quarta-feira, 27 de junho de 2012
Diocese de Bragança (Pará) lança o Ano Mariano 2012-2015
sábado, 19 de março de 2011
Leia e reflita sobre o tema da Campanha da Fraternidade 2011
Tema: Fraternidade e Vida no Planeta
Lema: “A criação geme em dores de parto” (Rm 8,22)
1 – Uma Campanha da Fraternidade na Quaresma
No próximo dia 9 de março, Quarta-feira de Cinzas, a Igreja Católica
2 – CARTAZ DA CF-2011
O Cartaz da CF-2011 está composto por uma arte em dois planos: uma fábrica ao fundo e no alto, com suas chaminés lançando fumaça na atmosfera, polui e degrada o ambiente; a água do rio que está mais abaixo está escura e suja, visivelmente devastada; uma mureta separa os dois planos do cartaz: o plano inferior e mais vivo mostra uma pequena árvore com suas raízes coladas na mureta, ao lado de outra árvore mais verde dá o exemplo de resistência às devastações e denuncia que a criação geme em dores de parto (Rm 8,22). A borboleta mostra que ainda existe esperança, mesmo com vida curta, cumpre seu importante papel no ciclo natural do planeta.
3 – JUSTIFICATIVA DA ESCOLHA DO TEMA
A perspectiva da escolha do tema da Campanha da Fraternidade (feita há dois anos atrás pelo CONSEP – Conselho Episcopal de Pastoral – CNBB) situou-se na percepção das mudanças climáticas e do aquecimento global. O tempo está mudando: segundo dados do IPCC (Programa Intergovernamental de Mudanças Climáticas, da ONU – 1988), de 1750 até 2005 a temperatura média do planeta subiu de 2º C. Caso não haja alteração no avanço da emissão de dióxido de carbono na atmosfera, subirá até 4º C até 2050. Em geral, parece pouco, mas foi o suficiente para: derreter geleiras antárticas, desertificar grandes áreas, alagar com enchentes, chuvas mais intensas e ácidas, elevação dos níveis do oceano com avanço da água sobre o território, muito calor, migrantes do clima (hoje 700 milhões no planeta), savanização de grandes partes da Amazônia.
As causas destas alterações não são simplesmente de ordem natural; resultam de ações humanas sobre os recursos naturais. A biodiversidade está se modificando: florestas sendo queimadas, muito petróleo em combustão, gás metano usado em larga escala, A atmosfera está comprometida com os gases que produzem o efeito estufa.
Os raios solares (infravermelhos – que produzem calor – e ultravioletas que produzem irradiação) não atingem em 100% a superfície da terra; 40% é refletida e volta ao espaço; a outra parte é absorvida e refletida também. A atmosfera, com o gás ozônio e outros gazes como dióxido de carbono, óxido nitroso, clorofluorcarmonetos, e partículas de água, absorve o calor do raios infravermelhos e produz um calor que, em excesso, altera os biomas terrenos.
Causas antrópicas definem estes fenômenos: a cosmovisão moderna vê o homem centrado em si mesmo e separado da natureza. A ciência moderna neutraliza a vida e relativiza o seu valor, reduzindo-a à matéria utilizável para demonstrações empíricas.
As agressões ao meio ambiente vão da produção de lixo descartado na natureza até à produção de gases venenosos e de longa duração no meio ambiente. Estão em crise as condições de vida para a biodiversidade no planeta! O momento de agir é agora. Adiar medidas e decisões significa tornar as condições de vida ainda mais comprometedoras.
4 – EFEITO ESTUFA E AQUECIMENTO GLOBAL
O fenômeno do aquecimento global se dá por causas naturais e, em maior escala, pelas atividades do processo de industrialização. A emissão de Dióxido de Carbono, Óxido Nitroso, Gás Metano, dentre outros, tem causado o efeito estufa e aquecido a temperatura no planeta, influenciando de modo determinante nos ecossistemas marinhos, atmosféricos, geográficos e com marcas na fauna e na flora, sobretudo na produção de alimentos e de condições para a vida humana, vegetal e animal saudável.
O equilíbrio da simbiose entre árvores e homens assegura a produção do dióxido de carbono em níveis suficientes e necessários para o benéfico efeito estufa; todavia, a emissão feita de dióxido de carbono pelas queimadas, pela combustão de petróleo e do óxido nitroso feito pelos gases usados nas fertilizações no agronegócio: tudo isso aumenta a temperatura pelo efeito de estufa que eles causam, pela quantidade de absorção de calor dos raios infravermelhos do sol.
5 – ATIVIDADES HUMANAS QUE MAIS EMITEM GAZES DE EFEITO ESTUFA
Destes gases, 80% são emitidos pelas matrizes energéticas: a combustão de petróleo e seus derivados, de queimadas de florestas e de gazes metanos. A cadeia de produção de energia atômica e agro-energias (pró-álcool), bem como das hidrelétricas, produzem impactos ambientais que aumentam o efeito estufa.
Outros fatores: desmatamentos, concentrações humanas, número de reses (gado) no planeta (1 cabeça de gado para 4 pessoas = quase 2 bilhões de cabeças de gado no mundo), a industrialização dos alimentos (antecipação de amadurecimentos de animais e vegetais), a manufatura de elementos químicos para conservação de alimentos e temperos, bem como a produção de bebidas; a produção de sprays… o uso abusivo de elementos químicos na extração de minérios e do petróleo, bem como na produção de energia, a construção de hidrelétricas (com grandes áreas de alagamentos – produtoras de metano liberado pelas espécies fossilizadas), a emissão de ácido sulfúrico e de dióxido de enxofre das erupções vulcânicas.
6 – QUESTÃO POLITIZADA
Há outras teorias que explicam o fenômeno do aquecimento global: processo natural que ocorre com o sol (grande máximo ou grande mínimo – períodos de aquecimento e resfriamento naturais da terra em virtude das explosões solares) que com a mudança axial do eixo da terra em sua rotação… Há interesses antagônicos de quem defenda esta teoria em confronto de quem procura explicar o aquecimento global com a emissão de gases de efeito estufa. Quem produz a problemática tem interesse nela pelos lucros que ela lhe permite obter, e tem como se defender dos efeitos da problemática do aquecimento global. Quem sofre os efeitos do fenômeno não tem como se defender e olha para a questão sob a ótica da fé e da honestidade com a lei natural e divina.
7 – MATRIZES ENERGÉTICAS POLUENTES E NÃO-POLUENTES
As matrizes energéticas que mais poluem a atmosfera e emitem mais gases de efeito estufa são as que a queimam combustíveis fósseis, gazes e a floresta. Precisaria contrapor a estas matrizes as que não poluem: energia eólica (do vento), solar (captação dos raios solares), geotérmica (calor das camadas interiores da terra); oceânica (energia captada da força das ondas marinhas e marés); hidrelétrica (captada da força do curso dos rios e represa); biomassa (combustão do bagaço da cana).
8 – JULGAR A REALIDADE A PARTIR DA PALAVRA E DA MENTALIDADE DO CRIADOR DO COSMOS
Nosso Deus é o Deus da vida! A Bíblia é iniciada pela vitória de Deus sobre o caos, criando e organizando tudo em vista do bem. Ele mesmo dá a medida da visão de cada coisa: Ele viu que tudo era bom!
A ordem de submeter a terra e dominá-la, sugere cultivo, ânimo, harmonia de convivência. A dominação que tem explorado os recursos naturais até seu exaurimento revela a distorção do plano divino de felicidade e glória.
No Livro do Deuteronômio 20,19 – cuidar das árvores, mesmo em situação de guerra e de sítio ao inimigo (ecologia no Antigo Testamento). Dt 23,3-14 – fazer fossas (esgoto e saneamento); Is 10,14 – critica o domínio assírio, denunciando a devastação da terra e das pessoas.
Tudo o que desumaniza as pessoas e o meio ambiente se opõe a Deus e seu desígnio de amor. Torna-se pecado por matar a vida, e a motivação maior é a da valorização da mercadoria e do ganho.
O Shabbat, o Sábado, é o dia de descanso da pessoa. Na Lei de Javé, a posse e uso da terra ganhava repouso no ano sabático ou do Jubileu, a cada 49 anos, um era de repouso e devolução ao dono original. O verdadeiro dono da terra continua sendo Deus. As tentações a que Jesus foi submetido revelam o uso de Deus para a supervalorização do que não precisa ter tanto valor: comida, o prestígio e o prazer e poder (político ou religioso).
As atitudes que se contrapõem à Lei de Deus devem ser rejeitadas pelo cristão, denunciadas e combatidas.
O Sábio reza: concede-me apenas minha porção de alimento, para que – saciado – eu não tenha que me esquecer de Ti, Senhor (Provérbios 30,7-9). Voltar ao essencial, ao suficiente, com sacrifícios, é cada vez mais o ideal que se vislumbra.
9 – JUÍZO QUE VEM DA MISSÃO EVANGELIZADORA DA IGREJA
O valor da vida no planeta é tal e se impõe de modo que países europeus estão tendo que reformular sua economia e organização social: a força de trabalho da juventude local não existe mais como antes; a população envelhece; aumenta a migração com substituição dos europeus pelos migrantes até em cargos políticos. Tudo isso, associado à crise econômica que se agrava pelos países europeus, preocupa a todos.
A Igreja,
No Brasil, Bispos da CNBB e as Comunidades de todas as nossas Dioceses, bem como os homens de boa vontade e senso ecológico constituem a Sociedade organizada que grita pela natureza agonizante: um S.O.S. para que o Planeta seja respeitado e consiga garantir as condições de vida para todos. Enquanto não houver uma reforma dos costumes e das políticas ecológicas nas pessoas e nos grupos, nos governos e nas empresas, a Terra vai continuar produzindo efeitos auto-defensivos, hostis à humanidade, como os que ultimamente tem se tornado apenas um alerta do quanto mais poderá acontecer.
10 – AGIR EM COMUNHÃO
Os grupos de defesa ao meio ambiente e as organizações governamentais precisam construir uma agenda comum. Não basta que cada um faça se conforme em fazer sua parte, por vezes desvinculada do apoio dos demais. A ação reconciliadora com a mãe terra há de ser familiar, de homens e mulheres unidos em vista do mesmo ideal: para que a terra e a humanidade pare de gemer, ou mesmo que os gemidos atuais sejam ouvidos para que uma nova realidade surja quando cessarem as agressões violentas contra a natureza criada.
Belo Monte e outras obras do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, a transposição do Rio São Francisco, mas também as práticas de desmatamento para garantir o pasto para o gado, e a terra para o cultivo de monoculturas (soja, milho, etc.), são ações a serem normatizadas com rigorosa fiscalização governamental, e incentivo para a justa distribuição das riquezas e recursos da produção para os mais pobres. As desigualdades sociais e econômicas, corroboradas pela inércia culposa do sistema político, egocêntrico em nosso país, contribuem para a geração destas catástrofes naturais cuja causa antrópica é bem mais cínica e interesseira do que se critica e publica.
Ou todos se convertem para ouvir este grito de Cristo que fala pela Obra criada pelo Pai para o bem dos homens, comprometendo-se seriamente em acordos a todos os níveis, ou estes mesmos homens serão as vítimas da escalada dos desastres reveladores da rebelião da obra criada, que se defende das agressões daqueles que deveriam ser os seus fiéis e sábios administradores e beneficiários – os homens e mulheres a quem Deus entregou a terra para que a dominassem para torná-la um berço de vida!
Belém, 6 de Março de 2011.
Pe. Aldo Fernandes
Diretor do Instituto de Pastoral Regional
CNBB-IPAR (Belém do Pará)
Fonte: Site da Diocese de Bragança/PA
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Imagens dos funerais de Dom Miguel Maria Giambelli








P.S.: Publicação com autorização expressa de Dom Luís Ferrando, Bispo Diocesano de Bragança/PA ao blog do Prof. Dário Benedito Rodrigues.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Dies Natalis (dia do nascimento para a Vida Eterna) de Dom Miguel Maria Giambelli, por Pe. Aldo Fernandes
“Viver pra mim é Cristo e morrer é lucro” (Filipenses 1,21)
Hoje, 26 de dezembro de 2010, Festa da Sagrada Família, um dia após o Natal do Senhor, Dom Miguel Maria Giambelli, bispo emérito da Diocese de Bragança, foi chamado de volta à Casa do Pai.
Aos 90 anos, Dom Miguel faleceu às 8h da manhã, em virtude de parada cardio-respiratória, no seu amado Hospital Santo Antônio Maria Zaccaria, onde viveu como Bispo emérito por quase 15 anos, em generosa e edificante dedicação aos doentes, visitados leito a leito diariamente, recebendo consolação, perdão, Unção e especialmente a Eucaristia, num trabalho silencioso e digno de louvor no anúncio do Evangelho de Cristo Redentor.
Nascido na cidade italiana de Flero, a 23 de março de 1920, e ordenado padre barnabita a 4 de julho de 1943, o Pe. Miguel Maria Giambelli veio ao Brasil como missionário ainda muito jovem, para compor a equipe de missionários que assumiu a recém criada Prelazia do Guamá, confiada pelo Papa à Congregação dos Clérigos Regulares de São Paulo (Barnabitas). Assumiu os cargos de Vigário da Basílica de Nazaré, em Belém, e Vigário Geral da Prelazia do Guamá.
Capitaneado pelo grande Bispo Missionário, Dom Eliseu Maria Coroli, juntamente com seus confrades barnabitas, Pe. Miguel Giambelli foi o coordenador das atividades pastorais que, aos poucos, geravam a futura Diocese de Bragança.
Homem de ampla cultura, organizador nato, de firme caráter e excelente doutrina, zeloso em seu ministério sacerdotal, Pe. Miguel foi se destacando no que empreendia: Santas Missões Eucarísticas, organização das pequenas comunidades, colocação dos radio-postos para a transmissão radiofônica da Missa e da Catequese aos longínquos pontos da Prelazia, a promoção vocacional das Irmãs Missionárias de Santa Teresinha e dos futuros sacerdotes barnabitas e diocesanos, o Seminário Santo Alexandre Sauli, a implantação do Sistema Educativo Radiofônico de Bragança – SERB, novas paróquias, projetos de desenvolvimento de cooperativas e formação de lideranças comunitárias, publicação de Catecismos da Iniciação Cristã, Catecumenato Apologético e Orientações Pastorais de Lideranças Comunitárias, além de Assembléias Pastorais e freqüentes visitas às Paróquias, tudo feito em cooperação com Religiosas e Leigos por ele bem orientados.
Tornando-se Dom Eliseu bispo prelado emérito, a partir de 1977, Pe. Miguel foi designado pelo Papa como Administrador Apostólico da Prelazia do Guamá, no imediato advento de sua elevação à condição de Diocese.
A 15 de junho de 1980, o Papa João Paulo II elevou a Prelazia do Guamá à condição de Diocese de Bragança, nomeando Pe. Miguel Maria Giambelli como seu primeiro Bispo Diocesano. Com o lema episcopal in Spiritu Sancto (No Espírito Santo), por 16 anos (1980-1996), Dom Miguel desempenhou seu ministério episcopal com ardor missionário, fidelidade a Cristo e à Igreja, podendo já ver os frutos do seu trabalho: o Seminário Paulo VI, do qual surgiram aos poucos seus mais de 30 sacerdotes diocesanos ordenados por ele, a construção do Centro Pastoral Guadalupe e a implantação da Escola de Formação de Animadores Comunitários - EFAC, crescimento de novas paróquias, chegada de novas Congregações Religiosas femininas e masculinas, padres Fidei Donum (Dom da Fé), oriundos das Dioceses italianas de Brescia, Piacenza, e da diocese brasileira de Bragança Paulista, além de Leigos e Leigas Missionários. Coube a ele também os preparativos do Processo de Beatificação do seu predecessor, Dom Eliseu Maria Coroli.
Concluído o seu fecundo período de governo pastoral na Diocese de Bragança, Dom Miguel escolheu de morar e trabalhar no Hospital Santo Antônio Maria Zaccaria, em Bragança, e assumiu outra fecunda e exemplar modalidade de vida pastoral: oração, visita e assistência espiritual e pastoral aos doentes, publicações de panfletos evangelizadores para a formação dos funcionários e todos os que freqüentavam as Missas por ele celebradas diariamente na Capela do Hospital.
Durante o período no Hospital, Dom Miguel viveu pobremente, nada exigindo para seu conforto, acolhendo aos inúmeros fiéis que o procuravam sobretudo para celebrar a Reconciliação e ouvir seus conselhos, confiado inteiramente às mãos da Mãe da Divina Providência, a quem se devotou como religioso barnabita, num alegre convívio com as Religiosas, os Médicos, Enfermeiros e demais Funcionários do Hospital Santo Antônio, que tanto o apreciavam, como ele mesmo se intitulava: o amigo dos doentes”. Ele mesmo justificou esta sua opção de vida: desde o meu primeiro dia aqui no hospital, o empenho que assumi foi o de visitar cotidianamente todos os doentes. Isto que eu tento fazer com meus pobres irmãos, e particularmente com os analfabetos na fé; é procurar convencê-los quanto Deus lhes ama e quanto Ele quer ajudá-los para aliviar seu sofrimento. E encher seus corações de santa alegria, mas depende deles permitirem que Deus atue como Pai e Salvador.
Após completar 90 anos de vida, e já debilitado pelas doenças vasculares, Dom Miguel sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) no dia 19 de novembro de 2010, sendo internado no Hospital Santo Antônio. Evoluindo para pior, Dom Miguel veio a falecer por parada cardio-respiratória a 26 de dezembro de 2010, às 8h da manhã. O corpo de Dom Miguel será sepultado na capela mortuária dos Bispos, que está na parte posterior do altar-mor da Catedral de Nossa Senhora do Rosário, em Bragança, ao lado do túmulo do Servo de Deus, Dom Eliseu Maria Coroli, aberta à visita dos fiéis.
Os Bispos do Regional Norte II da CNBB, a Diocese de Bragança, na pessoa seu atual Bispo Diocesano, Dom Luís Ferrando, sucessor de Dom Miguel, a Congregação dos Barnabitas, os Sacerdotes, Diáconos, Religiosos, Religiosas, e todos os demais Fiéis Leigos e Leigas que o conheceram ou com ele conviveram, elevam a sua gratidão ao Pai Celestial (como carinhosamente costumava chamar a Deus Pai), a Cristo Jesus – de quem Dom Miguel foi o arauto em terras bragantinas, ao Espírito Santo, a quem ele levou tantos a se converter e viver de vida espiritual dedicada: exemplo de vida pastoral como religioso, sacerdote e bispo, todos nós temos muito a aprender de sua fidelidade a Cristo e à Igreja e agradecer pelo bem que nos fez. Do Céu, após ter vivido para Cristo e ter a morte por lucro, Dom Miguel interceda por seus filhos que o pranteiam, enquanto peregrinam a caminho do Reino Eterno de Cristo Jesus.
Pe. Aldo Fernandes
Secretário Diocesano / CNBB - Regional Norte II
Fonte:
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Entrevista com o Pe. Aldo Fernandes sobre a relíquia de São Benedito há sete anos em Bragança
Hoje os bragantinos de fé devem festejar. Há sete anos, numa tarde de 19 de julho de 2003, foi entronizada solenemente em nossa pequena Igreja de São Benedito, uma relíquia de um dos santos católicos de maior devoção registrada: o próprio São Benedito.
Conversei por e-mail com o Padre Aldo Fernandes da Rocha, que na época era o Vigário da Catedral de Nossa Senhora do Rosário (Sé Diocesana de Bragança) e que teve o privilégio de nos deixar esse grande presente, como bragantino, como sacerdote e como um estudioso interessado na fé e cultura, além de manter o elo de amizade, com a nossa Bragança, a nossa benquerença. Atualmente, Pe. Aldo Fernandes é pároco em Rondon do Pará, na Paróquia de Nossa Senhora Aparecida e me deu a seguinte entrevista.
Prof. Dário: Acordo hoje com a perspectiva de publicar uma postagem no meu blog sobre a entronização da Relíquia de São Benedito em 19 de julho de 2003, trazida pelo senhor da Itália. Gostaria de ter uma entrevista sua sobre esse assunto. Se o senhor puder responder, eu publico hoje ainda.
Pe. Aldo: Oi, Dário - "Fazei tudo o que Ele vos disser" (Jo 2,5). Fiquei positivamente surpreendido com a memória do sétimo ano passado desde que a Relíquia de nosso querido São Benedito foi entronizada na sua Igreja

Pe. Aldo: Desde 1996, quando já pároco na Catedral, e nomeado por Dom Luís como Notário no Tribunal Diocesano da Causa de Canonização de Dom Eliseu, comecei a me interessar de todos os assuntos relativos às causas, aos santos, ao relacionamento da fé das pessoas com os Servos de Deus, Veneráveis, Beatos e Santos. Começava a perceber que nossa gente simples tem uma fé dinamizada pelos olhos e pelos ouvidos, pelos sentidos e sentimentos. Ora, a relíquia é um "pedacinho", um sacramental da Pessoa venerada e amada do Padroeiro, do Santo ou Santa. Por conseguinte, todos os devotos que vão ao Círio de Nazaré, querem olhar a Imagem de Nossa Senhora e ficam satisfeitos se "vêem a Santa passar", ou se vêem e podem se aproximar e tocar, ao menos, na fita amarrada na imagem de Nossa Senhora. Tocar, sentir, olhar, chorar, erguer os braços, gritar, cantar, louvar, ajoelhar-se, tirar os calçados, vestir uma roupa que expresse o propósito de oração ou promessa de vida, são elementos místicos da Fé da nossa gente simples. E isso é dom do Espírito, sem o qual não conhecemos a Deus e suas marcas deixadas entre nós. Sendo que iria à Itália, fiz o propósito de conseguir licença dos Franciscanos, com as devidas permissões canônicas da Igreja e do nosso Bispo, para trazer a Bragança a Relíquia de São Benedito para aumento, alegria e satisfação da Fé dos Fiéis devotos de São Benedito.
Prof. Dário: Qual foi o passo-a-passo dos contatos com os Franciscanos?
Pe. Aldo: Tudo simples, como o próprio São Benedito. Estando em Roma para estudar na Congregação das Causas dos Santos, em contato cotidiano no Vaticano com vários Religiosos, mas, sobretudo auxiliado pelo bondoso Pe. Francisco Maria Riboldi, barnabita, Postulador Geral da Causa de Canonização de Dom Eliseu na época, pude solicitar do Vicariato de Roma a tão desejada Relíquia. E a obtivemos pela materna bondade de nossa Igreja e pela intercessão de São Benedito, a quem também eu pedi esta graça e lhe confiei esta tarefa para o bem espiritual o Povo Bragantino!
Prof. Dário: Como foi o processo de retirada da relíquia dos restos mortais de São Benedito?
Pe. Aldo: Cada relíquia representa uma parte do corpo, dos restos mortais ou mesmo de algum objeto, adorno ou roupa usados pelo Santo ou que tenha tocado nele. Ora, de São Benedito, por estar muito distante no tempo (ele viveu no século XVI) e por se tratar de relíquias bastante raras, o Vicariato de Roma possui certa quantidade e qualidade de Relíquias destes Santos. Graças a Deus, foi possível conseguir esta que temos em Bragança do Pará.
Prof. Dário: Qual a sua alegria em poder dar de presente à Bragança algo tão extraordinário?
Pe. Aldo: De fato, a alegria experimentada ao conseguir e trazer a Bragança a Relíquia de São Benedito foi grande! Maior ainda foi a alegria de ver os Fiéis devotando para com ela tamanho apreço, como se tocassem no próprio São Benedito! Creio que este sacramental da nossa Fé cumpre em Bragança sua tarefa: afervora as pessoas devotas e as conduz ao encontro com Jesus Cristo, vivo, ressuscitado
Prof. Dário: Qual o significado das relíquias para a tradição e fé católicas?
Pe. Aldo: A relíquia serve como memória da presença do Servo fiel a Cristo! Todos nós precisamos de relíquias, de sinais, de sacramentais e dos Sacramentos! Cristo é o Sacramento do Pai, a Igreja é Sacramento de Cristo, nós somos os sacramentais da Igreja e de Cristo, como células vivas do Seu Corpo Místico no mundo. A Eucaristia é o "Sacramentum Caritatis", o maior sinal e Sacramento da Caridade, do amor salvífico de Jesus por nós! As relíquias são sinais sacramentais da vitória de Cristo, cuja santidade se reflete e resplandece na face, na vida, nos atos e no martírio dos seus santos. São sinais da sua presença amiga, fraterna e constante, intercedendo por nós junto do Pai e canal de encontro com o Senhor na vida empolgante dos seus heróis, que combateram o com combate, completam sua carreira e guardaram a Fé em Cristo no meio do mundo (cf. 2Tm 4,6-8)! Analogamente, como em Cristo, por Cristo
Prof. Dário: Que mensagem você deixa para os bragantinos, hoje, sete anos após a entronização da relíquia de São Benedito?
Pe. Aldo: Como Discípulo Missionário de Jesus Cristo, convido meus conterrâneos bragantinos e a todos os devotos de São Benedito a percorrer o mesmo caminho da docilidade da Fé e da Comunhão com nossa Igreja que São Benedito percorreu. Ele quis seguir, amar, escutar a voz de Cristo e de Cristo e para o Evangelho de Cristo viver plena e radicalmente. Para isso, se fez frade franciscano, seguindo o "Pobrezinho de Assis", São Francisco de Assis, que quis imitar Jesus, na medida da Graça, suplicada e obtida do Senhor. Certamente, o caminho de santidade é diferente para cada um de nós. Nem tem porque ser igual. Mas imutáveis são os meios e os fins: é Cristo o princípio e o fim de nossa meta de vida, de nossa santidade cristã! É a Igreja Católica nossa mãe, Corpo de Cristo que é composto por cada um de nós como célula viva e vivificada pelo Espírito e pela Palavra de Cristo, que tem Palavras de Vida Eterna! É a Caridade solícita e atenta que nos qualifica no caminho de testemunho santo e fiel do seguimento de Jesus! Portanto: bragantinos e devotos de São Benedito - ouçam e pratiquem: não percam à Santa Eucaristia, à Missa aos domingos; confessem seus pecados e se reconciliem na justiça e na conversão contínua do viver em comunidade e
Obrigado de coração, Pe. Aldo Fernandes, Pároco em Rondon do Pará. Paz e Bem. Prof. Dário Benedito Rodrigues.
Dário, obrigado pela iniciativa e parabéns! Na tua oração diante da Relíquia de São Benedito, da Imagem dele e da Virgem Maria, mas, sobretudo na tua Comunhão no Corpo de Jesus, vivo na Eucaristia diária, recorda-te de mim. Obrigado. Deus vos dê o Céu!
Imagens: Acervo particular
