sábado, 14 de julho de 2012

Entrevista exclusiva com a Ir. Vera Lúcia Altoé, Coordenadora Nacional da Pastoral da Criança, em visita a Bragança

            Nesta sexta-feira, a pedido da Igreja Católica local e do Pe. Gerenaldo Messias, Pároco de Nossa Senhora do Rosário, acompanhei com um city tour histórico por Bragança um grande grupo de voluntários da Pastoral da Criança que recepcionaram sua Coordenadora Nacional, a Ir. Vera Lúcia Altoé, 53 anos, religiosa capixaba da Congregação da Imaculada Conceição de Castres, educadora formada em Pedagogia Teologia, que é continuadora da missão da saudosa Dra. Zilda Arns (fundadora e primeira Coordenadora dessa Pastoral) e coordenadora desde 2007.
            Fomos ao Mirante de São Benedito e ao Centro Histórico. Depois fizemos uma visita cordial à companheira Salete Figueiró, também voluntária da Pastoral da Criança e que se encontra em tratamento médico. Os amigos da Pastoral da Criança levaram à Salete os seus votos de saúde, abraços e um carinho especial.
            Ela nos revelou, entre muitas coisas, a sua torcida pela cidade de Bragança/PA, no quadro pela Dança da Galera apresentado em abril passado no Domingão do Faustão (TV Globo), pelo número de crianças atendidas ser bem maior que a outra cidade e agradeceu o empenho de todos os que participaram. Disse que ficou honrada com toda a divulgação do trabalho da Pastoral da Criança e que todos fazem parte desse desafio de ajudar a melhorar a vida das crianças no Brasil em todos os lugares que atuam, com crescimento do atendimento e da prestação de serviços.
            Foram momentos de muita amizade, acolhimento e reconhecimento do trabalho da Pastoral da Criança, em Bragança e na Diocese, além de perspectivas de crescimento desafiadoras para o próximo ano. Ao final, no sábado, após a missa no Complexo Poli Esportivo Dom Eliseu Maria Coroli, entrevistei a Coordenadora Nacional da Pastoral da Criança, Ir. Vera Lúcia Altoé, que em visita a Bragança nos concedeu alguns minutos, com exclusividade, para falar dos trabalhos e ações da Pastoral da Criança e que marcou as suas impressões sobre a acolhida e recepção de tantos líderes, coordenadores e voluntários dessa Pastoral na Diocese de Bragança. Eis a entrevista e algumas fotos do seu passeio por Bragança.

Foto 1: Ir. Vera Lúcia no Mirante de São Benedito, tendo ao fundo a cidade da Orla de Bragança.

            Prof. Dário: Ir. Vera Lúcia Altoé, qual a perspectiva de crescimento da Pastoral da Criança no mundo atual, no Brasil de hoje?
            Ir. Vera Lúcia: Nós estamos agora fazendo o diagnóstico do último Censo (IBGE 2012) e percebemos que o índice de natalidade abaixou muito no Brasil nos últimos tempos. E nós, da Pastoral da Criança, queremos na realidade priorizar as crianças mais pobre e mais necessitadas, à medida que a gente for encontrando voluntários dispostos a amar esta missão, automaticamente nós iremos crescer ainda amais na Pastoral da Criança, não só em quantidade mas na qualidade das nossas ações. Porque não adianta nada ter um número grande e não ter um trabalho de qualidade e que prioriza, sobretudo, as crianças pobres e necessitadas. Hoje temos uma pesquisa muito interessante, que devemos priorizar os mil dias das crianças. Então é a partir daí que nós queremos realmente fazer valer a Pastoral da Criança para que nenhuma criança venha a morrer nesta faixa etária, que é a faixa etária mais delicada da vida da criança.

Foto 2: Ir. Vera Lúcia no Mirante de São Benedito, em atenção à explanação sobre a História de Bragança.

            Prof. Dário: Ir. Vera hoje nós assistimos um certo declínio de voluntariado no Brasil, por diversos motivos. Como a Pastoral da Criança está agindo nesse sentido para manter o seu corpus de voluntários, o seu grupo?
            Ir. Vera Lúcia: Por onde estou passando nesse Brasil, estou fazendo um desafio muito grande para as nossas lideranças: conquistar mais um líder para somar nesta grande família Pastoral da Criança. E ao mesmo tempo, pedimos encarecidamente que todos os líderes tenham pelo menos uma gestante cadastrada no seu caderno. Então, eu penso que no Natal deste ano nós possamos agradecer ao Menino Deus por mais essa liderança nova que se incorporou à Pastoral da Criança.

            Prof. Dário: Em se tratando da realidade local, a Diocese de Bragança já atua com a Pastoral da Criança desde 1985. Como foi a sua recepção, acolhida e como em sido o seu contato com os voluntários e lideranças dessa região na Amazônia?
            Ir. Vera Lúcia: Um povo muito querido, muito aconchegante. Realmente, vale a pena doarmos a vida nessa Pastoral. E uma das coisas bonitas é a grande meta que tem essa Diocese. No ano que vem, a Pastoral da Criança em nível nacional completa 30 anos e a coordenadora daqui está desafiando a Diocese de Bragança a chegarmos a trinta mil crianças atendidas na Pastoral da Criança. Isso vai ser um estouro para todos nós, um grande resultado. E até eu prometi voltar se realmente isso acontecer aqui em Bragança.

Foto 3: Ir. Vera Lúcia comigo, Edianel Rosário (LEO Clube) e Kátia Sales (HSAMZ).

            Prof. Dário: Nós sabemos que a população, os poderes públicos e as instituições religiosas se mobilizaram para a sua visita em Bragança. Qual a sua mensagem a todas as pessoas que acompanharam a sua visita e aqueles que não puderam estar presente?
            Ir. Vera Lúcia: Eu quero dizer que a minha alegria é muito grande. Quero parabenizar todos os que direta ou indiretamente estão contribuindo para que a missão da Pastoral da Criança possa se fortalecer cada dia mais. Agradeço de coração à Igreja local e aos meios de comunicação que se fizeram presente, aos amigos e aos parceiros, e em especial, aos meus queridos líderes da Pastoral da Criança, coordenações e equipes de apoio. Coragem, força, entusiasmo e dinamismo.
            E gosto de dizer sempre que a Pastoral da Criança é para as pessoas que são fortalecidas por uma fé muito grande e que nada na vida poderá desabonar essa fé e deixar vocês esmorecer. Um obrigado de coração a todas as famílias que também fazem parte da Pastoral da Criança e que por um motivo ou outro puderam estar aqui conosco nessa brilhante festa. Realmente nós fechamos quinze dias de visitas com um lindo buquê de flores.
            Que Deus os abençoe e que essas flores cheguem até o coração de Zilda Arns, quem tanto amou a Pastoral da Criança e tanto bem fez a essa Pastoral.

            Prof. Dário: Obrigado, Ir. Vera Lúcia pela entrevista e obrigado por ter vindo a Bragança.

Foto 4: Ir. Vera Lúcia e amigos da Pastoral da Criança visitando a Sra. Salete Figueiró e família.
           
Foto 5: Ir. Vera Lúcia na Praça Antônio Pereira, visitando o Centro Histórico de Bragança e o Coreto Pavilhão Senador Antônio Lemos com voluntários da Pastoral da Criança.

Fotos: Edianel Rosário

Biografia de Ir. Vera Lúcia Altoé (do site http://www.cancaonova.com)


            Indicada por Dom Algo Di Cillo Paggoto, presidente eleito do conselho diretor da Pastoral da Criança, para assumir a coordenação nacional da Pastoral da Criança.
            Irmã Vera Lúcia Altoé, é capixaba, natural de Cachoeiro do Itapemirim. Educadora formada em pedagogia, também estudou teologia e espiritualidade. É pós-graduada em alfabetização e em ensino religioso. Viveu até os 13 anos na fazenda de seus pais, quando foi estudar primeiramente em Barra do São Francisco e depois em São Paulo, em colégios de irmãs, período em que teve clareza de sua vocação e ingressou na vida religiosa. Após concluir os estudos, foi enviada em missão para o Mato Grosso, onde atuou na Congregação das Irmãs da Imaculada Conceição de Castres, conhecidas como Irmãs Azuis, já há 33 anos.
            Começou seu trabalho na Pastoral da Criança quando foi morar na favela situada no Jardim Vitória, em Cuiabá (MT), em 1997. Exerceu a coordenação da Pastoral da Criança na Arquidiocese de Cuiabá, entre 1997 e 2001. Em seguida foi eleita coordenadora estadual do Mato Grosso, função que exerceu entre 2001 e 2004. Antes de ser Coordenadora Nacional, integrou o Conselho Diretor da Pastoral da Criança, como secretária.
            Segundo ela, seus principais desafios como nova coordenadora nacional são continuar dando respostas positivas à missão da Pastoral da Criança, acolher e respeitar as diferenças e aprender a ser uma gestora em âmbito nacional. Para Irmã Vera Lúcia, coordenar o trabalho de 270 mil voluntários é uma oportunidade de gerar vida, sobretudo onde ela se encontra mais fragilizada.
            “Graças ao trabalho voluntário é possível atender as necessidades de milhões de crianças e gestantes, resgatar sobretudo a auto-estima, promover a saúde, a educação, a cidadania e abrir oportunidades para que mais crianças e gestantes possam receber essa benção que é a Pastoral da Criança. Vou me dedicar a ampliar a cobertura das crianças e famílias pobres, com atenção especial a formação e capacitação de nossos voluntários”, afirma Irmã Vera Lúcia.

domingo, 8 de julho de 2012

Bragança, a um passo de seus quatrocentos anos


Bragança, a um passo de seus quatrocentos anos[1]
Prof. M.Sc. Dário Benedito Rodrigues Nonato da Silva[2]

Para começar...

Um dos grandes patrimônios do ser humano reside na articulação da memória cultural, política e social de diferentes sujeitos em diversas situações, espaços e contextos. A utilização desse recurso se deve, em muitos casos, às experiências de homens e mulheres que legaram à contemporaneidade os seus sonhos, seus medos, suas lutas, suas paixões...
Sua história é feita por pessoas e se apresenta quase sempre numa relação entre o que foi, o que é e o que será. Relembrar, rememorar, sempre nos permite vincular passado e presente, amor e intrigas, vida e morte, sem discurso anacrônico ou prolixo. Embora se permita saudosista, o discurso trata da gênese de uma cidade como Bragança, que nasceu de frente para o rio e que foi entrecortada pelas vias de uma estrada de ferro, pelos que singraram as águas e abriram caminhos nas florestas, acabando por constituir o que pode ser chamado de sociedade caeteuara, comunidade bragantina.
Por muito se percebe ainda um tempo ditado pela imaterialidade e uma definição de espaço ditada pelo consciente coletivo. Tipo o tempo da maré, ou o tempo da extinta estrada do trem. Vamos “lá embaixo” quer dizer na feira, e também “vamos subir”, subindo as praças, numa definição de cidade que segue em direção dos bairros mais afastados do centro. Costumes e culturas em comum até hoje, não só aqui, mas em vários lugares do Pará.
Essa Bragança se foi um pouco de nós. Permaneceu escrita nos amontoados de documentos, em arquivos particulares e nos acervos de tantas memórias escritas e por escrever. Quem sabe ainda Bragança seja um enigma para a geração de hoje, que não conhece de fato o ser bragantino, que precisa acreditar para ver a beleza e a história desse lugar abençoado, cujo passado envolve nobres, escravos e caboclos, casas reais e casas humildes, política, cultura, economia, trabalho e religiosidade.
Nada é tão paradisíaco, bem se sabe, mas real, na sua riqueza natural e cultural, na intelectualidade, no tempo em que grandes nomes, mitos construídos e personalidades estavam entre nós, políticos, burgueses, imigrantes, gente que a geração atual parece desconhecer por ainda não ter a oportunidade de assim o fazer.
Em outras palavras, Bragança é um desses lugares que indicam vida e amor. A natureza exuberante e o colorido animal e vegetal dão um toque especial às margens do Caeté, antes Cayté (ou ainda Caité, como se defende que o seja hoje!) por incluir um elemento fundamental na historicidade tão desconhecida por muitos de seus filhos. Algumas reflexões podem nos aproximar desse passado. Eis.

Uma talvez Bragança, do século XVII ao XVIII

Esse percurso histórico de Cayté à Bragança não é tão fácil de ser descrito, ainda porque precisa conter uma análise das iniciativas que formaram o que hoje temos por cidade, as várias vozes, os vários pensamentos sobre o espaço, os vários cenários e paisagens que fizeram essa história. Um ponto a ser evidenciado é a tentativa europeia de conquistar território pelos franceses, no início do século XVII, quando Daniel de La Touche, com sua expedição, visitou as terras da nação tupinambá em 1613. A exatidão da data não existe, talvez ainda por ser descoberta, mas o território do Cayté já existia.
Aqui, La Touche e seus liderados passaram mais de trinta dias, colheram suprimentos, solicitaram ajuda indígena e continuaram a sua viagem, “desenharam” o lugar na documentação e acabaram por fugir dos portugueses, conforme os escritos dos padres Devreux e Bettendorf. Uma origem? Não se pode ter tanta clareza nisso. Os conceitos de colonização e conquista sempre estão em discussão, no percurso historiográfico e nas construções feitas da chamada Amazônia colonial.
Essa chamada origem está vinculada à presença dos franceses nesse controverso 08 de julho de 1613. Nesse intento, nessas conquistas se desenvolveu um controle português, a partir da fundação de Belém em 12 de janeiro de 1616, e que pode ser considerada um fator muito importante para a implementação  administrativa de Portugal numa evidente interseção com o domínio do litoral e da foz do Amazonas, forçados pelas ameaças de franceses, holandeses e ingleses, mas ainda sob a tutela da coroa de Castela (Espanha).
E, como nos lembra Rafael Chambouleyron,
Evidentemente, esses conflitos contra os “invasores estrangeiros” não acabaram no século XVII. Os tratados de Utrecht, de Madri e de Santo Ildefonso, todos assinados no século XVIII, revelam que os problemas de fronteira se mantiveram por muito tempo.

Devemos atentar para o fato de que desde o final do século XVII, o chamado Estado do Maranhão era formado por capitanias reais (Maranhão, Grão-Pará e Piauí) e por várias capitanias particulares (Tapuitapera, Caeté, Cametá e Ilha Grande de Joanes), que mantiveram diferenças quanto à sociedade, cultura e atividade econômica.
Segundo informação do Ensaio Corográfico do Pará, criada sob as ruínas da Vila de Souza do Caeté, contava com seis palhoças e para cá (à esquerdo do rio) foi traslada em 1644, foi povoada na metade do século XVIII por “famílias e homens solteiros dos ilhéus angrenses e michaelenses”, a vila de Bragança tinha três ruas paralelas ao rio, contornadas por casas cobertas de telha. Tinha-se um largo em frente à freguesia e outro maior detrás, onde ficava a cadeia. Seus habitantes eram quatro mil e quatrocentos e oito brancos, quatrocentos e oitenta e dois escravos e mil e oitenta e cinco índios mestiços livres. Devotavam à Nossa Senhora do Rosário a sua devoção principal, mas o coração já era bendito, por aquilo que estava por nascer.
Cultivavam aqueles antigos moradores da vila um bom café, algodão e mandioca. Possuíam fazendas de criação nos seus primeiros campos afastados da sede, em pequenas propriedades, mas com um rio, dentro do território, que excelente para a multiplicação do gado. Contudo, não houve quem estabelecesse ali uma fazenda maior para a pecuária. Capta-se do documento certa queixa, certo descontentamento, certo desejo de impulsionar a nova vila, com um comércio amplo, com algo que a transformasse “para o qual há tudo quanto o pode permitir”.
È preciso salientar que esse processo de controle do espaço em que hoje se localiza Bragança se deu com a ajuda de diversos braços e vozes, num lugar em que o cenário podia permitir, inclusive, um embate rigoroso e subjugo de populações indígenas, que resistiram e em aspectos coloniais, de afirmação dos domínios portugueses. Depois, a introdução de negros na primeira metade do século XVIII, só realiza uma conjunção de esforços para melhorar esse empreendimento, aliado aos militares, colonos e religiosos, como os jesuítas da Aldeia de São João Baptista, unindo-se e afastando-se em determinados momentos.
O primeiro núcleo populacional da colonização na região do rio Caeté (ou Caité = caa + y + eté = mato bom, verdadeiro, na língua tupi), buscou firmar esse controle, com o nome de Vila Sousa do Caeté. Muitos anos depois, o antigo povoado ficou conhecido como Vila que-era.
Álvaro de Souza, filho e sucessor de Gaspar, foi incansável em tentar manter o controle da capitania para sua família, permitindo a fundação do aldeamento missionário de São João Baptista, onde os padres reuniram os índios tupinambás e construíram a igreja já extinta. Álvaro conseguiu de Felipe IV da Espanha a posse definitiva do território e imediatamente fundou a Vila Souza do Caeté, hoje Vila-que-era, ao lado direito do Caeté, mas que experimentava dificuldades de acesso e comunicação com Belém, mesmo com a possibilidade de maior intercessão com o Maranhão. Não faltaram interesses, não faltaram dissabores, não faltaram disputas. E existiram lógicas outras, como as desses donatários.
Essa manutenção das conquistas portuguesas do século XVII, no entanto, só significavam uma ocupação no sentido militar, religioso e econômico. Seria apenas no século XVIII, por uma farta historiografia e fontes, que os portugueses programariam uma política colonial, por assim dizer, seguramente administrativa, graças às iniciativas do Marquês de Pombal, assim como um projeto de cidade.
Chama a atenção o documento de 1750:
Em 1750, Manoel Antônio de Souza e Melo requereu do Rei D. João V, em carta de 12 de março de 1750, ajuda para administrar a Capitania do Caité, com mão-de-obra de índios, ajuda na coleta de sal, além de solicitar condições como legítimo filho e herdeiro de José de Souza e Melo, chamado de Porteiro-Mor. Com o falecimento do rei em 1750, assume o trono D. José I. Sebastião José de Carvalho e Melo foi nomeado como Secretário de Estado e em 1751, o irmão de Sebastião Carvalho foi nomeado Governador do Estado do Grão-Pará e Maranhão. Era Francisco Xavier de Mendonça Furtado. Tais autoridades tornaram-se referências especiais para os estudos acerca do projeto de consolidação do que era o estado do Grão-Pará a partir do território de Caité e a Vila de Bragança.

Contrário ao pedido de Manoel Antônio de Souza, o rei D. José I decidiu retirar dele os direitos sobre a área da capitania pelo decreto de 14 de junho de 1753, o que incorporou todo o território à Coroa, pondo fim à história da Capitania do Cayté (ou Caité, ou ainda Cahité, como está escrito em vários documentos), que passou a pertencer novamente ao Grão-Pará.
Motivações não faltaram, como a falta de mão-de-obra indígena para os colonos, entre tantos desentendimentos destes com os jesuítas, aliados momentâneos dos indígenas, como a sublevação de 1741, quando os moradores fizeram um motim conspiratório, expulsando dois padres jesuítas da aldeia, cuja notícia o próprio rei D. João V recebeu por carta de 22 de outubro de 1742, do governador João de Abreu de Castelo Branco.

Mendonça Furtado e a Vila de Bragança

O Governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado fez um levantamento das condições e das comunidades existentes nessa região para determinar onde se estabeleceria novos núcleos urbanos, de acordo com o projeto do Marquês de Pombal, seu irmão.
Em 11 de outubro de 1753, por carta ao rei D. José I, o governador escolheu a Vila de Souza do Caeté como local para a implantação desse projeto, a ereção de uma primeira vila oficial, sugerindo a fundação de Bragança, primeira vez em que se grafa o nome, em homenagem à família real. Ele relata a existência de uma “vila assentada sobre a terra medianamente empolada na margem esquerda ou ocidental do rio Caeté, três léguas acima da sua foz jacente...”.
Nessa mesma carta, Furtado indica providências para a instalação de casais vindos das ilhas dos Açores a fim de povoarem a nova vila. O aldeamento indígena, conforme o documento, sustentaria as relações de trabalho suplementar para a agricultura e transporte (terrestre e fluvial) de produtos da lavoura para o comércio e uma escola de Língua Portuguesa seria criada para facilitar a comunicação entre colonos e índios.
Diz o documento:
Sendo Vossa Majestade servido ordenar pelo seu Conselho Ultramarino que eu fosse distribuindo a gente que aqui se achava das Ilhas pelos sítios que me parecessem mais proporcionados em que podem trabalhar com mais gosto em terra própria e sendo Vossa Majestade servido ao mesmo tempo mandar-me avisar pela sua Secretaria de Estado de que tomara a sólida e importantíssima resolução de incorporar na Coroa as terras que neste Estado pertenciam a alguns donatários, me pareceu que não devia perder tempo em povoar as poucas palhoças que até agora se conhecia pela Vila do Caeté ou de Sousa, fundando naquele sítio importante e útil sítio uma populosa vila que faço tenção sendo Vossa Majestade servido fundar com o nome de Bragança.

E completa:
Os moradores desta nova Vila ficam situados numas terras fertilíssimas muito perto do mar Oceano e muito abundante de peixe, e caça, e aonde já há algumas marinhas, e com assistência destas gentes se podem ampliar em forma que provam esta terra de sal de sorte que senão veja na grande necessidade deste gênero, em que agora se acha.

Junto com a criação da Vila de Bragança, Furtado comunica que a para sustentar o projeto era preciso articular áreas próximas à Bragança que a ligassem com a capital do Grão-Pará, viabilizando a criação e fortalecimento da Vila de Ourém, próxima ao Guamá como entreposto de comércio e comunicação. Mendonça Furtado considera Ourém importante a fim de garantir o sucesso do novo empreendimento, como se lê:
Na chamada casa Forte do Guamá, tenho mandado ajuntar mais de 150 índios que se tem tomado de diversos contrabandistas com intento de fundar naquele sítio, outra nova vila, de gente da terra, que também sendo Vossa Majestade servido, faço tenção de que se conheça pela nova Vila de Ourém, e para que os rapazes se possam criar com civilidade lhe mandei abrir uma escola aonde me dizem que se vão criando muito bem, e aprendendo nela a Língua Portuguesa.
Esta nova vila é sumamente importante porque além de nela poder haver trabalhadores, que ajudem aos lavradores do rio Guamá a cultivam as terras, haverá nelas canoas prontas para transportarem os gêneros do Cayté, e facilitar assim a comunicação daquela nova vila com esta cidade.

A Vila de Bragança foi palco das experiências que serviriam de base para a implantação das futuras regras do Diretório dos Índios, de dois anos depois (1755/1757), no que se pode perceber na análise documental. A intervenção no trabalho missionário dos jesuítas deu conta de acomodar os índios junto aos colonos, dando-lhes tarefas e permitindo seu casamento, com o aval da Coroa, para povoar a vila. É fato notório a solicitação para a criação e equiparação do porto do Caeté, a fim de garantir o transporte de gêneros da agricultura da vila através da interseção daqui com o Guamá, o que justificaria o desenvolvimento agrícola desta região e as medidas econômicas adotadas nessa empreitada colonial:
Como esta Vila tem um braço do rio que se comunica quase com o Guamá, somente com pequeno trabalho de sete ou oito horas de caminho de terra, faço tenção de por no porto do tal rio Cayté alguns casais para ali terem canoas prontas para a comunicação e fazendo alargar um pequeno varadouro que há por entre aqueles matos, fazendo por ele uma boa estrada, ficarão comunicáveis aqueles rios, e os moradores se poderão livrar dos perigos do mar transportando todos os seus gêneros com grande facilidade pelo dito rio Guamá a esta cidade.

É interessante observar também o comportamento do governador Mendonça Furtado em relação aos indígenas, antes mesmo das medidas do Diretório que lhes “concedeu” civilidade e cidadania europeia. Ele afirma a necessidade de manter relações amigáveis com os índios (chamados “naturais”), sugerindo o casamento para fins de povoamento como medida real, avaliando, até aquele momento, o processo evangelizador. É notável a avaliação que Furtado deu a conhecer ao seu rei.
O objetivo era
de dar a conhecer aos naturais dele, que os honramos e estimamos, sendo este o meio mais eficaz de trocarmos o natural ódio que nos tem pelo mau tratamento, e desprezo com que os tratamos em amor à boa fé (...) sem cujos princípios, não é possível que subsista e floresça esta larga extensão de país.

Em 1754, no ofício de 30 de setembro, o Ouvidor Geral do Pará, João da Cruz Diniz Pinheiro, por ordem de Mendonça Furtado, relatou seus progressos a Sebastião José de Carvalho e Melo, informando que trouxe um grupo de engenheiros e astrólogos para traçar a estrada até Ourém solicitada pelo governador. Traçaram também as primeiras quadras da nova cidade.
Mais uma vez, alguns outubros prevaleceram na nossa história colonial. Em 20 de outubro de 1758, o Provedor-Mor da Capitania do Pará, João Inácio de Brito e Abreu, escreveu ao Secretário de Estado da Marinha e Ultramar Tomé Joaquim da Costa Corte Real, descrevendo as duas localidades que deram origem à cidade de Bragança, informando que a nova Vila de Bragança era formada da Aldeia de São João Baptista (dividida por um braço de rio e por uma ponte de madeira) e da área onde hoje é o traçado do polígono histórico de Bragança, onde existia uma outra Igreja de frente para o rio (a então Igreja de Nossa Senhora do Rosário). Essa informação nos determina qual o formato do primeiro traçado urbano de Bragança, com algumas ruas e duas praças, duas igrejas, Casa de Câmara e Cadeia, dezenas de casas e uma população formada por colonos portugueses, açorianos e indígenas.
Bragança, portanto, foi constituída pela união da Vila Souza do Caeté (já transferida de Vila-que-era à margem esquerda do Caeté) com a aldeia missionária de São João Baptista, que graças à sua posição geográfica privilegiada, entre Belém e São Luís, ganhou importância política e econômica. E só em 02 de outubro de 1854, através da resolução n.º 252, assinada pelo Presidente da Província Sebastião do Rego Barros, é que vila tornou-se cidade, com o nome de Bragança.

Considerações finais

O trabalho de recuperação desse passado e de formação desse grande mosaico da experiência de homens e mulheres que por aqui passaram ainda precisa ser feito. Além disso, o tempo participa do modo como o bragantino percebe a sua terra. É bonito se dizer que é de Bragança, é honroso ser bragantino. E quem não o é, “se naturaliza” automaticamente no viver os acontecimentos a sua volta. O bragantino declara seu amor por Bragança, seja na Feira Livre, com produtos diversos que nos vêm do interior, seja pela sesta do início da tarde após o almoço.
O é notório e ganha singularidade é aquilo que vem de seu povo e que acaba apropriado por todos. O Xote bragantino singular. A Marujada bragantina única. O glorioso e bragantino São Benedito, santo que resolveu ficar de vez nesta terra. As palmeiras deste chão que avisam estar em Bragança. A rabeca e a sua musicalidade. As ruas estreitas do Centro Histórico. O casario da época colonial e a azulejaria. A educação de notáveis mestres. Os nomes de bragantinos ilustres e nem tão ilustres assim, mas que trabalharam por esse chão. A beleza da mulher bragantina desfilando. As procissões coloridas e festivas, orantes e pudicas. O cheiro dos doces caseiros, as guloseimas vendidas no paneiro, o inusitado mangue e sua biodiversidade. A ação da parteira sobre os filhos que vão nascer. O atendimento ao “chamado” de São Benedito nos nossos dezembros. E o não menos importante, adjetivo pátrio do bragantino.
A história não é um quadro acabado, é mais ainda um processo que interpreta verdades às vezes fragmentadas, cumulativas, parciais, nunca absolutas. Essa objetividade está confirmada na variabilidade constante da escrita do passado, ao mesmo tempo fascinante, com aspectos cronológicos, que convivem com as transformações dos fatos, reinterpretando-se segundo as ações humanas, promovendo mudanças no tempo histórico. Muitas mudanças são sentidas hoje, algumas estão por ser feitas.
Um cuidado a retratar essa história é com todo o patrimônio cultural que traz à baila um sentimento de pertença diferente de outros. Do melhoramento em todos os níveis da autoestima do bragantino. De uma dedicação especial e maior ao que é melhor e insubstituível de Bragança: seu povo, criança, jovem, adulto e idoso. Nessa relação se dá a maior demonstração de amor por Bragança, dos que deram seu suor para se ter Bragança de hoje aos que hoje constroem a Bragança que temos e que é um dos orgulhos do Pará.
Afinal, os bragantinos compartilham sentimentos iguais e comungam da esperança de um mundo melhor, onde o compromisso maior seja com a ternura e com a boa gente. E lutamos para que este aniversário traga a alvorada de uma aliança de Bragança com sua história, nos traga conquistas verdadeiras, nos ambiente em valores mais eternos, que já eram de nossos bisavós e avós, e que, todos precisamos conhecer, para amar.

Referências bibliográficas:

ABREU, Capistrano J. Capítulos de História Colonial (1500-1800) & Os Caminhos Antigos e o Povoamento do Brasil. Brasília: Universidade de Brasília, 1963.

ARAÚJO, Renata Malcher de, As cidades da Amazônia no século XVIII: Belém, Macapá e Mazagão, Porto: FAUP, 1998.

AZEVEDO, João Lúcio de, O Marquês de Pombal e a sua época, São Paulo, Alameda, 2004.

BAENA, Antônio Ladislau Monteiro. Compêndio das Eras da Província do Pará. Coleção Amazônica. Série José Veríssimo. Belém: Editora da UFPA, 1969.

CHAMBOULEYRON, Rafael. “Plantações, sesmarias e vilas. Uma reflexão sobre a ocupação da Amazônia seiscentista”. Nuevo Mundo - Mundos Nuevos, nº 6 (2006). In: http://nuevomundo.revues.org/document2260.html

CRUZ, Ernesto. História de Belém. Coleção Amazônica. Série José Veríssimo. Vol 1. Belém: Editora da UFPA, 1973.

MEIRELES, Mário M. História do Maranhão. São Paulo: Siciliano, 2001.

MENDONÇA, Marcos Carneiro de, A Amazônia na Era Pombalina: correspondência inédita do Governador e Capitão-General do estado do Grão-Pará e Maranhão Francisco Xavier de Mendonça Furtado (1751-1759), IHGB, Rio de Janeiro, 1983.

OLIVEIRA, Luciana de Fátima. A Vila de Bragança, Rios e Caminhos: 1750-1753. Revista Mosaico, v.1, n.2, p.188-197, jul/dez, 2008.

PEREIRA, Benedito César. Sinopse da História de Bragança. Belém: Imprensa Oficial, 1963.

Observações importantes: Qualquer publicação desse material sem a prévia consulta ao autor não está autorizada e se constitui em crime sujeito às penalidades da legislação brasileira


[1] Em comemoração aos 399 anos de conquista europeia do território onde hoje se localiza a cidade de Bragança.
[2] Historiador e professor de História (UFPA 2002), Mestre em História Social da Amazônia (UFPA 2006), professor da UFPA Campus de Bragança. Pesquisador da História de Bragança com ênfase na História Urbana, Cultura e Religiosidade.

sábado, 7 de julho de 2012

Eleições 2012 em Bragança: candidatos a prefeito e vice-prefeito, partidos e coligações


Após o prazo de realização de convenções partidárias, definido pela Justiça Eleitoral, foram apreciadas e lançadas as candidaturas aos cargos de Prefeito e Vice-Prefeito de Bragança, assim como os de vereadores, que neste pleito terá  disputa para 17 vagas.
As Eleições de 2012 serão marcadas pela disputa em muitos setores da sociedade bragantina e há quem diga que já tem candidato cantando vitória antes da hora, e antes do eleitor, além de figuras carimbadas (inclusive na Justiça!) nessa corrida eleitoral. Isso não somente pela escolha que será feita e que determinará o cargo majoritário de Prefeito Municipal, mas pelas alianças construídas nesse período.
O PMDB, partido que atualmente ocupa a Prefeitura, com Edson Oliveira, lançou o médico José Américo Sarmento, vice-prefeito, em coligação com o PSC, com o nome de Gilberto Oliveira.
O PT, adversário expressivo nas últimas eleições devido à presença no Governo do Estado e como era esperado, lançou João Nelson Magalhães, sacerdote diocesano, coligado com o médico Nadson Monteiro, do PR, repetindo a coligação do último pleito.
E por fim, o PRB lançou o ex-prefeito por dois mandatos José Diogo, coligado com o PSDB, partido que ocupa o Governo do Estado, na pessoa da empresária Ciane Barros, filha do ex-prefeito Antônio Barros.
Fiquem atentos... escolham de maneira correta e apreciem os candidatos, seus currículos, seus trabalhos (os sérios, de preferência!), sua coerência entre intenção e ação, suas equipes e seus discursos. Começa a campanha, a disputa e a luta pelos nossos votos!

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Museu de Israel isenta Papa Pio XII de culpa (Matéria do Prof. Felipe Aquino)

 
Museu de Israel isenta Papa Pio XII de culpa

            O jornal Folha de São Paulo, em 02/12/2011, noticiou que o Museu do Holocausto, em Jerusalém, retirou do texto em exposição permanente a parte que dizia que o papa Pio 12 não fizera nada pelo judeus durante a Segunda Guerra Mundial. O museu instalou novo painel, que acrescenta argumentos dos defensores do pontífice. O museu negou que houvesse pressão da Santa Sé para alterar o texto.
            O Papa Pio XII era questionado por não ter assinado, em 1942, declaração dos Aliados que condenava o extermínio dos judeus. Está mais do que provado que o Papa Pio XII agiu de maneira correta na guerra de Hitler contra os judeus e salvou cerca de 800 mil judeus de serem mortos. Muitos líderes judeus o defenderam das acusações levianas contra ele. Vejamos alguns exemplos:
            O site forumlibertas.com, publicou em 16/4/ 2007, declarações 13 grandes líderes judeus em defesa do Papa Pio XII, acusado injustamente por muitos de ter sido omisso na defesa dos judeus diante de Hitler. Na verdade a Igreja, por orientação do Papa, agindo de maneira diplomática, conseguiu salvar cerca de 800 mil judeus de serem mortos pelos nazistas.
            Segundo a fonte citada, essas declarações desmentem esta calúnia que foi fortemente propagada pelos adversários da Igreja católica. Elas começaram com a propaganda comunista nos anos 60 e se transmitiram pela "nova esquerda" por toda a Europa , junto com a obra financiada pela União Soviética "O Vigário", de Huchhoth. Nela se baseia o filme "Amém", de Costa-Gavras.
            As declarações a seguir (tradução nossa para o português), são testemunhos desde 1940, desde Einstein até os grandes rabinos de Bucarest, Palestina e Roma. Os historiadores judeus afirmam que Pio XII salvou a vida de muitos judeus. As declarações dos líderes judeus:
            1 - Albert Einstein - "Quando aconteceu a revolução na Alemanha, olhei com confiança as universidades, pois sabia que sempre se orgulharam de sua devoção por causa da verdade. Mas as universidades foram amordaçadas. Então, confiei nos grandes editores dos diários que proclamavam seu amor pela liberdade.  Mas, do mesmo modo que as universidades, também eles tiveram que se calar, sufocados em poucas semanas. Somente a Igreja permaneceu firme, em pé, para fechar o caminho às campanhas de Hitler que pretendiam suprimir a verdade. Antes eu nunca havia experimentado um interesse particular pela Igreja, mas agora sinto por ela um grande afeto e admiração, porque a Igreja foi a única que teve a valentia e a constância para defender a verdade intelectual e a liberdade moral." (Albert Einstein, judeu alemão, Prêmio Nobel de Física, na Revista  norte-americana TIME, em 23 de dezembro de 1940. Einstein teve que fugir da Alemanha nazista e foi acolhido nos EUA na universidade de Princeton).
            2 - Isaac Herzog - "O povo de Israel nunca se esquecerá o que Sua Santidade [Pio XII] e seus ilustres delegados, inspirados pelos princípios eternos da religião que formam os fundamentos mesmos da civilização verdadeira, estão fazendo por nossos desafortunados irmãos e irmãs nesta hora , a mais trágica de nossa história, que é a prova viva da divina Providência neste mundo." (Isaac Herzog, Gran Rabino da Palestina, em  28 de fevereiro  de 1944; "Actes et documents du Saint Siege relatifs a la Seconde Guerre Mondiale", X, p. 292.).
            3 - Alexander Shafran -  "Não é fácil para nós encontrar as palavras adequadas para expressar o calor e consolo que experimentamos pela preocupação do Sumo Pontífice (Pio XII), que ofereceu uma grande soma para aliviar os sofrimentos dos judeus deportados; os judeus da Romênia nunca esqueceremos estes fatos de importância histórica."  (Alexander Shafran, Gran Rabino de Bucarest, em  7 de abril de 1944; "Actes et documents du Saint Siege relatifs a la Seconde Guerre Mondiale", X, p. 291-292).
            4 - Juez Joseph Proskauer - "Temos ouvido em muitas partes que o Santo Padre [Pio XII] foi omisso na salvação dos refugiados na Itália, e sabemos de fontes que merecem confiança que este grande Papa estendeu suas mãos poderosas e acolhedoras para ajudar aos oprimidos na Hungria". (Juez Joseph Proskauer, presidente do "American Jewish Committee", na Marcha de Conscientização de 31 de julho de 1944 em Nova York).
            5 - Giuseppe Nathan - "Dirigimos uma reverente homenagem de reconhecimento ao Sumo Pontífice [Pio XII], aos religiosos e religiosas que puseram  em prática as diretrizes do Santo Padre, somente viram nos perseguidos a irmãos, e com arrojo e abnegação atuaram de forma inteligente e eficaz para socorrer-nos, sem pensar nos gravíssimos perigos a que se expunham." (Giuseppe Nathan, Comissário da União de Comunidades Israelitas Italianas, 07-09-1945).
            6 - A. Leo Kubowitzki - "Ao Santo Padre (Pio XII), em nome da União das Comunidades Israelitas, o mais sentido agradecimento pela obra levada a cabo pela Igreja Católica em favor do povo judeu em toda a Europa durante a Guerra". (A.Leo Kubowitzki, Secretario Geral do  "World Jewish Congress" (Congresso Judeu Mundial ), ao ser recebido pelo Papa em  21-09-1945).
            7 - William Rosenwald  - "Desejaria aproveitar esta oportunidade para render homenagem ao Papa Pio XII por seu esforço em favor das vítimas da Guerra e da opressão. Proveu ajuda aos judeus na Itália e interveio a favor dos refugiados para aliviar sua carga". [(William Rosenwald, presidente de "United Jewish Appeal for Refugees", 17 de março de 1946, citado em 18 de março no "New York Times").
            8 - Eugenio Zolli - "Podem ser escritos volumes sobre as multiformes obras de socorro de Pio XII. As regras da severa clausura caíram, todas e cada uma das coisas estão a serviço da caridade. Escolas, oficinas administrativas, igrejas, conventos, todos têm seus hóspedes. Como uma sentinela diante da sagrada herança da dor humana, surge o Pastor Angélico, Pio XII. Ele viu o abismo de desgraça ao qual a humanidade se dirige. Ele mediu e prognosticou a imensidão da tragédia. Ele fez de si mesmo o arauto da voz da justiça e o defensor da verdadeira paz". (Eugenio Zolli, em seu livro "Before the Dawn" (Antes da Aurora), 1954; seu nome original era Israel Zoller, Gran Rabino de Roma;  durante a Segunda Guerra Mundial; convertido ao cristianismo em  1945, foi batizado como "Eugenio" em honra de Eugenio Pacelli, Pío XII).
            9 - Golda Meir - "Choramos a um grande servidor da paz que levantou sua voz pelas vítimas quando o terrível martírio se abateu sobre nosso povo". (Golda Meier, ministra do Exterior de Israel, outubro de 1958, ao  morrer  Pio XII).
            10 - Pinchas E. Lapide - "Em um tempo em que a força armada dominava de forma indiscriminada e o sentido moral havia caído ao nível mais baixo, Pio XII não dispunha de força alguma semelhante e pôde apelar somente à moral; se viu obrigado a contrastar a violência do mal com as mãos desnudas. Poderia ter elevado vibrantes protestos, que pareceriam inclusive insensatos, ou melhor proceder passo a passo, em silêncio. Palavras gritadas ou atos silenciosos. Pio XII escolheu os atos silenciosos e tratou de salvar o que poderia ser salvo." (Pinchas E. Lapide, historiador hebreu e consul de Israel em Milão, em sua obra "Three Popes and Jews" (Três Papas e os Judeus), Londres 1967; ele calcula que Pío XII e a Igreja salvaram com suas intervenções  850.000 vidas).
            11 - Sir Martin Gilbert - "O mesmo Papa foi denunciado por Joseph Goebbels - ministro de Propaganda do governo nazista - por haver tomado a defesa dos judeus na mensagem de Natal de 1942, onde criticou o racismo. Desempenhou também um papel, que descrevo com alguns detalhes, no resgate das três quartas partes dos judeus de Roma".  (Sir Martin Gilbert, historiador judeu inglês, especialista no  Holocausto e a Segunda Guerra Mundial, em uma entrevista em 02-02-2003 no programa  "In Depth", do canal de televisão C-Span).
            12 - Paolo Mieri - "O linchamento contra Pio XII? Um absurdo. Venho de uma família de origem judia e tenho parentes que morreram nos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. Esse Papa [Pio XII] e a Igreja que tanto dependia dele, fizeram muitíssimo pelos judeus. Seis milhões de judeus assassinados pelos nazistas e quase um milhão de judeus salvos graças à estrutura da Igreja e deste Pontífice. Se recrimina a Pio XII por não ter dado um grito diante das deportações do gueto de Roma, mas outros historiadores têm observado que nunca viram os antifacistas correndo à estação para tratar de deter o trem dos deportados. Um dos motivos por que este importante Papa foi crucificado se deve ao fato de que tomou parte contra o universo comunista de maneira dura, forte e decidida." (Paolo Mieri, periodista judeu italiano, ex-diretor do "Corriere della Será", apresentando o livro "Pio XII; Il Papa degli ebrei" (Pio XII; O Papa dos hebreus), de Andrea Tornielli, a 6 de junho de 2001).
            13 - David G. Dalin - "Pio XII não foi o Papa de Hitler, mas o defensor maior que já tiveram os judeus, e precisamente no momento em que o necessitávamos. O Papa Pacelli foi um justo entre as nações a quem há de reconhecer  haver protegido e salvado a centenas de milhares de judeus. É difícil imaginar que tantos líderes mundiais do judaísmo, em continentes tão diferentes,  tenham se equivocado ou confundido a hora de louvar a conduta do Papa durante a Guerra. Sua gratidão a Pio XII permaneceu durante muito tempo, e era genuína e profunda". (David G. Dalin, rabino de Nova York e historiador, 22 de agosto de 2004, entrevistado em Rímini, Itália).

Prof. Felipe Aquino

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Universidade Federal do Pará: 55 anos


UFPA: 55 anos de evolução e integração na Amazônia


            Grande em área, em número de alunos e em relevância no cenário da educação na Amazônia. Neste 2 de julho de 2012, a Universidade Federal do Pará completa 55 anos de existência, como a maior instituição de ensino superior da Região Norte,  com mais de 35 mil alunos entre os 513 cursos de graduação e 45 programas de pós-graduação, além de cerca de 5 mil professores e técnico-administrativos. Hoje, a UFPA é uma marca de excelência na formação de pessoas e na produção de conhecimento.
            Para o reitor da UFPA, Carlos Maneschy, o aniversário da Instituição é motivo de celebração para toda a sociedade paraense, porque “são 55 anos de transformação social da região, modificando vidas para melhor. Nesse tempo, a UFPA, verdadeiramente, tornou-se protagonista do desenvolvimento regional por todos os indicadores que possamos considerar”, assegura o reitor, que cita o aumento na oferta de cursos de graduação e de pós-graduação, as ações de extensão que têm impacto social muito relevante e os esforços na inserção da Universidade no cenário internacional.
            Nos vários departamentos e nas faculdades espalhados pela Cidade Universitária Professor José da Silveira Netto, muita coisa mudou. Para Ana Tancredi, professora da Instituição desde 1977 e atual diretora do Instituto de Ciências da Educação (ICED), a chave para o crescimento da Universidade está na organização. “Funcionamos como um organismo, no qual todas as instâncias administrativas trabalham juntas em prol do desenvolvimento da região.”

Segunda casa – Após 46 anos de dedicação à UFPA, a servidora Nazaré Cardoso acompanhou, de perto, a evolução da Universidade e afirma que ainda há muito pela frente. “Nós crescemos em ensino, pesquisa e administração, em todas as áreas, tanto na capital quanto no interior, e isso é motivo de orgulho para mim, pois trabalho em uma instituição forte e reconhecida”, diz Nazaré sobre a UFPA, seu primeiro emprego.
            Há 41 anos, o servidor Antônio Souza se orgulha de fazer parte da Instituição, onde conquistou amigos e novos conhecimentos. “Aqui, eu fiz vários cursos de atualização e, mesmo depois de aposentado, ainda estou trabalhando como voluntário na UFPA, um lugar que eu vi crescer, e o qual considero minha segunda casa”.

Evolução e interiorização – Desde o decreto sancionado pelo então Presidente da República Juscelino Kubistchek, em 1957, a UFPA cresceu, evoluiu. Hoje, os cursos dividem-se em 13 institutos. O mais novo deles, o Instituto de Educação Matemática e Científica (IEMCI), surgiu em 2009.
            O professor Adilson do Espírito Santo, diretor do Instituto de Educação Matemática e Científica (IEMCI), desde 1976, é docente da Instituição. Na sua opinião, a formação de doutores está entre as principais evoluções, nos últimos anos. “Hoje, nós temos mais de mil doutores na UFPA, e isso nos torna referência na pós-graduação e valoriza nosso ensino.”

Multicampi - Outro ponto destacado pelo professor Adilson é a interiorização da Universidade. Além da capital, mais dez municípios possuem campus da UFPA: Abaetetuba, Altamira, Bragança, Breves, Cametá, Capanema, Castanhal, Marabá, Soure e Tucuruí.
            Para a professora Edilza Fontes, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) e organizadora do livro UFPA 50 ANOS: Histórias e Memórias, lançado em 2007, a Instituição aproximou os moradores do interior do Estado, por meio do conhecimento. “A partir de 1986, a UFPA ousou sair dos limites de Belém, buscou se ramificar no sentido de integrar um Estado imenso e se legitimar como a Universidade Federal do Pará”.

De dentro para fora – Edilza Fontes afirma que um dos principais fatores que levaram a UFPA ao nível de excelência em que se encontra hoje é a profunda valorização dos saberes locais e do conhecimento produzido na Amazônia, por meio de pesquisas pioneiras. “Desse modo, respeitando-a e produzindo sobre a Amazônia na Amazônia, nós pudemos, ao longo do tempo, nos tornar a referência que hoje somos no Brasil e no mundo”, ratifica.

Presente e futuro – Para Ana Tancredi, o futuro da UFPA se resume em uma frase: “Crescer e fazer crescer a Amazônia”. Nas palavras do reitor, a UFPA tem papel estratégico no desenvolvimento da Amazônia, "desde a assistência à saúde até o desenvolvimento de modelos e produtos da mais alta tecnologia, a Universidade atua em todo esse espectro como nenhuma outra instituição na região. A associação e a conjugação de esforços visam fazer com que a Amazônia possa ser inserida com destaque no desenvolvimento nacional.”

Texto: Gustavo Ferreira – Assessoria de Comunicação da UFPA