando conhecimento da raça e mantendo a utilização dos cães boiadeiros. Descobriu-se também, antecessores do rottweiler nos séculos III e IV como companheiro e protetor do homem. Em torno de 700 d.C. o duque local construiu uma igreja cristã no local de uma antiga instância termal romana. Em escavações recentes foram encontradas telhas, em terracota vermelha, típicas das antigas vilas Romanas. Para diferenciar de outras cidades, os arqueólogos denominaram o local de “Das Rote Wil” (A Telha Vermelha), denominação essa que é conhecida como sendo a origem da atual rottweil.
A cidade de Rottweil, no estado de Wurttemberg, ao sul da Alemanha, era o local onde Metzgerhund (cão de açougueiro), como era conhecido, aparecia com maior frequência. A hegemonia de Rottweil como um centro de cultura e comércio consolidou-se em meados do século XII. Os descendentes dos cães pastores romanos trabalharam no auxílio do comércio de gado até meados do século XIX, quando a utilização de cães para conduzir gado tornou-se fora da lei. Nessa época, as tarefas do Metzgerhund mudaram para cão de tração, tendo sido utilizado como tal até ser substituído pelo jumento quando surgiram as rodovias.
Era conhecido, então, como cão de açougueiro de Rottweil, mais tarde, abreviando, foi chamado “o cão de Rottweil” como é conhecido até hoje. Em alemão: rottweiler. Esses cães pertenciam a classes trabalhadoras que tinham grande dificuldades para alimentá-los. Como sua função havia sido severamente reduzida e ele era grande demais para ser usado como cão de companhia, a raça começou a passar por grandes dificuldades. O número de rottweilers declinou tão radicalmente que em 1892 a exposição de Heilbronn, na Alemanha, registrou somente um pobre exemplar da criação presente. Os anais da Cinologia não fazem referência da criação até 1901 quando foi formado o Leonberger Klub que teve vida curta, porém notável, pois pela primeira vez foi descrito o rottweiler em forma de padrão de raça. Nessa época foram iniciados os primeiros movimentos para sua utilização no serviço policial.
Graças a sua prodigiosa inteligência, caráter firme, temperamento forte e coragem frente ao perigo, além das qualidades físicas, se tornou um dos cães ideais para tal serviço. Em 14 de agosto de 1921 foi fundado o Algemelner Deutscher Rottweiler Klub e.V. (ADRK). Finalmente, em 1924, o ADRK publicou o primeiro Zuchtbuch (Stud Book) da raça.

Informações adicionais: por Daniella Freire, do canil Berg Donner. http://www.saudeanimal.com.br/artigo85.htm

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

LUTO, em memória do Prof. Horacio Schneider (*15.05.1948, +27.09.2018)

Horacio Schneider é uma pessoa do tempo, que hoje se imortalizou na memória por tudo o que fez e pelo legado que deixa à ciência e à humanidade. Na madrugada desta quinta-feira, dia 27 de setembro, em Fortaleza, o Prof. Horacio descansou após uma brava luta por sua saúde.

Prof. Horacio Schneider na UFPA. Fonte: Alexandre de Moraes

Neste dia de sua partida, retomo as muitas memórias vividas desde a Graduação em História na UFPA Bragança, quando naquela oportunidade travamos lutas pela Universidade e conquistamos, além da amizade, respeito e parceria com ele, as muitas vitórias ao Campus de Bragança, mesmo estando em lados diferentes pelos contextos da época. Imortal pela obra científica, o Prof. Horacio Schneider será inesquecível por tantas qualidades, méritos e pela fidelidade de sua amizade.
Boa parte da história do nosso Campus Universitário de Bragança (UFPA) em muito se confunde com a trajetória do grupo de pesquisa que ele consolidou na região. Ele esteve em Bragança quando da instalação do então Núcleo Universitário, em 1987, na função de Pró-Reitor de Planejamento na gestão do Reitor Prof. Seixas Lourenço. E em 1998, quando assumiu, em meio a uma crise institucional a Coordenação do Campus e em seguida a fundação do Instituto de Estudos Costeiros (IECOS) e o nascimento da Pós-Graduação no interior. E daí, a memória de tudo que foi construído teve uma marca de sua liderança, gestão e de tantos pormenores, vitórias, conquistas, zelo, carinho e presença em muitos momentos. Por tudo isso, recebeu o título de Cidadão Bragantino, da Câmara Municipal de Bragança.

Prof. Horacio Schneider na instalação da UFPA em Bragança. Fonte: Acervo pessoal

Pessoalmente, devo muito ao Prof. Horacio pela ajuda administrativa inconteste à gestão da Faculdade de História (2012-2016) e pelo apoio aos nossos projetos dos mais variados tipos e alcances, sempre atencioso, solícito e ajudando a compreender contextos e lutar pelo melhor. Sua carreira acadêmica é um exemplo para muitos de nós, professores e todas as homenagens e reconhecimentos por ele recebidas são partes desse legado. Sua luta em defesa da democracia no Brasil e pela pesquisa científica também serão marcas e lições que nos deixa Horacio Schneider.

Com Prof. Horacio Schneider e Prof.ª Iracilda Sampaio em evento na UFPA. Fonte: Acervo pessoal

As saudades serão sentidas por essa passagem brilhante pela vida, por seu carinho aos amigos, por sua responsabilidade e até mesmo por seu afastamento que permitiu que outros líderes acadêmico-científicos pudessem ser formados. Em todos os momentos, ele esteve presente! E Bragança será sempre muito agradecida a tudo o que ele desenvolveu. A Prefeitura Municipal de Bragança, em reconhecimento à sua inconteste contribuição à Ciência e à Educação em nossa cidade, decretou luto oficial em memória do Prof. Horacio Schneider.

Prof. Horacio Schneider no Campus de Bragança. Fonte: Horacio Schneider/Iracilda Sampaio

Em nome do Campus de Bragança, prestei uma humilde homenagem pública na cerimônia em que ele assumiu interinamente a Reitoria da Universidade Federal do Pará, em 2016, no Centro de Eventos Benedito Nunes, quando ao som da rabeca de Bragança executada por nosso discente Gênesis Santos, declamei Canção de Amor Puro a Bragança (de Jorge Ramos, maio/1952). Prof. Horacio será, como diz o poema, uma árvore desta terra para sempre, pois como disse a ele

“Ser árvore desta terra é o meu maior destino
ficar nela sentindo que dela tudo virá:
a seiva clorofiliana que me circula nas veias
o Amor, que constrói e dignifica,
a União, que eleva e anima
e a Paz, que consola e faz sonhar”.

Hoje, rezo por ele com minha mãe Socorro Rodrigues, agradecido por tanto que fez e muito consternados externamos sinceras condolências à sua família enlutada (esposa Iracilda Sampaio, filhos e netos) e à comunidade acadêmica que perde um grande pesquisador, educador e cidadão.

Com o Prof. Horacio Schneider na Vice-Reitoria da UFPA. Fonte: Alexandre de Moraes

Ele fará agora parte da nossa memória, onde já estão muitos dos nossos queridos. Obrigado por tudo, meu querido amigo Prof. Horacio Schneider.
Descanse em paz!

Prof. Dário Benedito Rodrigues e Socorro Rodrigues

Resumo da trajetória acadêmica de Horacio Schneider: Prof. Horacio Schneider nasceu em 15 de maio de 1948 na cidade de São Paulo (SP). Graduou-se em Licenciatura em Ciências Biológicas pela UFPA em 1974. Em 1976 concluiu o Mestrado e Doutorado na UFRGS sob orientação do Dr. Francisco Mauro Salzano. Em 1990 realizou estágio de pós-doutoramento na Universidade de Stanford sob orientação do Dr. L. Cavalli-Sforza. Coordenou convênio de cooperação internacional CNPq-Fundação Nacional de Ciências (NSF-USA) com Dr. Morris Goodman da Universidade Estadual de Wayne (WSU-Detroit, Mi, USA). Realizou três visitas a WSU de três, cinco e seis meses, durante o biênio 1992-1993.
Foi bolsista do CNPq durante a Iniciação Científica, Mestrado e Doutorado. Realizou estágio sênior com bolsa do CNPQ no período de janeiro-julho de 2005 na Universidade de Nebraska (Lincoln, NE, USA). Foi chefe do Departamento de Genética em vários períodos; foi pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento da UFPA no biênio 1985-1987; vice-coordenador do Núcleo de Meio Ambiente da UFPA 1992-1993; coordenador do Campus de Bragança de 1998 a 2000; primeiro Diretor do Instituto de Estudos Costeiros do Campos de Braganca-UFPA (2008-2009).
Foi Bolsista Pesquisador nível 1B do CNPq. Professor Associado nível IV do Instituto de Estudos Costeiros do Campus de Bragança da UFPA. Vice-Reitor da UFPA (2009-2017). Foi também coordenador do Programa Instituto do Milênio do MCT/PADCT/CNPq Núcleo de Estudos Costeiros, sediado em Bragança (PA) de 2002 a 2005 e coordenador do convênio de cooperação internacional Brasil x Alemanha, chamado MADAM (2000-2005).
Foi membro do conselho da SBPC de 1982 a 1989, tesoureiro da Sociedade Brasileira de Genética de 1988 a 1990, presidente da Sociedade Brasileira de Primatologia (1991-94. presidente da Sociedade Brasileira de Genética (2000-2002; 2006-2008), vice-presidente da Sociedade Brasileira de Genética (2002-2004). Foi sócio titular de várias sociedades científicas brasileiras: Sociedade Brasileira de Genética, SBPC, Sociedade Brasileira de Primatologia, Sociedade Internacional de Primatologia (IPS), Sociedade Latina Americana de Primatologia e Sociedade Americana para o Avanço da Ciência.
Foi membro da CORPAM, na qualidade de representante dos pesquisadores com notório saber sobre a Amazônia, e representante da comunidade científica Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA). Foi membro titular do conselho do PRONABIO e suplente do conselho da BIOAMAZÔNIA. Foi membro do comitê assessor do CNPq da área de Genética no período 2003-2006. Foi indicado pelo Ministro de Ciência e Tecnologia para a vice-presidência da CTNBio em dezembro de 2005. Foi indicado pelo MCTI membro do Comitê Gestor do Programa PROSUL em 2012.
Em 2002 foi eleito membro titular da Academia Brasileira De Ciências, tendo sido no mesmo ano agraciado com a Comenda da Ordem do Mérito Científico Nacional. Em 2010 foi promovido a classe de Grã-Cruz da Ordem do Mérito Científico Nacional. Foi orientador dos cursos de Pós-Graduação em Genética e Biologia Molecular e Biologia Ambiental da Universidade Federal do Pará (UFPA), e do de Zoologia do Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG), tendo orientado dezenas de dissertações de Mestrado e teses de Doutorado.
Atualmente era orientador de quatro teses de Doutorado e três dissertações de Mestrado. Publicou cerca de 120 artigos científicos em revistas de circulação nacional e internacional, oito capítulos de livros e três livros sobre Métodos de Análise Filogenética. Publicou mais de 150 resumos em encontros nacionais, vários em encontros internacionais, participou de quase uma dezena de simpósios nacionais e internacionais, proferiu conferências como convidado na Wayne State University (Detroit, Michigan, EUA); Smithsonian Institute (Washington, EUA), Regional Primate Center da Wisconsin University, (Madison, Wi, EUA), University of Texas (Houston), NYCEP (NY) Nebraska, Lincoln. ZMT-Alemanha, entre outros. Sua área de pesquisa principal está ligada à Evolução de Vertebrados em Geral e dos Primatas e Genética de populações animais.
Seu mais recente trabalho foi a publicação da nova edição do livro “Métodos de Análise Filogenética”, deste ano, pela Chiado Editora.

Prof. Horacio Schneider na posse da Direção do IECOS Bragança, em 2018. Fonte: Acervo pessoal

Nota da Reitoria da Universidade Federal do Pará: A Reitoria da Universidade Federal do Pará comunica, com enorme tristeza, o falecimento do Professor Horacio Schneider, ocorrido hoje, 27/09, em Fortaleza. O velório será realizado a partir das 9h de amanhã, sexta-feira, 28/09, no Memorial Max Domini (Av. José Bonifácio, 1550). Uma das mais expressivas lideranças acadêmicas e científicas da Amazônia e do país, o Professor Horacio Schneider exerceu diversas funções na UFPA, incluindo as de Reitor em exercício, Vice-Reitor, Pró-Reitor de Planejamento e Diretor do Instituto de Estudos Costeiros do Campus de Bragança, sempre acumulando o respeito e o carinho de toda a comunidade. Na atual gestão, exerceu a função de Pró-Reitor de Relações Internacionais e colaborou com diversos projetos estruturantes para a UFPA. Formou várias gerações de pesquisadores e contribuiu para a nucleação de novos grupos de pesquisa em instituições da Amazônia. Foi laureado com a Comenda Grã-Cruz da Ordem do Mérito Científico nacional. Presidiu a Sociedade Brasileira de Genética e a Sociedade Brasileira de Primatologia. Integrou o Comitê Assessor da Área de Ciências Biológicas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Bolsista de Produticidade 1B do CNPq e Professor Titular do Instituto de Estudos Costeiros do Campus de Bragança da UFPA, o Prof. Horacio Schneider deixa um legado ético e intelectual de valor inestimável, que certamente inspirará as gerações futuras de pesquisadores amazônidas. A Reitoria da UFPA manifesta profundo pesar e a sua solidariedade aos familiares e aos amigos do Prof. Horacio Schneider. Determina, ainda, o luto oficial de três dias na instituição.

Notícia no site da UFPA sobre Horacio Schneider

Última selfie com Prof. Horacio Schneider e docentes da UFPA Bragança, em 2018. Fonte: Acervo pessoal

Portaria do Campus Universitário de Bragança em luto por Horacio Schneider

Portaria do Campus de Bragança em luto pelo Prof. Horacio Schneider. Fonte: Campus de Bragança

Entrevista do Prof. Horacio Schneider ao Projeto Universidade Multicampi, pelos 25 anos de Interiorização da UFPA, coordenado pela Prof.ª Edilza Fontes, em 2011.

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