quinta-feira, 19 de março de 2015

Hospital Santo Antônio Maria Zaccaria, 60 anos, desde 19.03.1955

Em Bragança, até o ano de 1944 não havia nenhuma maternidade ou hospital na cidade. Em 1945, o coronel Aluízio Ferreira acompanhado do então prefeito, Joaquim Lobão da Silveira, propuseram a dom Eliseu Maria Coroli a criação de uma maternidade a ser construída com auxílios particulares e do Governo ficando, a mesma, de propriedade da então Prelazia do Guamá.

Imagem 1: Maternidade Nsa. Sra. da Divina Providência e Hospital Sto. Antônio Ma. Zaccaria (final da década de 1950).
Fonte: Acervo IBGE.

Com a aceitação do bispo, Aluízio Ferreira doou o terreno e encaminhou a dom Eliseu cem mil cruzeiros, mil sacas de cimento para a construção e comprometeu-se a angariar outras ofertas para a obra.
No início do ano de 1946, o bispo remeteu ao Departamento Nacional da Criança, o projeto da maternidade para aprovação e visando conseguir algum auxílio. No dia do aniversário do presidente da República à época, general Eurico Gaspar Dutra, em 18 de maio de 1946, foi lançada a pedra fundamental da maternidade em homenagem a esse chefe de Estado.
Já em 1948, após reunião com os padres consultores da Prelazia, dom Eliseu explicou que a construção da maternidade seria gradativa, conforme a obtenção de verbas e que o já deputado federal Aluízio Ferreira insistia para que a Prelazia também se encarregue da construção de um hospital. Para isso, o político pleiteou junto ao Governo recursos no orçamento federal para a sua realização.

Imagem 2: Detalhe da fachada do Hospital Sto. Antônio Ma. Zaccaria, em construção (1952).
Fonte: Acervo pessoal.

Eliseu escreveu então um ofício ao Ministério da Educação e Saúde, confirmando o compromisso de construir em Bragança um hospital com vinte e oito leitos, segundo o que recomendava o ministério, porém com o auxílio anteriormente ofertado pelo Governo Federal. Ainda nesse mesmo ano, o contrato para liberação de recursos e construção do prédio foi assinado por Aluízio Ferreira, no ministério, de acordo com o que ele mesmo solicitou.
A Prelazia se comprometeu em prestar contas da aplicação da verba recebida com a apresentação regular de relatórios e documentos. Em janeiro de 1952, as obras foram paralisadas devido ao corte de parte dos auxílios federais referentes ao ano anterior.
Mediante a crise econômica vigente, os padres consultores concordaram em colocar em funcionamento os dois prédios destinados à área de saúde sob os cuidados das recém organizadas Irmãs Missionárias de Santa Teresinha, de forma provisória, sem contrato ou pagamento algum.

Imagem 3:  Hospital Sto. Antônio Ma. Zaccaria, em construção (1952).
Fonte: Acervo pessoal.

Em julho de 1952, dom Eliseu enviou a Belém para treinamento de enfermagem as irmãs Ângela Rigamonti (prima de dom Miguel Maria Giambelli), Amélia Torres e a postulante Antônia Albuquerque. Em seu retorno, em outubro de 1952 e mesmo precariamente, iniciaram os trabalhos da Maternidade Nossa Senhora da Divina Providência, com a parturiente Jarina Fonseca sendo a primeira mulher a dar à luz o seu primeiro filho, que recebeu o nome de Antônio Maria, em homenagem a Santo Antônio Maria Zaccaria, patrono do hospital e fundador dos barnabitas (como são conhecidos os Clérigos Regulares de São Paulo/CRSP).
Mas somente em 06 de novembro de 1952, foram inaugurados a Maternidade e o Hospital, com o objetivo de trabalhar com a saúde em uma área desprovida desses recursos. O primeiro médico do hospital foi Pascoal Ponttrandolf, que veio de Belém para trabalhar como clínico e cirurgião, de forma intermitente, sem residir em Bragança. A partir de 1954, o hospital começou a formar o seu quadro clínico residente na cidade. Em 1955, chegaram à cidade três médicos italianos, Caetano Scalese, Mário Lordi e Alberto.

Imagem 4:  Hospital Sto. Antônio Ma. Zaccaria (Anos 2000).
Fonte: Acervo pessoal.

E no dia 19 de março de 1955, dedicado na Igreja Católica a São José, esposo de Maria, foi inaugurado oficialmente o Hospital Santo Antônio Maria Zaccaria, hoje parte das Obras Sociais da Diocese de Bragança, que completa 60 anos em 2015.
Mas somente em 06 de novembro de 1952, foram inaugurados a
E no dia 19 de março de 1955, dedicado na Igreja Católica a São José, esposo de Maria, foi inaugurado oficialmente o Hospital Santo Antônio Maria Zaccaria, hoje parte das Obras Sociais da Diocese de Bragança, que completa 60 anos em 2015.

Imagem 5: Hospital Sto. Antônio Ma. Zaccaria (2015).
Fonte: Acervo pessoal.

sábado, 14 de março de 2015

Camilo José Santos Blanco, in memoriam (*01.11.1976, +13.03.2015)

  
Meu sincero pesar e minhas orações pela partida do meu amigo de muitos anos, desde a infância e a adolescência, o jovem bragantino Camilo José Santos Blanco (*01.11.1976, +13.03.2015), tão prematuramente. Seu falecimento ocorreu ontem, dia 13 de março, em Belém, no Hospital Saúde da Mulher, depois de um luta incansável pela vida, com alegria e sempre esperançoso. Embora tenha partido, seu exemplo de luta ficará com a grata memória e saudade de todos os que conheceram este jovem senhor.
Camilo era de uma personalidade calma, tranquila, sem exageros e extremamente equilibrado. Na vida estudantil – a parte da vida em comum – ele demonstrava zelo e aplicação, obviamente com um esforço salutar para as práticas esportivas. Assim ele conquistava amigos e até apreciadores. Como seu irmão Cássio, ele também era bom de bola. Era sempre um estudante esforçado nos trabalhos em grupo de colégio, junto a tantos de nossos colegas contemporâneos, como o João Mário, a Elielma, o Giovanni, o Rodrigo, a Glaúcia, o Sílvio Alfredo, a Belmira, a Aline, a Karla entre outros, tantos outros, que a memória agora não permite recordar nominalmente.
Desde que eu o conheci ele foi apaixonado por sua esposa, Stela Angélica Brito, com quem acabou se casando e tendo seu filho Gustavo, cercado de amor e carinho. Impressionou-me sempre o amor entre esta família, a dedicação um pelo outro e o carinho esbanjado até mesmo no menor dos gestos.


Ele também era reservado, pouco falava sobre si e sobre a vida, mas sabíamos que ele tinha este viés pessoal, sempre sorridente, simples, humilde e requintado, mas um cavalheiro. Camilo tinha até mesmo no olhar uma mansidão e um equilíbrio que se tornaram marcas de sua vida entre nós. Mas o seu riso era solto, sempre largo e às vezes acanhado.
Testemunho uma parte da imensa vida e trajetória de Camilo Blanco, a quem deixo minhas orações e o desejo de consolo à família, especialmente à sua esposa, Stela Angélica, seu filho Gustavo, seus pais José Augusto e Floraci e seus irmãos Márcio, Cynara e Cássio e todos os seus familiares.
Camilo lutou bravamente, não esmoreceu e sempre confiante espalhou força e resignação. Partiu nesta sexta-feira um grande e jovem senhor, esposo e pai amoroso, filho e irmão dedicado, um amigo leal e alegre, sempre educado e cortês. Além de tudo, depois de um tempo, Camilo voltou-se a Deus, com grande e exemplar fé, sempre orante e piedoso. Isso só aumentou sua esperança e certamente será mais um consolo e apoio a todos aqueles que crêem na ressurreição.
O amor é assim, sempre assim. Às vezes ele se mistura em lágrimas para provar que é intenso. Às vezes ele se disfarça em dor para mostrar-se forte. Às vezes ele se põe finito para demonstrar a sua eternidade. Que o mesmo amor com que Camilo tratou a todos nesta vida possa trazer consolo e paz aos corações de seus familiares e amigos.
Descanse em paz, Camilo Blanco! Um grande abraço.
Do amigo, Dário Benedito Rodrigues e Socorro Rodrigues.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Luto por minha tia: Socorro de Jesus Miranda Rodrigues (*11.02.1966, +21.02.2015)



Minha tia Socorro de Jesus nos deu, neste sábado, a maior lição de sua vida. Após muito sofrimento, ela descansou. Faleceu às 14h30, no Hospital de UNIMED em Belém. E nos deixou esse aprendizado: resignação e luta pela vida, uma gana de viver e uma força maior do que podia, para tentar ganhar uma batalha difícil. Não perdeu a batalha, definitivamente. Ganhou bem mais que isso. Ensinou o amor pela vida. Ensinou o sofrer sem reclamar. Ensinou a compreender e suportar até mesmo aquilo que a estava consumindo.
Aos 49 anos de idade, não tombou um ser humano qualquer. Apenas descansou uma brava guerreira, uma mãe cheia de predicados, uma esposa de muito amor e apego familiar, uma cristã de fibra.
Que sua vida seja sempre exemplo de luta e de fé na vida e nas boas obras. Que sejam consolados os seus familiares, assim como meu tio Paulo Roberto e seu filho João Paulo. Te amo, tia Socorro. Um beijo no teu imenso coração. Teu sobrinho Dário.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Barbadianos no Pará: história e memória. Belém, 30.01 a 01.02.2015


Barbadianos no Pará: história e memória
Belém, de 30 de janeiro a 1º de fevereiro de 2015

Barbadianos no Pará: história e memória é o tema deste encontro que contará com a presença da Embaixadora de Barbados no Brasil, Sra. Yvette Goddard, bem como de sua primeira Secretária, Sra. Resa Andrea Layne, organizado por pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e membros da Catedral de Santa Maria/Diocese Anglicana da Amazônia (DAA/IEAB), da qual fazem parte famílias de descendentes de barbadianos que imigraram para o Pará no começo do século XX.

A história dessa imigração de negros do Caribe para o Pará, quando a cidade de Belém experimentou importantes transformações urbanísticas possibilitadas pelo boom gomífero, coincide com uma das fases de atuação de missionários ingleses e norte-americanos que promoveram o anglicanismo na região amazônica.

Imagem 01: James Christopher de Coursey Burnett e Carlota Alberta Burnett.
Fonte: Acervo de Pesquisa (2013)

Tais temas serão objeto de discussão na sessão que apresentará os resultados de estudos e pesquisas realizados pela Prof.ª Dr.ª Maria Roseane Corrêa Pinto Lima – coordenadora do projeto de pesquisa que viabilizou um acordo de cooperação internacional entre a Universidade Federal do Pará e a University of the West Indies e que resultou em uma tese de doutorado defendida em 2013 – e por Dom Saulo Maurício de Barros, Bispo da Diocese Anglicana da Amazônia, que realizou Pós-Graduação em Ciências da Religião focalizando a atuação missionária anglicana na região e destacou a presença dos barbadianos.

Imagem 02: Pará Anglican Church, frequentada pelos ingleses brancos e pelos west indians.
Fonte: Acervo de Pesquisa (2013)

O evento é uma oportunidade para refletirmos sobre as antigas e ainda presentes ligações entre Barbados e Brasil e as trocas múltiplas e enriquecedoras entre as culturas dos dois países e juntarmos esforços com vistas à cooperação internacional em mão dupla. Igualmente, a visita das representantes da Embaixada de Barbados a Belém muito nos honra, inclusive por direcionar-se para uma aproximação com as famílias de descendentes de barbadianos de longa data estabelecidos na cidade.

Programação

30/01 – Sexta-feira

16h – Recepção às representantes da Embaixada de Barbados
Local: Catedral de Santa Maria/Diocese Anglicana da Amazônia
Av. Serzedelo Corrêa, 514, Batista Campos (em frente ao Cemitério da Soledade).
19h – Visita à família White

31/01 - Sábado

9h – Mesa Redonda: Barbadianos no Pará: entre a história e a memória

Mediador:
- Prof. M.Sc. Dário Benedito Rodrigues (FAHIST, UFPA Campus de Bragança)

Palestrantes:
- Prof.ª Dr.ª Maria Roseane Corrêa Pinto Lima (FAHIST, UFPA Campus de Bragança)
- Dom Saulo Maurício de Barros (DAA/IEAB)
- Prof.ª Karina Barroso da Silva (Mestranda do PPGSA/UFPA)
- SE Sra. Yvette Goddard (Embaixadora de Barbados)
Local: Auditório da Faculdade de Filosofia – Altos do IFCH/Cidade Universitária Prof. José da Silveira Netto/Campus Básico da UFPA)
Rua Augusto Corrêa, 1, Guamá

12h – Almoço
15h – Visita à família Scantlebury
17h – Passeio na orla da cidade

01/02 – Domingo
9h – Celebração na Diocese Anglicana da Amazônia, seguida de almoço

Comissão Organizadora:
Ruth Maria Schwegmann Fielding de Barros - IEAB
Joseane Paula da Silva – IEAB
Mary Joyce White – IEAB
Luiz Alvares – IEAB
Larissa Chermont – UFPA
Maria Roseane Corrêa Pinto Lima – UFPA
Dário Benedito Rodrigues – UFPA

Apoio:
Faculdade de Filosofia UFPA Campus Belém
Faculdade de História UFPA Campus Belém 


quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

De 2014, Bragança sentirá saudades... in memoriam

Entre tantos anônimos, muitos conhecidos, amigos e companheiros de trabalho falecidos em 2014, as famílias e as pessoas de Bragança sentirão muitas saudades de todos. Aqui, alguns pelos quais sentiremos saudades...

Benedito Torres da Silva +02.01.2014
João Alves da Rocha +03.01.2014
Nair Fernandes de Sousa +03.01.2014
Raimundo Fernandes de Oliveira +04.01.2014
Euzébia Baltazar +07.01.2014
Maria da Conceição Pereira de Oliveira +09.01.2014
Clotilde de Paula Aviz Gonçalves, única irmã de minha avó +15.01.2014
Maria Nelci da Cruz Pereira +19.01.2014
Sadala Simão Tuma +26.01.2014
Laura Trindade de Sousa +28.01.2014
Nilde de Oliveira de Sousa +04.02.2014
Joana Monteiro de Aviz +09.02.2014
Antônio Gonçalves Borges +15.02.2014
Ana Clara Miranda da Silva +15.02.2014
Frank Gouveia da Silva +17.02.2014
Ademar Silva do Nascimento +24.02.2014
Antonio Olivar de Oliveira Garcia +01.03.2014
Maria do Socorro da Silva Gonçalves +01.03.2014
Alex Corrêa da Silva +06.03.2014
Raimunda Lourival +09.03.2014
Benedita Pantoja Serejo +13.03.2014
Olzarina Furtado Mescouto, vice-capitoa da Marujada +17.03.2014
Rosa Fernandes Pires +25.03.2014
Raimundo Nonato da Silva +25.03.2014
Claudionor Monteiro Muniz +27.03.2014
Carlos Augusto Mota da Silva +29.03.2014
Ir. Clara Alves Costa +02.04.2014
Miguel Teodoro Machado +04.04.2014
Raimundo Mariano de Aviz Rodrigues, meu tio +05.04.2014
Maria Romana Oliveira de Aviz +10.04.2014
José Ribamar da Silva +11.04.2014
Josefa Cunha da Costa +11.04.2014
João Araújo do Rosário +21.04.2014
Manoel Vitoriano Quadros +24.04.2014
Amélia Braga Ribeiro +28.04.2014
Domingas Ferreira de Brito +28.04.2014
Ir. Luzia Bezerra de Andrade +02.05.2014
Arlinda Neves Ribeiro +03.05.2014
Maria da Conceição Ribeiro Tavares +06.05.2014
Romano Carvalho de Ataíde +07.05.2014
Antonia da Costa Melo +08.05.2014
Osmarina Modesto Pereira +08.05.2014
Raimundo da Silva Rosário +09.05.2014
Neuza da Silva Nascimento +16.05.2014
José Euzébio Matos +17.05.2014
José Maria Raiol +18.05.2014
José Maria Rodrigues Mendes +23.05.2014
Norberto Soares Caxias +23.05.2014
Luiz Brito da Silva +24.05.2014
Pedro Vinícius Ferreira da Silva +25.05.2014
Crispiano Vitoriano Costa +09.06.2014
Edinaldo Santana do Rosário +09.06.2014
Fábio Ribamar Rocha Pinheiro +17.06.2014
Pablício Antônio Braga Borges +24.06.2014
Williams Macêdo Rodrigues Júnior, amigo e ex-companheiro LEO +24.06.2014
Rosa Oliveira de Sousa +13.07.2014
Aracilda Corrêa, capitoa da Marujada +02.08.2014
Josefa Oliveira da Trindade +10.08.2014
Leida Isabel de Souza Belém, amiga e vizinha +19.08.2014
Haidee da Costa Corecha +11.09.2014
Olgarina Monteiro da Silva +13.09.2014
Raimundo Queiroz Filho +15.09.2014
Helena Antonia de Sousa +18.09.2014
João Edson Neris de Sousa +18.09.2014
Lindalva Campos Gonçalves +21.09.2014
Mário Francisco Monteiro +26.09.2014
Odete de Abreu Monteiro +01.10.2014
Maria Helena de Sousa +03.10.2014
Daniel Monteiro da Silva +12.10.2014
Teodoro Ribeiro Fernandes, capitão da Marujada +13.10.2014
Gilmar Cosme dos Santos, amigo e decorador +15.10.2014
José Ozéias Oliveira +21.10.2014
Benedito Belém Almeida +22.10.2014
Manoel Gregório Dias da Silva +29.10.2014
Maria Edite Alcântara Pereira +30.10.2014
Luciano Andrade +30.10.2014
Manoel do Espírito Santo Ribeiro de Mescouto +05.11.2014
Osório Vieira de M. Pereira +05.11.2014
Alice Monteiro do Rosário +17.11.2014
Casemiro Soares Padilha +19.11.2014
Regina Coeli Amaral da Silva +30.11.2014
Maria das Neves Alfonso dos Santos +01.12.2014
Edgar Soares de Assunção +24.12.2014

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

"Ladainha", por Piúca e Wanderil

LADAINHA
Emílio Carlos “Piúca” e Wanderil

Com seu guarda-sol e fitas,
Seus cantadores cantando,
Há tambores nas estradas
São Benedito vem chegando...

Mulher corre no quintal
Pega e mata uma galinha
Faz jantar pro pessoal
Que a noite tem ladainha...

Mãos calosas nos tambores
Vozes roucas na harmonia,
Ladainha improvisada
Reza sem Ave-Maria.

Oh! Senhor, meu São Benedito
Nos dê sua proteção
Abençoe a nossa família
E nos livre da aflição.

Nos livre de todo o mal
Que essa nova vida tem
Para que se encontre a paz
Na Glória de Deus Amém

Desafina o contracanto
E acha encanto pra cantar
Essa reza que é um pranto
Esse canto que é rezar.

Festa de São Benedito
Vai de dezoito a vinte e seis...
Mas, realmente, só termina
Quando é dia de reis.

A tarde tem procissão,
Na frente a cavalhada
E a noite no barracão
Há dança da marujada...

Saias longas bem rodadas...
Calças brancas e chapéus...
Eles cantam em homenagem
Ao seu Santo lá no céu...

Ao batuque dos tambores
E acordes de violino,
Eles cantam seus louvores
Para o seu santo “Divino”...

Oh! Senhor, meu São Benedito
Nos dê sua proteção
Abençoe a nossa família
E nos livre da aflição.

Nos livre de todo o mal
Que essa nova vida tem
Para que se encontre a paz
Na Glória de Deus Amém

Fonte: ANTOLOGIA DA MARUJADA. Cadernos IAP, 9.
Organização de Valentino Dolzane do Couto.
Belém: Instituto de Artes do Pará, 2000. pp. 142-143.

Foto: Acervo pessoal (dez/2010)

O que você acha? Uma pesquisa sobre a gestão municipal de Bragança

Avaliações sempre podem ajudar a melhorar, quando bem utilizadas para uma importante observação do sentimento popular.
Proponho uma enquete de avaliação da gestão municipal após dois anos, num momento em que se anunciam de forma grandiosa alguns manifestos contrários e um grande contingente de pessoas demonstram alto grau de insatisfação com o governo de Pe. Nelson Magalhães (do PT) em Bragança.
Se possível e dentro da sua disponibilidade, faça a avaliação abaixo e após a sua ponderação desses sete pontos, vote na enquete do blog (à direita) até o dia 10 de janeiro próximo.
      
1) Avalie a imagem do governo
2) Avalie a satisfação com os diversos serviços públicos e o impacto no cotidiano dos cidadãos, na vida da cidade, bairros e localidades de forma geral.
3) Avalie a qualidade de vida em Bragança.
4) Avalie a atuação da administração municipal de Bragança.
5) Avalie a atuação do prefeito municipal.
6) Avalie o rumo político da cidade.
7) Avalie seu grau de confiança na administração municipal.

Se quiser manifestar sua opinião, você pode também comentar a postagem no blog ou enviar sua opinião (autorizando a publicação) para o e-mail dariobenedito@ymail.com.
Essa pesquisa só tem por objetivo colher uma opinião (e não a opinião!) sobre a gestão municipal, para fins de entender cenários e propor alguns temas para o debate e discussões em âmbito municipal.
Gentilmente, peço a sua participação. Obrigado desde já.


Prof. Dário Benedito Rodrigues

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Bragança e a Marujada em luto: aos 101 anos, faleceu o Capitão Teodoro Fernandes

Com imenso pesar, registro o falecimento do Capitão da Marujada de São Benedito, o Sr. Teodoro Ribeiro Fernandes, de 101 anos, ocorrido hoje, 13 de outubro de 2014, às 13h., de complicações da saúde e pela idade.
Teodoro Fernandes nasceu em 14 de outubro de 1913 e completou 100 anos no ano passado. De família humilde, Teodoro era o atual Capitão da bicentenária Marujada de São Benedito de Bragança há mais de 45 anos, segundo relatos de sua memória em entrevista colhida em 2011.
Um exemplo de mestre da cultura popular bragantina e beneditina, sempre disciplinado, bom marujo e uma pessoa simples e com muita vitalidade e lucidez. Sempre sorridente e satisfação, fazia questão de participar das festas em honra ao padroeiro popular de Bragança, acolhendo a todos ao seu redor, com muito respeito e amizade. Fez parte inclusive das Comitivas de Esmolação de São Benedito, na Região dos Campos, como um dos encarregados de levar a devoção a São Benedito aos mais diversos recônditos da região campesina de Bragança.
Na hierarquia da Marujada, com o espaço feminino demarcado pela presença de marujas, a figura masculina é de acompanhante em todos os eventos da festividade beneditina. No caso, a autoridade sobre a disciplina e organização dos marujos é exercida pelo Capitão, de cargo e função vitalícia conforme a tradição repassada desde os primórdios da irmandade beneditina. Ao lado da Capitoa, é o Capitão quem abre e encerra as mais importantes coreografias da Marujada, como o retumbão e o chorado, por exemplo.
O velório do Capitão Teodoro Fernandes será realizado em sua residência, na Av. Santos Dumont, próxima à Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, durante toda a tarde e noite de hoje. E amanhã, pela manhã, a Marujada em luto e vestindo azul acompanhará o seu sepultamento.
Hoje é mais um daqueles dias em que sentimos a perda e entramos em luto cultural e social em Bragança, pela partida de um dos mais insignes representantes da cultura popular e beneditina. Assim, perpetua-se, agora na memória, um dos patrimônios vivos da cidade de Bragança e de seu cidadão mais importante: São Benedito.

sábado, 11 de outubro de 2014

Marias de fé (Reinaldo Vidal, 2014)

É tempo de Círio
Madrugadas quietas
Café com silêncio
Pés já descalços
Bem cedo caminha
Momento divino
Luz já é dia
Oh! mãe Nazaré!
e as Marias de fé

A corda que espera
Um manto de gentes
Corrente de braços
Com elos que sente
Cantos felizes
À mãe peregrina
Mãe que nos guia
Oh! mãe Nazaré!
e as Marias de fé

Banhada de luz
Romeiras da Sé
Milagres com curas
Andança sagradas
Mãe dos milagres
Suor romaria
Da virgem Maria
Oh! Mãe Nazaré!
e as Marias de fé

O encanto que segue
Firmes em pé
Promessa cumprida
Alma lavada
De volta pra casa
Almoço sagrado
Tudo em família
Oh! mãe Nazaré!

E as Marias de fé

Foto: Basílica de Nazaré (2013)