quinta-feira, 13 de maio de 2010

Obrigado a todos/as por 10.000 visitas

Meu blog completou hoje, no histórico dia 13 de maio, seus 10.000 A.C.essos (um trocadilho com o filme 10,000 B.C.).
Agradeço o carinho de amigos/as, alunos/as, ex-alunos/as, colegas professores/as e demais visitantes pela confiança nas informações aqui prestadas, pela colaboração com opiniões e comentários e por me ajudar a ser uma pessoa melhor e cada vez mais comprometida com meu ofício de historiador.
Uma batalha diária, uma opinião a mais, um trabalho a construir, com ética, com cidadania, com respeito e fazendo do mundo virtual algo agradável para estar.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Superintendente do IPHAN (PA/AP) em visita a Bragança

Foi realizada hoje (12.05.2010) uma reunião com membros da Irmandade da Marujada de São Benedito (Bragança) e a Sra. Maria Dorotéa de Lima, Superintendente Regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) nos Estados do Pará e Amapá. A reunião aconteceu no Teatro Museu da Marujada, onde a Superintendente Dorotéa apresntou as etapas para registro de patrimônio imaterial da Marujada junto ao IPHAN.
Ela discorreu sobre o pedido que deverá ser feito pela Marujada e pelo Município de Bragança junto à Presidência do IPHAN para que a manifestação religiosa e cultural do culto a São Benedito possa ser registrada como patrimônio imaterial do Brasil, no segmento das celebrações.
Será um processo longo e que demandará a coleta de todos os registros bibliográficos (de vários aportes teóricos e disciplinas) que tratam da festa de São Benedito, suas origens, características e bens relacionados. A partir do pedido, o IPHAN poderá abrir o processo de inventário da Marujada segundo metodologias próprias e recursos alocados à pesquisa documental e de campo. Em seguida, parte para o momento de sensibilização a fim de colher o maior número possível de assinaturas de apoio ao pedido e só depois, na última etapa, a apresentação de resultados e o decreto com o registro de patrimônio imaterial.Na foto: João Batista Pinheiro, o Careca (Presidente da Marujada), Dorotéa Lima (Superintendente IPHAN PA/AP), eu, Carlos Denizar Souza Machado (Historiador/SEPLAN), Vera Lúcia dos Santos (Tesoureira da Marujada), equipe do IPHAN e Benedita (funcionária do Museu), após a reunião no Teatro Museu da Marujada.

domingo, 9 de maio de 2010

sábado, 8 de maio de 2010

Eleita nova Diretoria do LEO Clube de Bragança 2010-2011

O LEO Clube de Bragança (do Distrito LEO LA-6 e do Distrito Múltiplo LEO LA), através de seus associados, elegeu a nova Diretoria do Ano LEOístico 2010-2011, com mandato de 1º de julho de 2010 a 30 de junho de 2011. A reunião de eleição aconteceu no auditório da Câmara de Dirigentes Lojistas de Bragança (CDL), das 18h30 às 20h, com a participação de diversos associados e convidados. A posse da nova Diretoria está prevista possivelmente para o dia 03 de julho de 2010, em conjunto com a posse do Lions Clube de Bragança.
Antes da eleição, o CL Dário Benedito Rodrigues, associado do Lions Clube de Bragança e ex-associado e presidente fundador do LEO Clube de Bragança (em 1997), ministrou a palestra sobre as Oportunidades Leonísticas para Jovens abordando todos os programas da Associação Internacional de Lions Clubes.
Os dirigentes eleitos foram os seguintes:
Presidente: CLEO Jonilson César do Nascimento Silva
Secretário: CLEO Djonathan Corrêa da Rocha
1ª Tesoureira: CLEO Amanda Cristina Teixeira de Oliveira
2º Tesoureiro: CLEO Maurício do Nascimento Sarges
1º Diretor Vogal: CLEO Alberto Richielly Mendes Castelo Branco
2º Diretor Vogal: CLEO Saulo Alessandro Sousa Amorim
3º Diretor Vogal: CLEO João Souza Ribeiro
Ao final da reunião, foi oferecido um lanche aos convidados e associados LEO. Neste ano, os Conselheiros LEO serão o CL Dário Benedito Rodrigues e a CªL Nazaré Freitas, associados do Lions Clube de Bragança, que será presidido por mais um mandato pela CªL Maria Salete Figueiró.
Abreviaturas e nomes:
a) CLEO - associado LEO, companheiro/a LEO;
b) CL - associado Leão, companheiro Leão;
c) CªL - associada Leão, companheira Leão
d) Distrito LEO LA-6 - jurisdição administrativa dos estados do Amapá, Maranhão, Pará e Piauí;
e) Distrito Múltiplo LEO LA - jurisdição administrativa dos estados das regiões Norte e Nordeste do Brasil;

quinta-feira, 6 de maio de 2010

I Seminário Bragantino de Pesquisa - UFPA Bragança

A Faculdade de Letras da UFPA Bragança convida toda a comunidade acadêmica para o I SEBRAPE (Seminário Bragantino de Pesquisa), que tem como tema “Linguagem, Educação e Diversidade”.

Objetivos:

1. Propor diretrizes para pesquisas, destacando prioridades quanto a temas, objetos e metodologias;

2. Fomentar pesquisas que estejam consorciadas com a extensão, a fim de oferecer maior e melhor retorno social;

3. Viabilizar a construção de uma prática interdisciplinar na realização de pesquisas em Letras e Humanidades;

4. Propor a constituição de um núcleo de pesquisa e extensão.

Público Alvo:

Docentes e discentes do Campus Universitário de Bragança (UFPA), Gestores Públicos do Estado e do Município, Professores do Ensino Básico, Pesquisadores de diferentes instituições e formação.

Programação:

Dia 14.05.2010, Sexta-feira:

- 16 às 18h – Credenciamento

- 18 às 18h30 – Abertura e composição da mesa.

- 18h30 às 19h30 – Conferência de abertura

Tema: “A pesquisa no Ensino Superior: histórico e perspectivas”, com Prof. Pedro Walfir Martins e Souza Filho (Diretoria de Pós-Graduação/PROPESP)

Dia 15.05.2010, Sábado:

- 08h30 às 10h – Mesa Redonda I

Tema: “Aproximações nos estudos da linguagem: Estudos Literários e Estudos Linguísticos”, com o Prof. Dr. José Guilherme Fernandes, Prof. M.Sc. Jair Cecim e Prof.ª Dr.ª Cristina Caldas.

- 10h às 10h30 – Intervalo

- 10h30 às 12h – Mesa Redonda II

Tema: “Linguagem e Interdisciplinaridade”, com o Prof. Dr. Andrea Ciacchi. Prof.ª M.Sc. Maria Roseane Pinto, Prof.ª M.Sc. Maria Gorete Cardoso.

- 12h às 14h – Almoço

- 14h às 16h30 – Grupos de Trabalho

- 17h às 18h – Conclusão dos GT’s

- 18h às 19h – Socialização das propostas em Plenária

- 19h às 20h – Conferência de Encerramento

Tema: “Memória, oralidade, danças e rituais em um povoado amazônico”, com a Prof.ª Dr.ª Benedita Celeste de Moraes Pinto.

- 20h às 21h - Programação cultural e lançamento de livro “Filhas das Matas: práticas e saberes de mulheres quilombolas na Amazônia”, da Prof.ª Dr.ª Benedita Celeste de Moraes Pinto.

Grupos de Trabalho e Temáticas:

1) Linguagem, Educação e Diversidade – Prof. M.Sc. Conceição Azevedo (Letras) e M.Sc. Gorete Cardoso (Pedagogia);

2) Linguagem e Cultura – Prof.ª Dr.ª Cristina Caldas (Letras) e Prof. M.Sc. Dário Benedito Rodrigues (História);

3) Linguagem e Interdisciplinaridade – Prof. M.Sc. Carlos Dias (Letras) e Prof. ª M.Sc. Roseane Pinto (História);

4) Linguagem e movimentos sociais – Prof. M.Sc. Álvaro Araújo (Letras) e Prof. M.Sc. Natalina Freitas (Pedagogia).

Metodologia:

1º) Sensibilização: apresentação de realidade-problema a partir de música, estudo de caso, textos diversos e/ou imagem/vídeo.

2º) Problematização: discussão em torno de problemas sugeridos na fase anterior, atentando-se para as seguintes prioridades no debate universidade/sociedade: demandas sociais e escolares; formação de público crítico (leitores e espectadores “comuns” e especializados); interculturalidade e interdisciplinaridade; e trabalho e sustentabilidade.

3º) Proposição: construção de propostas, mediantes frases/pensamentos curtos, que atendam às seguintes perguntas: a) o que fazer?; b) com quem/com o quê fazer?; c) para quem fazer; e d) como fazer?

Inscrições:

As inscrições são gratuitas e devem ser solicitadas enviando um e-mail para falebraufpa@gmail.com, com os seguintes dados: Nome; Instituição ao qual é vinculado; Opção por um dos Grupos de Trabalho.

Maiores informações em: http://letrasbraganca.blogspot.com

terça-feira, 4 de maio de 2010

Leia a entrevista do Blog da Prof.ª Edilza Fontes com a Deputada Estadual Simone Morgado, do PMDB/PA

Reproduzo o link de acesso à entrevista realizada pela Prof.ª Edilza Fontes com a Deputada Estadual Simone Morgado, de Bragança, do PMDB/PA. Ela fala sobre a documentação da auditoria de contas realizada no Governo do Estado do Pará e sua postura à frente da Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária que preside na Assembleia Legislativa. Eis:

http://edilzafontes.blogspot.com/2010/05/entrevista-da-deputada-simone-morgado.html

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Selo do Prêmio DARDOS reconhece trabalho do blog

Por indicação da Prof.ª Daniela de Nazaré Torres de Barros, simplesmente Lela Torres ou Lela Orca, através de seu reconhecido blog http://lelaorca.blogspot.com, o meu blog recebeu o selo do Prêmio DARDOS, cujas indicações e premiações são feitas de blogueiros para blogueiros.

Com o Prêmio DARDOS se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras.

Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.

Sinto-me surpreso, honrado e humildemente agradecido à amiga e ex-colega de trabalho Prof.ª Daniela Torres pelo prêmio, oferecido com todo o carinho que sempre lhe foi peculiar no tratamento e reconhecimento dos valores de amizade, cordialidade, respeito e partilha do conhecimento.

O Prêmio DARDOS tem três regras.

1. Exibir a imagem do selo DARDOS no blog;

2. Exibir o link do blog que você recebeu a indicação;

3. Escolher 10, 15 ou 30 blog’s para dar a indicação e avisá-los.

Então, como parte desse prêmio, indico e ofereço com carinho e reconhecimento pelo trabalho o Prêmio DARDOS aos amigos e companheiros que representam estilos diferentes, mas que contribuem decisivamente para fazer da Web um lugar mais agradável para estar. A eles dedico o selo. Eis os blog’s em ordem alfabética:

http://anajuliacarepa13.blogspot.com/

http://bbordallo.wordpress.com/

http://blog.cancaonova.com/felipeaquino

http://blogelaphar.blogspot.com/

http://edilzafontes.blogspot.com/

http://gorinha.wordpress.com/

http://letrasbraganca.blogspot.com/

http://literante.blogspot.com/

http://lucianapersi.blogspot.com/

http://paesloureiro.wordpress.com/

http://projaudiovisual.blogspot.com/

http://simonemorgado.blogspot.com/

http://ummilhodeamigos-acuma.blogspot.com/

http://urbanoemodernista.blogspot.com/

http://viahistoriae.blogspot.com/

Parabéns a todos/as. Prof. Dário Benedito Rodrigues, historiador

Armando Bordallo da Silva (*03.05.1906, +04.04.1991)

Uma visão de construção historiográfica e folclorista que militou na segunda metade do século XX destacaria, como referência obrigatória, dois nomes que bem representaram o momento vivido na década de 30: Armando Bordallo da Silva e Bolívar Bordallo da Silva. Talvez não os mais criativos de todos os renomes bragantinos, mas que produziram em seu tempo ensaios, cartas, livros e deixaram um legado de sua impressão e preocupação com o desenvolvimento da Região Bragantina e que defendiam o “país dos Caetés” com forte bairrismo e inteligência. Mas hoje cabe aqui um registro especial sobre o Dr. Armando Bordallo da Silva, ilustre bragantino que tive o imenso prazer de conhecer em 1987, em companhia de seus netos, amigos contemporâneos de infância.

Foto: Armando Bordallo da Silva / Fonte: Arquivo Bordallo

Armando Bordallo da Silva era bragantino, nascido em 03 de maio de 1906, filho de Sebastião José da Silva e Maria do Céu Bordallo da Silva. Teve dois irmãos, Bolívar e Almira Bordallo da Silva. Estudou o Curso Primário no Grupo Escolar Monsenhor Mâncio Ribeiro e posteriormente no Colégio Progresso Paraense, do Dr. Arthur Porto, em Belém, para onde se transferiu para estudar, o quinto e o sexto ano, respectivamente. O Curso Secundário foi concluído no Colégio Progresso Paraense, tendo feito seus exames de preparatórios no Ginásio Paes de Carvalho.

Desde criança já percorria o município de Bragança, convivendo com a população, demonstrando ser um grande observador e ao mesmo investigador de tudo a seu alcance. Esquadrinhou desde jovem o que estava relacionado com os hábitos, costumes, superstições e crenças de seus conterrâneos bragantinos, a quem não escapava comentários e elogios, como “gente simples, boa e hospitaleira”.

Foto: Armando e Bolívar Bordallo ainda crianças / Fonte: Arquivo Bordallo

Entre 1918 e 1924 consolidou sua vocação literária e poética, dedicada àquela a quem chamou de “Bela Jovem”, dedicando parte do seu tempo estudantil a incentivar a premiação dos se destacavam em atividades culturais nos colégios por onde estudou, por meio dos grêmios estudantis que fundou e atuou. Tornou-se médico sanitarista e por esta área doutorou-se em 1931, ocupando vários cargos e assumindo diversas funções pertinentes à disciplina que abraçou.

Em 1927 formou-se em farmacêutico pela Faculdade de Farmácia do Pará, sendo orador oficial da turma. Em 1930 formou-se em médico pela Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará e doutorou-se em Medicina, defendendo a tese "Das Vitaminas e das Avitaminoses", aprovado com distinção, sendo nesta ocasião o orador oficial da turma. Em abril de 1931 foi nomeado Inspetor Médico Sanitário de Bragança.

Em 29 de dezembro de 1937, casou-se com Marilda Medeiros de Athayde, tendo o casal seis filhos que são Luiz Fernando, Alberto José, Benedito Sebastião, Maria Rosa, Paulo Emílio e Mariana Tereza.

Foto: Armando e Marilda Bordallo e seus filhos / Fonte: Arquivo Bordallo

Em 1940 fez um curso de especialização na Escola de Educação Física e Desportos, da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro. De 1931 a 1951 exerceu várias funções públicas como médico da Secretaria de Saúde Pública do Estado do Pará. Em 20 de março de 1951 foi nomeado pelo governo do Pará, Diretor do Museu Paraense Emílio Goeldi.

Com um grupo de amigos, entre eles seu irmão e historiador Bolívar Bordallo da Silva e Luiz Paulino dos Santos Mártires, que viria a se tornar prefeito em Bragança, fundam o Grêmio Estudantino. Nas diversas atividades que realizaram, uma delas se refere à carta enviada pelo grêmio ao Presidente da República solicitando a implantação de uma escola para filhos de agricultores, o que foi atendido anos mais tarde.

Foto: Franco Mártires, Armando, Bolívar e Luiz Paulino Mártires, fundadores do Grêmio Estudantino / Fonte: Arquivo Bordallo

A atuação desse grupo ao qual Armando Bordallo fazia parte rendeu-lhes, inclusive a presidência da Campanha Nacional de Educação em Belém, exercida pelo companheiro Luiz Paulino Mártires. Em seus trabalhos, um especial chama atenção pela atualidade: uma campanha em defesa do meio ambiente, com a distribuição de panfletos educativos sobre a preservação e conservação das áreas de manguezal em Bragança. Como fundador da Comissão Paraense de Folclore, em 1949, já era possuidor de um vasto conhecimento na área, posto que suas pesquisas foram concretizadas em Bragança, pela riqueza do que podia ser registrado para a posteridade, uma preocupação constante em seus escritos.

Em fins de 1954 promoveu, junto ao Governo do Estado e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, a realização de um convênio para que o Museu fosse administrado por aquele Instituto, o que finalmente foi conseguido, sendo assinado esse acordo em 07 de dezembro de 1954. Em 1955 foi empossado Catedrático de Antropologia da Faculdade de Filosofia do Pará e posteriormente da Universidade Federal do Pará, até 1976, quando foi aposentado. Aposentou-se em 1967, como pesquisador em Ciências Sociais e Humanas, da Divisão de Antropologia do Museu Paraense Emílio Goeldi.

Na década de 1970 conheceu Portugal, onde estagiou no Instituto de Alta Cultura daquele país, com bolsa de estudos, logo depois sendo agraciado com várias comendas. Deveu parte das influências no campo do folclore a extrema amizade ao irmão, Bolívar Bordallo da Silva, advogado e historiador, inclinando-se ao estudo do folclore e antropologia.

Figura de largo conceito na classe médica paraense e centros culturais de Belém, Armando foi empossado em 31 de maio de 1969 como sócio efetivo e perpétuo na Academia Paraense de Letras, na cadeira de nº. 23, que tem como patrono João Marques de Carvalho. Integrou uma geração que vai se extinguindo, na qual a decência sempre foi uma exigência íntima de cada um, no contexto de uma sociedade de princípios rígidos, na edificação de monumentos eternos de moral ou pelo menos duráveis.

Na vida associativa, integrou o Instituto Histórico e Geográfico do Pará, o Instituto de Antropologia e Etnologia do Pará, a Sociedade Médico-cirúrgica do Pará, o Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura, a Fundação Cultural de Bragança e a Comissão Paraense de Folclore, onde ficou como presidente de honra até sua morte.

Foto: Capa do livro Contribuições de Armando Bordallo da Silva / Fonte: Acervo pessoal

Sua obra Contribuição ao Estudo do Folclore Amazônico na Zona Bragantina encontra-se publicada em duas edições. A primeira, pelo Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, na edição nº. 05, Série Antropologia, pela Falangola Editora, em 1959. A nova roupagem foi lançada em 1981 pela mesma editora e sob o mesmo título. Nesta obra, Armando Bordallo da Silva teceu considerações sobre algumas manifestações folclóricas bragantinas, em ciclos, como as festas do Divino Espírito Santo, Serra-a-velha, Boi-Bumbá, Chin-ching, Tum-dum-dum, Marujada, Retumbão, Cavalhada e Putirum. Na obra, Armando dedica um carinho especial, com a Festa de São Benedito, descrevendo-a em suas origens, citando esperança, fé e folclore como sendo sentimentos que se deviam preservar, pois necessários pelo fato de consolidarem “o amor à terra, à família, à sociedade”.

Foto: Armando sendo reverenciado pela última vez pela Marujada de Bragança / Fonte: Arquivo Bordallo

É Armando Bordallo um desses autores que se tornou referência constante para os estudos que sucederam o seu, dentre esses os destinados a monografias de conclusão de curso em vários âmbitos das Humanidades, deixando evidente sua notoriedade. Em Contribuições sua intenção era a criar uma ligação íntima entre as manifestações culturais e a exaltação do sentimento de pertença ao adjetivo bragantino. Bordallo da Silva identificou positivamente a cidade de Bragança e suas tradições como festas, populares e católicas, locais de construção do povo caboclo e ainda mais o “povo” do Caeté, tendo como marco cultural os festejos beneditinos, mas ampliando o olhar a outros folguedos bragantinos, como o Carnaval, Festa de Reis, Festa do Divino Espírito Santo entre outros.

Contudo, é singular em Bordallo a descrição da Marujada. Como um de seus grandes admiradores, ele apreciava a dança, os rituais, a reza, a indumentária, os instrumentos e até a tradição da hierarquia nos quadros de seus dirigentes (especificamente as capitoas, mulheres que comandam o ritual). Mesmo que essas especificidades digam respeito ao passado descrito pelo autor, elas estavam bem vivas e presentes na época em que o seu livro foi escrito e publicado, o que orgulhava Bordallo pela recuperação de relíquias desse passado bragantino.

Foto: Eu, Simone Morgado, Diana Ramos, Marilda Bordallo e Rosa helena Oliveira, na solenidade de 100 anos de Armando Bordallo da Silva, na Academia Paraense de Letras, em 2006 / Fonte: Acervo pessoal

Ao morrer em Belém, no dia 04 de abril de 1991, deixou órfã uma imagem de cultura bragantina frutífera, recheada de produtos culturais, jornalísticos, estilísticos, sem tantos contrastes e a perpetuação de suas palavras, escritos e testemunhos sobre cultura, folclore e sociedade

Suas obras, seus textos e seus livros são patrimônios bem guardados, com muito zelo no Arquivo Bordallo, trabalhado pela Prof.ª Mariana Thereza Athayde Bordallo da Silva. Desta maneira, na linguagem da história, o fato se torna uma marca da impressão do tempo, manifestando-se e convivendo com o presente. Já seus autores permanecem ancorados no passado preenchido exatamente pelo que nos legaram, sua vida e sua obra.

Fonte: http://www.amazon.com.br/~bordallo/biografia.htm

Revista Ver-o-Pará sobre os 200 anos Marujada de Bragança foi lançada em maio de 1998

Você lembra dessa revista? Pois é! O número 11 de Ver-o-Pará (Agência Ver Editora, de Belém/PA) foi lançado em maio de 1998, ao custo de R$ 4,00, publicando reportagens e imagens em torno da cultura e da devoção a São Benedito em Bragança e sua majestosa Marujada. O título de capa era "Bragança: 200 anos de Marujada", com uma belíssima foto da janela da torre lateral esquerda da Igreja de São Benedito, com vista do rio Caeté e o mar de gente à porta do templo. Se você leu ou teve acesso à revista, escreva em comentário nesta postagem o que você considera mais importante nas matérias dessa edição histórica. Aguardo. Comentarei depois.

domingo, 2 de maio de 2010

02 de maio: Dia Nacional do Ex-combatente

O dia 2 de maio é considerado o Dia Nacional do Ex-combatente, por força da lei nº 4.623 de 06 de maio de 1965. Entretanto, somente a lei nº 5.315, de 12 de setembro de 1967, regulamentou o artigo 178 da Constituição brasileira, que dispõe sobre os Ex-combatentes da II Guerra Mundial. Ex-combatente é “todo aquele que tenha participado efetivamente de operações bélicas, na II Guerra Mundial, como integrante da Força do Exército, da Força Expedicionária Brasileira, da Força Aérea Brasileira, da Marinha de Guerra e da Marinha Mercante, e que, no caso de militar, haja sido licenciado do serviço ativo e com isso retornado à vida civil definitivamente”.
História
No começo da II Guerra Mundial, em 1º de setembro de 1939, o Brasil manteve uma posição muito controversa, com uma pretensa neutralidade, já que apoiou diretamente nenhuma das grandes potências envolvidas. Quase no final do conflito, em 1942, em razão de uma série de ataques aos navios mercantes brasileiros em nosso litoral, o Brasil reconheceu o estado de guerra com os países do Eixo e enviou a Força Expedicionária Brasileira (FEB) à Europa, para colaborar na causa dos países aliados. O transporte do primeiro escalão da FEB com destino a Nápoles, Itália, ocorreu em 2 de julho de 1944.
A FEB foi incorporada ao V Exército aliado dos Estados Unidos da América e entrou em combate em 15 de setembro de 1944, participando de várias batalhas no vale do rio Pó, na Itália, ocupada pelos alemães nazistas. As mais importantes foram a tomada de Monte Castelo, a conquista de Montese e a Batalha de Colleccio. As tropas brasileiras perderam, durante essa campanha, 430 praças e 13 oficiais, além de oito oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB).
Eles são chamados de “oponentes honrados” visto que, quando renderam a Divisão Monterosa, em abril de 1945, prestaram honras militares aos soldados italianos que marcharam em direção ao cativeiro, ao impedirem que fossem sumariamente fuzilados por guerrilheiros. Existem menções ao bom tratamento dispensado pelos brasileiros aos inimigos capturados, em alguns livros publicados, na Itália, por antigos adversários da FEB.
Com o final da guerra, em 6 de junho de 1945, o Ministério da Guerra do Brasil ordenou que as unidades da FEB se subordinassem ao comandante da 1ª Primeira Região Militar (1ª RM) sediada na cidade do Rio de Janeiro, o que significava a dissolução desse contingente.
Os antigos adversários ainda julgam que os expedicionários da FEB combateram na Itália para defender interesses americanos, sem desmerecerem, contudo, sua capacidade. A tenacidade dos pracinhas é elogiada até hoje.
Depois da recepção apoteótica, com a chegada dos combatentes da Itália ao Brasil após a II Guerra Mundial, em 16 de julho de 1945,o governo não proporcionou nenhuma ajuda àqueles que tanto fizeram para a história do país. As reclamações e reivindicações feitas ao Governo Federal e ao Ministério do Exército, pouco adiantaram para um futuro digno dos ex-combatentes, já que eles eram considerados aptos em 100% quando foram para a guerra. O aspecto físico estava perfeito e o psicológico também, havendo uma inspeção médica, mensalmente, nos alojamentos.
Com o final do conflito “tudo piorou”. O pouco dinheiro que receberam na chegada ao Brasil acabou rápido. Ainda jovens e neuróticos com todo o acontecido, não tiveram direito a nenhum tipo de assistência social ou médica. No mercado de trabalho eram rejeitados, sendo acusados de loucos e não aptos para conviver em sociedade.
Homenagens e situação
As cinzas dos corpos dos soldados brasileiros mortos na II Guerra foram transladadas de Pistóia, na Itália, para o Brasil e, hoje, repousam em jazigos de mármore, colocados no subsolo do Monumento Nacional aos Mortos da II Guerra Mundial, idealizado pelo marechal João Baptista Mascarenhas de Moraes, comandante da FEB, e inaugurado em 24 de junho de 1960, no Parque do Flamengo.
Constitui uma das mais belas obras do Rio de Janeiro, onde se acha inscrita a seguinte homenagem: “Imolando-se pela Pátria, adquiriram uma glória imortal e tiveram soberbo mausoléu, não na sepultura em que repousam, mas na lembrança sempre viva de seus feitos. Os homens ilustres têm como túmulo a terra inteira”.
A situação dos ex-combatentes melhorou um pouco em 1964, quando o presidente João Goulart (cassado por um golpe militar em 31.03.1964) os encaixou em cargos públicos nos Correios e outras entidades, vindo muitos destes a se aposentar nestas condições.
Outra reclamação daqueles que serviram à Pátria é que só eram/são lembrados em datas festivas como aniversário da cidade ou 7 de setembro. E com o emblema de uma cobra fumando, estampada em suas fardas, simbolizando a Força Expedicionária, desfilam com orgulho, mesmo que aquilo seja apenas para vivenciar momentos.
Em Bragança
Vários são os ex-combatentes da II Guerra Mundial em Bragança. Cito alguns deles como Antônio Evangelista, João Gomes, João Paes Ramos (in memoriam), João Paes Rodrigues (in memoriam), José Gatinho dos Santos (in memoriam), Manoel de Jesus, Manoel Saturnino, Manoel Silveira, Olavo Lobão da Silveira, Sebastião Paes Rodrigues (in memoriam), que escreveram seu nome na História.
O desfile de 7 de setembro de 2005 homenageou todos os ex-combatentes ainda vivos em Bragança, com um lugar de destaque no palanque de autoridades, junto aos representantes do poder público, do Exército brasileiro, de associações civis e de escolas.
No Instituto Santa Teresinha, em 13 de junho de 2008, coordenei uma atividade especial que era a Exposição sobre a II Guerra Mundial, com as turmas de 8ª Série A e B, em que falávamos do conflito com exposição de fotos, imagens, frases, vídeos e uma maquete com as táticas de guerra. Na oportunidade, homenageamos os Ex-combatentes de guerra ainda vivos. Nesse dia, somente o meu padrasto João Paes Ramos (1922-2010) compareceu e foi agraciado com esta honraria com uma medalha e um certificado que foram entregues pela Ir. Vilma de Araújo Pinheiro, diretora do IST, fez um pequeno discurso emocionado e recebeu um grande aplauso de todos os presentes. Esses/as alunos/as ainda entregaram na casa dos outros ex-combatentes que não puderam estar presentes pelo estado de saúde, as medalhas e os certificados, deixando-os muito felizes e agradecidos.
A última homenagem que João Paes Ramos e outros ex-combatentes receberam foi entregue no Tiro de Guerra 08/002 em Bragança, no dia 19 de novembro de 2009, sendo a Medalha de Jubileu de Ouro da vitória na II Guerra Mundial. Esse evento foi iniciativa do 1º Tenente Aládio da Silva, delegado da 2ª Delegacia do Serviço Militar, 28ª CSM que engloba o Tiro de Guerra de Bragança.
Foto: Medalhas do Jubileu da II Guerra Mundial aos ex-combatentes
João Paes Ramos
João Paes Ramos era bragantino e ex-combatente da II Guerra Mundial pela Marinha do Brasil, quando era Ministro da Marinha o almirante Aristides Guilhen e Presidente da República o Sr. Getúlio Dorneles Vargas.
Foto: João Paes como marinheiro de guerra
João Paes participou da II Guerra Mundial de 1942 a 1945, assentando praça no estado do Rio de Janeiro na Escola de Aprendizes Marinheiros em 1940, sob o nº 40.0.606, servindo no encouraçado “São Paulo” e posteriormente no caça-submarino “Guaporé” até o final o conflito, onde operou no patrulhamento do Atlântico Sul e no comboio de navios mercantes no Sul da Costa Atlântica.
Foto: João Paes como marinheiro de guerra
Com o final do conflito o tenente João Paes Ramos recebeu do governo brasileiro em 1º de março de 1947, através do almirante Sílvio Noronha, Ministro da Marinha, uma condecoração por seus relevantes serviços prestados à nação brasileira, por ter passado mais de 300 dias a bordo de navio, viajando e em comboio, durante os três anos em que o Brasil envolveu-se na II Guerra Mundial. Entrou para a Reserva da Armada de Marinha de Guerra em 15 de março de 1947, como 2º Tenente de 1º escalão, sob o nº 14.015, de acordo com o Decreto-lei nº 9.500, de 23 de julho de 1946, artigo 102, alínea “a”.
Foto: Medalha de Serviços Relevantes à Marinha do Brasil
Foto: João Paes sendo condecorado pelo Ten. Aládio da Silva.
Foto: Recorte do Jornal Tribuna do Caeté, de 28 de novembro de 2009, pág. 3