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sábado, 17 de outubro de 2026

A barca em Ajuruteua (Bragança, Pará)

          Os lugares, as paisagens e a natureza estão sempre presentes na memória que guardamos. Em geral, em nossas lembranças estão os locais onde vivemos, onde moramos, onde nos relacionamos com os outros. Desta maneira é importante entender e valorizar a paisagem natural como parte do patrimônio cultural. 

A famosa barca que está na Praia de Ajuruteua, distante 36 quilômetros de Bragança, ao norte do município, é na verdade um navio Lloyd Brasileiro, construído em janeiro de 1882. O navio pertencia ao estaleiro John Elder & Companhia (originalmente Randolph, Elder and Company e depois Fairfield Shipbuilding and Engineering Companhy), uma empresa de construção naval e de engenharia marítima com sede em Govan, Glasgow (Escócia). Este navio tinha os potentes propulsores Triple Expansion Engine (motor de tripla expansão), o auge da propulsão a vapor marítima entre o final do século XIX e o início do século XX.

Foto 01: Barco Alagoas, exemplo um Lloyd Brasileiro, em atividade no Rio Amazonas. Fonte: F. A. Fidanza. Álbum do Amazonas (1901-1902). p. 35.

É possível que tenha naufragado a 20 metros de profundidade no dia 09 de maio de 1905 ao colidir contra o navio Anselm 2. A carga que estava sendo transportada era de látex (borracha) e estava avaliada em 110 mil libras, mas foi salva e o navio foi perdido. Neste período, era comum que grandes companhias de navegação atuassem na conexão de portos europeus e latino-americanos às rotas comerciais do Oceano Atlântico, com cargas e com passageiros.

Foto 02: A Barca de Ajuruteua (sem data). Fonte: Acervo Aviz de Castro.

O Anselm 2 (ou S.S. Anselm) tinha sido construído sob um custo de 94 mil libras e sua viagem inaugural se deu em março de 1905, saindo de Liverpool (Inglaterra) com destino a Manaus (Amazonas), passando por Le Havre, na Normandia francesa. Tinha cerca de 121 metros de comprimento e pesava 5.442 toneladas.

Com a colisão, começou a entrar água nos porões do Lloyd, e o timoneiro foi obrigado a ir rumo à praia, essa manobra permitiu o salvamento da tripulação e passageiros. A capacidade do navio era de 100 passageiros na 1ª classe e 100 na 2ª e 3ª classes.

Foto 03: A Barca de Ajuruteua (2018). Fonte: Lúcio Coutinho.

A barca ficou tão famosa ao longo do tempo que já se construíram diversas narrativas sobre a sua origem, confundindo-a com navio negreiros e até navio pirata que possivelmente tenha passado pela costa bragantina.

Ver mais em: Destroços de navio centenário revelam capítulo da história. Diário do Pará. https://diariodopara.com.br/para/destrocos-de-navio-centenario-revelam-capitulo-da-historia