sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz 2011

A todos e a todas que me acompanharam e ao que pensei, escrevi, vivi e pude transmitir os meus sinceros votos de um Feliz Ano Novo de 2011.
Agradeça a Deus o ano que passou, as perdas, as dores, os sofrimentos. Rejubile com as conquistas do ano, pelas boas surpresas, pelos encontros com a vida e com o mundo. Rememore os bons momentos. Chore, se precisar. Mas lembre-se de alegrar com aqueles que podem estar com você nesta hora de virada e de refazer os bons propósitos para 2011 e a esperança de dias melhores, com mais paz, saúde e felicidade para todas as pessoas do mundo.
Por hoje, por essa noite e por esse ano - o segundo da minha trajetória no mundo da interatividade e da blogosfera - fico por aqui, desejando que as bençãos de Deus estejam na sua vida, na sua família, no seu trabalho e, principalmente na sua história.
Um abração. Um beijo no seu coração. Que venha 2011.
Prof. Dário Benedito Rodrigues, de Bragança/PA
Imagens da internet

Primeira parte do novo prédio da Câmara Municipal de Bragança foi inaugurado

Ontem (30.12.2010) na sede da Câmara Municipal de Bragança, denominada Palacete Lobão da Silveira, a primeira parte da reforma e ampliação do prédio foi inaugurada com homenagens e cordiais lembranças. A cerimônia foi presidida pelo vereador Dário Emílio Dias Ramos, presidente do Legislativo bragantino em dois mandatos (2009 e 2010), acompanhado por vários vereadores, pelo prefeito em exercício José Américo Alves Sarmento e secretários do Executivo municipal.
Estive presente à cerimônia e pude testemunhar um fato que marcará a história do Poder Legislativo em Bragança, a oportunidade em que a Câmara Municipal terá um prédio definitivo. Ao final, apresentações da mazurca e do xote, executadas por casais de marujos de São Benedito.
Parabéns Dário Emílio e demais vereadores pelo empenho. Saudações a todos/as os/as funcionários/as da Câmara e aos colaboradores/as do empreendimento.
Fotos: Acervo pessoal

Bragança sentirá saudades de...

Marcos Evangelista do Nascimento Ferreira + 01.01.2010

Zilda Arns Neumann + 12.01.2010

Raimunda Pinheiro Gaspar + 23.01.2010

Prof. Marcos Alves Pereira + 02.02.2010

Irmã Francisca Zilmar Cavalcante + 06.02.2010

Raimunda Alencar dos Santos + 17.02.2010

João Paes Ramos + 13.03.2010

Victor Hugo do Nascimento Oliveira +28.03.2010

Mariano Evaristo da Costa Rodrigues + 08.04.2010

Benedita do Socorro Pires Alvão + 22.04.2010

Irmã Maria da Conceição Saraiva + 07.05.2010

Carlos Alberto R. Martins + 15.05.2010

Josefa Antunes Ribeiro Vasconcelos + 23.05.2010

Eliane Padilha de Oliveira + 11.06.2010

José Maria Alves de Sousa + 19.06.2010

Mário Luís Rosa e Silva + 01.07.2010

Antônio Ícaro Moura Aragão + 01.08.2010

Durval Dantas + 05.08.2010

Bruno Rafael Andrade dos Reis +05.09.2010

Pedro Magalhães Dias + 15.09.2010

Marivalda Alves de Sousa + 30.09.2010

Augusto Torres Júnior + 04.11.2010

Dinaldo Soares do Nascimento + 14.11.2010

Odaléia Melo Batista + 03.12.2010

Antônio Tovani de Lima + 09.12.2010

Dom Miguel Maria Giambelli + 26.12.2010

Maria Elizabeth Nonato da Silva + 27.12.2010

Eustaquelino Tannus Casseb + 29.12.2010

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Horacio Schneider é promovido à classe da Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico

Nosso amigo e atual Vice-Reitor da Universidade Federal do Pará, Prof. Dr. Horacio Schneider foi condecorado com a elevação à classe da Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico com mais 16 (dezesseis) pesquisadores renomados, por decreto do Presidente Luís Inácio Lula da Silva, de 27 de dezembro passado, já publicado no Diário Oficial da União.

O Prof. Dr. Horacio Schneider já é comendador da Ordem do Mérito Científico desde 2002, sendo agora elevado à classe de Grã-Cruz. Um merecido reconhecimento a quem dedica parte de sua vida à pesquisa e ao desenvolvimento do conhecimento no Brasil, na Amazônia e em Bragança. Parabéns Prof. Horacio Schneider.

Decreto de 27.12.2010

Dispõe sobre a promoção de personalidades à classe da Grã-Cruz na Ordem Nacional do Mérito Científico, por suas contribuições prestadas à Ciência e Tecnologia.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso XXI, da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 18 do Decreto no 4.115, de 6 de fevereiro de 2002, resolve

PROMOVER

à Classe da Grã-Cruz, na Ordem Nacional do Mérito Científico, por suas contribuições prestadas à Ciência e à Tecnologia, as personalidades a seguir indicadas:

Ciências Agrárias:

José Oswaldo Siqueira;

Romeu Afonso de Souza Kiihl;

Ciências Biológicas:

Adalberto Luis Val;

Horácio Schneider;

Luiz Eugênio Araújo de Moraes Mello;

Ricardo Gazzinelli;

Ciências da Terra:

Setembrino Petri;

Ciências Físicas:

Belita Koiller;

Beatriz Barbuy;

Milton Ferreira de Souza;

Ronaldo Mota;

Ciências Matemáticas:

Hilário Alencar;

Ciências Química:

Paulo Arruda;

Ciências Sociais e Humanas:

Maria Manuela Carneiro da Cunha;

Ciências Tecnológicas:

Eugenius Kaszkurewicz;

Ciências da Engenharia:

Jayme Luiz Szwarcfiter; e

João Fernando Gomes de Oliveira.

Brasília, 27 de dezembro de 2010; 189º da Independência e 122º da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Sergio Machado Rezende

Publicado no D.O.U. de 28.12.2010, Seção I, pág. 5.

Acessado em http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/327981.html

Imagem: Internet / Foto: Acervo pessoal de Horacio Schneider

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Discurso de Dom Luís Ferrando, bispo diocesano, nos funerais de Dom Miguel Maria Giambelli, em 27.12.2010

Disse Dom Luís Ferrando...

Enquanto queremos entregar nas mãos da Misericórdia de Deus a alma de Dom Miguel Maria Giambelli, queremos também professar nossa fé na Ressurreição e na vida eterna que Jesus nos reconquistou com sua paixão, morte e ressurreição.

Quem era dom Miguel Maria Giambelli, nosso Bispo?

Nasceu em Flero, na diocese de Brescia na Itália aos 23 de março de 1920. Foi ordenado sacerdote Barnabita aos 04 de julho de 1943. Cursou a Faculdade de Letras e Filosofia em Florença. Em novembro de 1946 veio ao Brasil realizando assim o sonho de ser missionário na Prelazia do Guamá. Seu primeiro empenho pastoral foi em Ourém onde permaneceu de 1947 até 1952. Aos 02 de fevereiro de 1953, Dom Eliseu o nomeou Vigário Geral. Nesta responsabilidade Dom Miguel permaneceu por 24 anos.

Em julho de 1953, coordenou o Congresso Eucarístico da Prelazia do Guamá. Em 1957, por oito anos, assume o cargo de Vigário de Bragança. Em 1965, Dom Miguel teve que assumir a Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré em Belém. Ficou com aquela responsabilidade por seis anos. Ao mesmo tempo, porém, por vontade de Dom Eliseu, não deixou de exercer sua tarefa de vigário Geral da Prelazia do Guamá.

Em 1971, regressando a Bragança, é escolhido pelos padres da Prelazia como Coordenador de Pastoral, Diretor da Rádio Educadora, e do SERB. Na veste de coordenador do SERB organizou centenas de treinamentos de lideres interioranos. É desta época a construção dos dois prédios: o antigo Centro de Treinamento e o escritório do SERB, hoje sede da Rádio Educadora e da Escola Radiofônica de Bragança.

Aos 23 de março de 1977, é escolhido pelo Papa Paulo VI como Administrador Apostólico da Prelazia do Guamá. Como Administrador, coube a ele dividir a Paróquia de Bragança criando mais três Paróquias, além da paróquia da Catedral. Deu início ao Seminário Menor Diocesano. Criou a Paróquia de Dom Eliseu aos 05 de março de 1979 e celebrou solenemente o Jubileu de Ouro da Prelazia do Guamá em Ourém, aos 06 de janeiro de 1980.

A nomeação a Bispo do Guamá é de 23 de abril de 1980. A consagração a Bispo ocorreu aos 15 de junho de 1980, data em que a Prelazia do Guamá foi elevada ao grau de Diocese assumindo o nome de Diocese de Bragança. No mesmo dia, Dom Miguel tomou posse da nova diocese como seu primeiro bispo.

Consagrou a Catedral aos 08 de dezembro de 1983. Instituiu a EFAC com a finalidade de formar Lideres para as comunidades de base. Valorizou o sacramento da Crisma. Fundou o Seminário Diocesano Maior de Belém para a formação filosófica e teológica dos nossos futuros sacerdotes. Sempre priorizou a Pastoral Diocesana das Vocações seguindo um insistente conselho do então Núncio Apostólico Dom Cármine Rocco. Se hoje temos um considerável número de Padres certamente o devemos a este zelo pelas vocações que Dom Miguel sempre sustentou.

Suas demissões foram aceitas de fato pelo papa João Paulo II aos 10 de abril de 1996. Aos 09 de junho do mesmo ano por sua livre escolha, se retirou para um apartamento do Hospital Santo Antônio onde por 14 anos exerceu com generosidade o ministério de Capelão do hospital, sempre pronto a qualquer chamada e a qualquer hora. Podia acolher o convite dos Padres Barnabitas de Roma para retirar-se à Casa Generalícia da Congregação, mas preferiu o serviço humilde aos pobres mais pobres: os doentes do Hospital Santo Antônio Maria Zaccaria.

Homem de caráter forte e fibra muito robusta, (ele) encontrou a morte aos noventa anos de idade no dia de 26 de dezembro de 2010. Esta é a história e as datas marcantes da vida de Dom Miguel.

Mas ele se nos apresenta bem mais importante. Quase chegando aos seus quatrocentos anos de existência, Bragança pode orgulhar-se de ter tido Dom Miguel como missionário e bispo. De uma coisa não podemos duvidar: o que inspirou Dom Miguel a vir ao Brasil ainda novo e aqui permanecer por mais de 60 anos até a morte foi um grande desejo de evangelizar e um grande amor pelas pessoas da Prelazia-Diocese de Bragança. Dizer que somente ele fez determinadas coisas seria injusto e anti-histórico, pois todos os padres Barnabitas participavam das decisões acerca dos empreendimentos que iam realizar e em seguida realizar.

Contudo, é verdade que à frente de determinadas iniciativas foi posto Dom Miguel para que coordenasse as equipes encarregadas de realizá-las. O entusiasmo e a generosidade com que exercia a coordenação e a direção dos trabalhos é que fazia dele quase que o único artífice de tudo.

Assim foi com a Rádio Educadora. Ele me contava que conseguiu até o brevê de radioamador para entender melhor os trâmites para organizar uma façanha como aquela. É bom lembrar que a Rádio Educadora diocesana existe há 50 anos. Isso quer dizer que quando foi decidida sua construção pelos Padres Barnabitas se tratava ainda de uma iniciativa pioneira, sobretudo aqui no Norte. A Rádio foi um exemplo de clarividência inspirado pelo zelo apostólico dos Padres Barnabitas que assim anteciparam os tempos das comunicações sociais de massa que só nestes últimos tempos com a implantação de novas rádios e televisões têm tido uma grande disseminação pelo país e pelo mundo.

Para que a Rádio Educadora fosse moderna e equipada com os meios técnicos mais modernos, ele me dizia que tinha viajado muito para visitar experiências já em ato. Providenciou o transmissor de ondas curtas mais moderno da época que mandou buscar nos Estado Unidos e que continua a funcionar ainda hoje apesar dos seus cinquenta anos. De posse deste meio formidável de comunicação, Dom Miguel e os Padres Barnabitas organizaram a Escola à distância que até hoje tem formado até à oitava série mais de cem mil alunos. Mas também quantas comunidades rurais não foram formadas e instruídas pela Rádio Educadora? Quantas comunidades eclesiais não se sintonizaram com seus radinhos para assistir às Palestras de formação e às Missas dominicais? Quantas notícias não foram transmitidas?

Outro empreendimento que Dom Miguel coordenou pelo convite dos seus confrades Barnabitas foi o SERB. Na época existiam ainda poucas estradas, poucas escolas interioranas, e, sobretudo, pouca cultura para o progresso do homem. O SERB nasceu do coração daqueles missionários como um meio para fazer progredir o homem do campo nas suas lavoras (clube agrícola), as mulheres nos seus afazeres de casa (clube de mães), os jovens nas suas problemáticas juvenis (clube de jovens), as crianças no seu crescimento na fé (catequese). Queria-se que o vilarejo todo se organizasse para encontrar e enfrentar todos os seus problemas. O SERB, de fato, não foi somente uma escola agrícola: foi uma escola completa que atingia todas as necessidades da comunidade. Desta forma, antes ainda que a Igreja do Brasil desse início às Comunidades Cristãs de Base, O SERB, coordenado por Dom Miguel já havia antecipado os tempos formando suas Comunidades de Base. Diferentes das CEB’s quistas na Conferência de Medellín, mas sempre Comunidades de Base. Era o ano de 1965.

Desejoso de ver seus leigos preparados para coordenar melhor as comunidades iniciou, quando já bispo da Diocese de Bragança, a Escola para Coordenadores, a EFAC. Queria que os seus leigos e leigas soubessem das coisas de Deus de forma mais profunda para comunicá-las melhor. E foi assim que umas centenas de homens e mulheres participaram dos cursos formativos no atual centro de treinamento mais conhecido como EFAC

Mas Dom Miguel não foi somente um organizador. Foi também um grande homem de Deus. Está certo fazer, construir, organizar. Mas para um sacerdote e para um bispo tudo isso tem sua base, sua origem: Deus.

A Moisés, diz a Bíblia, Deus falava como a um amigo. Eu não sei se isso aconteceu com Dom Miguel. Tenho, porém certeza que Dom Miguel procurava Deus como se procura um amigo. Em várias conversas, que ele logo desviava para a brincadeira, isso transpareceu claramente. Era muito comum encontrá-lo na capela a rezar. Foi no trajeto do quarto dele até a capela que se sentiu mal no dia 19 de novembro, às quatro horas da madrugada. Ia fazer o que nestas horas na capela? Ia rezar. Como de costume. Para ter todo o tempo livre, em seguida, para os seus doentes. Rezava. Rezava muito. Para todas as necessidades das pessoas que se confiavam às suas orações: pelas irmãs, pelos sacerdotes, pelo bispo (quantas vezes me falou isso). Enfim qual pessoa foi pedir a ele orações e não foi atendida?

E quem não se lembra da sua devoção ao celebrar a Eucaristia? Era muito exigente, mas isso mostrava a importância que ele dava à Missa e tal atitude severa queria ser incentivo para que também outros tributassem a mesma devoção para tão sublime sacramento. E para fazê-lo apreciar pelos diocesanos, na ocasião do Congresso Eucarístico de 1953 foi ele que, revezando-se com mais dois confrades, andou em todos os lugares da Prelazia para realizar missões eucarísticas. Suas visitas ao Santíssimo Sacramento eram frequentes e prolongadas: sinal da familiaridade profunda com Deus de que falava antes.

O terço, sinal da piedade filial de Dom Miguel para com Nossa Senhora, não saia de suas mãos e fazia questão de rezá-lo completo todo dia.

Era sempre disposto a atender os penitentes quando pediam a absolvição dos seus pecados. “Não quero ser castigado por não ter atendido alguém em confissão quando me apresentar diante de Deus”. Passando nas enfermarias do hospital, sempre que era possível, confessava os penitentes; e quando não era possível, incentivava aqueles que não podiam aproveitar da misericórdia de Deus, e aos relapsos não deixava faltar sua reprovação, mas também sua força, encorajamento e conforto.

Mediante a Renovação Carismática Católica, que procurou por muito tempo, teve um grande encontro com o Espírito Santo. O próprio Espírito se tornou inspirador do seu episcopado e fonte de inspiração de todas as iniciativas que realizou. “In Spiritu Sancto” mandou escrever no seu escudo. Tudo, de verdade, fez no Espírito Santo.

Podemos ver este Espírito presente nos treinamentos dos líderes do SERB; nas inúmeras palestras que ministrou a grupos e pastorais; na inspiração formativa para com seus padres e seminaristas; nos livros catequéticos que escreveu; nas discussões com protestantes para convencê-los da verdade do Evangelho.

Dom Miguel é santo? Não foi isso que quis dizer. Pois tal juízo pertence a Deus que o manifesta através de sua Igreja. Eu somente queria dizer que nós bragantinos temos uma enorme dívida de gratidão para com este homem, com este missionário Barnabita, com este bispo. Ao chegarmos aos quatrocentos anos de vida da cidade de Bragança, podemos certamente colocar entre as pessoas ilustres desta cidade, além de dom Eliseu e tantos outros, mais um herói: Dom Miguel.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Cerimônia de Exéquias de Dom Miguel Maria Giambelli – Bispo Emérito de Bragança do Pará

“Elogiemos os homens ilustres, nossos antepassados. Foram honrados por seus contemporâneos e glorificados já em seus dias. Os povos proclamarão sua sabedoria, e a assembleia anunciará os seus louvores!” (Eclesiástico 44,1.7.15)

Na manhã de 27 de dezembro de 2010, no Ginásio Poliesportivo Dom Eliseu Maria Coroli, em Bragança, foi celebrada a Missa das Exéquias do Bispo Emérito de Bragança, Dom Miguel Maria Giambelli.

A missa foi presidida pelo Bispo Diocesano, Dom Luís Ferrando, e concelebrada por Dom Jesus Berconces (Bispo de Cametá), Dom Carlos Verzelleti (Bispo de Castanhal), Dom Pedro José Conti (Bispo de Macapá), estes – respectivamente - Presidente, Vice-Presidente e Secretário da CNBB – Regional Norte II. Concelebraram também Dom Vicente Joaquim Zico, Arcebispo Emérito de Belém do Pará, e Dom Flávio Giovenale, Bispo de Abaetetuba. Concelebraram ainda o Pe. Giovanni Maria Incampo, Superior Provincial dos Padres Barnabitas da Província Norte do Brasil, e vários confrades barnabitas (Congregação à qual pertencia Dom Miguel), além de muitos padres diocesanos do Presbitério de Bragança e Sacerdotes dos cleros de outras dioceses do Pará. Numerosas eram as Religiosas das Congregações: Irmãs Missionárias de Santa Teresinha, Angélicas de São Paulo, Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus. Inúmeros Leigos e Leigas, de Bragança e de várias cidades do Pará lotavam o Ginásio.

Em sua homilia, Dom Luís traçou o perfil histórico-biográfico do Bispo falecido, e comentou aspectos de grande relevo de sua figura de religioso, sacerdote e pastor diocesano: amor total a Cristo, à Igreja e aos homens que lhe foram confiados por Deus. Destacou suas obras pastorais e evangelizadoras, seu caráter firme e suas virtudes humanas e teologais. Por duas vezes em sua homilia, o Bispo Diocesano proclamou que, ao se preparar para a celebração dos 400 Anos, Bragança deverá colocar em justa evidência o heroísmo de Dom Miguel, pelo bem que fez à região nos mais de 60 anos em que viveu nas terras bragantinas.

Ao final da missa, Pe. Gerenaldo, Vigário Geral da Diocese, leu as mensagens enviadas pelas Autoridades locais e pelo Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta. Também o Secretário Geral da CNBB, de Brasília, Dom Dimas Lara Barbosa, enviou mensagem de condolências ao Bispo Diocesano, aos Padres Barnabitas e aos Diocesanos de Bragança por ocasião da morte de seu Bispo Emérito.

A seguir, Dom Luís e os Bispos presentes fizeram as orações exequiais, incensação e aspersão com água benta do corpo de Dom Miguel. Os Sacerdotes tomaram o féretro e o levaram em procissão até à viatura do Corpo de Bombeiros. Daí em diante, em procissão solene, com orações e cantos, todos se dirigiram pelas ruas até à Catedral de Bragança.

Era meio-dia a hora em que foi sepultado o corpo de Dom Miguel na Capela Mortuária dos Bispos, sob grande comoção e aplausos de todos.

Bragança, 28 de dezembro de 2010.

Pe. Aldo Fernandes

Secretário Diocesano, CNBB – Regional Norte II

P.S.: Texto publicado com autorização expressa de Dom Luís Ferrando, Bispo Diocesano de Bragança/PA ao blog do Prof. Dário Benedito Rodrigues.

Imagens dos funerais de Dom Miguel Maria Giambelli

P.S.: Publicação com autorização expressa de Dom Luís Ferrando, Bispo Diocesano de Bragança/PA ao blog do Prof. Dário Benedito Rodrigues.

Beth Nonato (*07.05.1948, +28.12.2010)

Com imenso pesar e saudade, registro o falecimento de minha querida prima Maria Elizabeth Nonato da Silva (*07.05.1948, +28.12.2010), ocorrido às 02h30 de hoje, 28.12.2010, em Belém/PA. Dindinha Beth, como a chamávamos carinhosamente - eu e meus irmãos, mesmo sendo ela a madrinha de Batismo de Danilo Augusto - marcou nossa trajetória de vida em muitos momentos, desde a infância, com seu jeito amoroso e peculiar de falar, sorrir, aconselhar e até mesmo de compartilhar as tristezas. Nunca deixou de amar, por isso será inesquecível para nós e para os que tiveram a oportunidade de conviver com ela. Suas surpresas e sua presença no Natal serão lembradas como marcas desse amor. Sua presença estará na memória de todos nós, seus familiares e amigos. Beth enfrentou muitos momentos difíceis, lutando como uma brava guerreira, com sua fé inabalável e seu espírito resignado, sempre entregando-se a Deus, a Maria nossa Mãe e à valiosa intercessão de São Benedito, festividade que acompanhou neste ano de 2010, aqui em Bragança. Nossas condolências à tia Ana Reis Silva, aos primos Altamirando (Shell), Ana Lúcia, Edu Filho (Edinho) e Rui Douglas e suas famílias, e especialmente ao primo Paulo Victor, filho de Beth, que soube cuidar e acompanhar com todos os méritos e amores a vida de nossa querida Beth. A ele nosso abraço fraterno e nossa oração comovida. O velório de Beth Nonato está sendo realizado na Igreja dos Capuchinhos, em Belém/PA e seu sepultamento ocorrerá às 09h no Cemitério Recanto da Saudade, região metropolitana da capital.
Foto: Beth Nonato. Acervo pessoal.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Dies Natalis (dia do nascimento para a Vida Eterna) de Dom Miguel Maria Giambelli, por Pe. Aldo Fernandes

“Viver pra mim é Cristo e morrer é lucro” (Filipenses 1,21)

Hoje, 26 de dezembro de 2010, Festa da Sagrada Família, um dia após o Natal do Senhor, Dom Miguel Maria Giambelli, bispo emérito da Diocese de Bragança, foi chamado de volta à Casa do Pai.

Aos 90 anos, Dom Miguel faleceu às 8h da manhã, em virtude de parada cardio-respiratória, no seu amado Hospital Santo Antônio Maria Zaccaria, onde viveu como Bispo emérito por quase 15 anos, em generosa e edificante dedicação aos doentes, visitados leito a leito diariamente, recebendo consolação, perdão, Unção e especialmente a Eucaristia, num trabalho silencioso e digno de louvor no anúncio do Evangelho de Cristo Redentor.

Nascido na cidade italiana de Flero, a 23 de março de 1920, e ordenado padre barnabita a 4 de julho de 1943, o Pe. Miguel Maria Giambelli veio ao Brasil como missionário ainda muito jovem, para compor a equipe de missionários que assumiu a recém criada Prelazia do Guamá, confiada pelo Papa à Congregação dos Clérigos Regulares de São Paulo (Barnabitas). Assumiu os cargos de Vigário da Basílica de Nazaré, em Belém, e Vigário Geral da Prelazia do Guamá.

Capitaneado pelo grande Bispo Missionário, Dom Eliseu Maria Coroli, juntamente com seus confrades barnabitas, Pe. Miguel Giambelli foi o coordenador das atividades pastorais que, aos poucos, geravam a futura Diocese de Bragança.

Homem de ampla cultura, organizador nato, de firme caráter e excelente doutrina, zeloso em seu ministério sacerdotal, Pe. Miguel foi se destacando no que empreendia: Santas Missões Eucarísticas, organização das pequenas comunidades, colocação dos radio-postos para a transmissão radiofônica da Missa e da Catequese aos longínquos pontos da Prelazia, a promoção vocacional das Irmãs Missionárias de Santa Teresinha e dos futuros sacerdotes barnabitas e diocesanos, o Seminário Santo Alexandre Sauli, a implantação do Sistema Educativo Radiofônico de Bragança – SERB, novas paróquias, projetos de desenvolvimento de cooperativas e formação de lideranças comunitárias, publicação de Catecismos da Iniciação Cristã, Catecumenato Apologético e Orientações Pastorais de Lideranças Comunitárias, além de Assembléias Pastorais e freqüentes visitas às Paróquias, tudo feito em cooperação com Religiosas e Leigos por ele bem orientados.

Tornando-se Dom Eliseu bispo prelado emérito, a partir de 1977, Pe. Miguel foi designado pelo Papa como Administrador Apostólico da Prelazia do Guamá, no imediato advento de sua elevação à condição de Diocese.

A 15 de junho de 1980, o Papa João Paulo II elevou a Prelazia do Guamá à condição de Diocese de Bragança, nomeando Pe. Miguel Maria Giambelli como seu primeiro Bispo Diocesano. Com o lema episcopal in Spiritu Sancto (No Espírito Santo), por 16 anos (1980-1996), Dom Miguel desempenhou seu ministério episcopal com ardor missionário, fidelidade a Cristo e à Igreja, podendo já ver os frutos do seu trabalho: o Seminário Paulo VI, do qual surgiram aos poucos seus mais de 30 sacerdotes diocesanos ordenados por ele, a construção do Centro Pastoral Guadalupe e a implantação da Escola de Formação de Animadores Comunitários - EFAC, crescimento de novas paróquias, chegada de novas Congregações Religiosas femininas e masculinas, padres Fidei Donum (Dom da Fé), oriundos das Dioceses italianas de Brescia, Piacenza, e da diocese brasileira de Bragança Paulista, além de Leigos e Leigas Missionários. Coube a ele também os preparativos do Processo de Beatificação do seu predecessor, Dom Eliseu Maria Coroli.

Concluído o seu fecundo período de governo pastoral na Diocese de Bragança, Dom Miguel escolheu de morar e trabalhar no Hospital Santo Antônio Maria Zaccaria, em Bragança, e assumiu outra fecunda e exemplar modalidade de vida pastoral: oração, visita e assistência espiritual e pastoral aos doentes, publicações de panfletos evangelizadores para a formação dos funcionários e todos os que freqüentavam as Missas por ele celebradas diariamente na Capela do Hospital.

Durante o período no Hospital, Dom Miguel viveu pobremente, nada exigindo para seu conforto, acolhendo aos inúmeros fiéis que o procuravam sobretudo para celebrar a Reconciliação e ouvir seus conselhos, confiado inteiramente às mãos da Mãe da Divina Providência, a quem se devotou como religioso barnabita, num alegre convívio com as Religiosas, os Médicos, Enfermeiros e demais Funcionários do Hospital Santo Antônio, que tanto o apreciavam, como ele mesmo se intitulava: o amigo dos doentes”. Ele mesmo justificou esta sua opção de vida: desde o meu primeiro dia aqui no hospital, o empenho que assumi foi o de visitar cotidianamente todos os doentes. Isto que eu tento fazer com meus pobres irmãos, e particularmente com os analfabetos na fé; é procurar convencê-los quanto Deus lhes ama e quanto Ele quer ajudá-los para aliviar seu sofrimento. E encher seus corações de santa alegria, mas depende deles permitirem que Deus atue como Pai e Salvador.

Após completar 90 anos de vida, e já debilitado pelas doenças vasculares, Dom Miguel sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) no dia 19 de novembro de 2010, sendo internado no Hospital Santo Antônio. Evoluindo para pior, Dom Miguel veio a falecer por parada cardio-respiratória a 26 de dezembro de 2010, às 8h da manhã. O corpo de Dom Miguel será sepultado na capela mortuária dos Bispos, que está na parte posterior do altar-mor da Catedral de Nossa Senhora do Rosário, em Bragança, ao lado do túmulo do Servo de Deus, Dom Eliseu Maria Coroli, aberta à visita dos fiéis.

Os Bispos do Regional Norte II da CNBB, a Diocese de Bragança, na pessoa seu atual Bispo Diocesano, Dom Luís Ferrando, sucessor de Dom Miguel, a Congregação dos Barnabitas, os Sacerdotes, Diáconos, Religiosos, Religiosas, e todos os demais Fiéis Leigos e Leigas que o conheceram ou com ele conviveram, elevam a sua gratidão ao Pai Celestial (como carinhosamente costumava chamar a Deus Pai), a Cristo Jesus – de quem Dom Miguel foi o arauto em terras bragantinas, ao Espírito Santo, a quem ele levou tantos a se converter e viver de vida espiritual dedicada: exemplo de vida pastoral como religioso, sacerdote e bispo, todos nós temos muito a aprender de sua fidelidade a Cristo e à Igreja e agradecer pelo bem que nos fez. Do Céu, após ter vivido para Cristo e ter a morte por lucro, Dom Miguel interceda por seus filhos que o pranteiam, enquanto peregrinam a caminho do Reino Eterno de Cristo Jesus.

Pe. Aldo Fernandes

Secretário Diocesano / CNBB - Regional Norte II

Fonte:

http://www.diocesedebraganca.com/site2/home/noticias/330-falecimento-de-dom-miguel-maria-giambelli.html

Imagens da Festa de São Benedito e Marujada em Bragança 2010

São Benedito e Marujada em Bragança, fé e cultura - Alguns comentários

O dia de homenagens ao Glorioso São Benedito em Bragança, Pará, foi marcado pela emoção e pelo sentimento de fé aliado a uma manifestação cultural característica e autóctone. 26 de dezembro em Bragança é feriado. Uma festa que marcou o ano de 2010 e que confirmou de forma inconteste (e para os muitos desavisados!) a poderosa e firme posição de São Benedito no coração do povo bragantino. Com vários eventos e de um jeito diferente e renovado, a festa foi conduzida por uma nova diretoria que alcançou alguns méritos neste ano.
O arraial e o camelódromo foi organizado na orla do rio Caeté, abaixo da Praça Fernando Guilhon e com acesso irrestrito, assim como o parque de diversões. A parte do largo de São Benedito, tanto em obras como o entorno da Igreja foi totalmente esvaziado de camelôs e outras vendas, subsistindo apenas os bares instalados.
A banda Cantídio Gouveia, "a Furiosa de Bragança", respeitando a memória e o passado (não usarei em algumas questões e eventos da festa o termo/conceito de tradição por um cuidado teórico), presenteou o público com belíssimas apresentações. No Salão Beneditino que está em construção, shows de artistas locais todas as noites com a participação tímida de bragantinos, mas que vai marcando o local como representativo. O público bragantino em geral (bem no geral mesmo) ainda não valoriza sua musicalidade. Isso precisa ser revertido na Educação, em geral (novamente).
Sobre a festividade, não irei fazer um balanço, mas aponto questões fundamentais para a informação dos leitores e amigos do blog, como:
a) A confecção de 10 (dez) novos estandartes e suportes em madeira doados por famílias devotas de São Benedito;
b) A reforma e reconstrução do Salão Beneditino, obra iniciada pelo Pe. Gerenaldo Messias (vigário geral) e que já conta com todos os doadores dos quadros de história de Bragança e de São Benedito, que eu contatei ao longo dos meses de outubro e novembro;
c) A ornamentação deixou a Igreja bonita e singela ao bom estilo beneditino;
d) O passeio, tráfego de veículo e pedestres, no entorno da Igreja precisa ser repensado, em prol de todo o evento;
e) Os artistas e artesãos deram um show à parte com todas as suas obras direcionando esforços e homenagens à cultura bragantina e à festa de São Benedito;
f) Os juízes Karlos Eduardo (Kadu) e Simone Tuma fizeram brilhar as suas devoções com almoços bastante concorridos por marujos, marujas e correligionários;
g) A melhora na aparência da cidade em questão de limpeza foi razoável;
h) As liturgias foram bem celebradas e animadas, com destaque ao som beneditino característico, cantores e instrumentistas, no coro da igreja como era antes;
i) A Marujada esteve bem representada por marujos/as de Bragança e os de outras cidades;
j) As bandeiras nas cores da Marujada voltaram a ser confeccionadas mas não estavam nos lugares planejados;
k) A participação do povo católico foi excelente;
l) A procissão foi uma das maiores dos últimos dez anos, pena que por falta de energia elétrica e não por falta de empenho, a sonorização ficou a desejar, pois não hove condições de teste em tempo;
m) A missa da chegada da procissão foi lindíssima em todos os pontos e o povo confirmou, como falei anteriormente, o amor e a devoção por São Benedito, marujo de fé, que abeçoou mais uma vez a nossa cidade.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Dom Miguel Maria Giambelli (*1920, +2010)

Em uma data que ficará marcada para a posteridade, por ser o dia dedicado a São Benedito e feriado municipal desde 1960, Bragança reverencia a memória de seu primeiro bispo diocesano e bispo emérito de Bragança, Dom Miguel Maria Giambelli (CRSP), falecido hoje (26.12.2010), pela manhã, num apartamento especialmente preparado com leito de UTI no Hospital Santo Antônio Maria Zaccaria.
Dom Miguel presidiu a Diocese de Bragança de 1980 a 1996, ano da posse de Dom Luís, seu sucessor, quando renunciou por idade, dirigindo-se ao Hospital Santo Antônio, que o acolheu como Capelão, onde desenvolveu um trabalho de evangelização junto a doentes. O bispo italiano foi vítima de um acidente vascular cerebral que o debilitou ao estado de coma na primeira quinzena do mês de novembro.
A notícia de seu falecimento foi dada por Dom Luís Ferrando, bispo diocesano atual, ao final da missa da Festividade do Glorioso São Benedito de Bragança. Autoridades, correligionários, clérigos, religiosas, instituições, escolas e poderes públicos constituídos deverão dedicar luto oficial por sua morte.
Tive o privilégio concedido pela Igreja de visitar Dom Miguel em seu leito, onde agradeci (mesmo estando ele inconsciente) pelas longas conversas e preciosas entrevistas ao longo das pesquisas que desenvolvi em torno do culto a São Benedito em Bragança no século XX.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Marujada de São Benedito: jóia cultural de Bragança e Patrimônio do Pará (reedição)

Fundada em 03 de setembro de 1798, por iniciativa de escravos da Vila de Bragança, a Irmandade do Glorioso São Benedito (e conseqüentemente a Marujada) e toda a Festividade estão intimamente ligadas às principais tradições religiosas e culturais do povo bragantino. Tanto que em todos os lares a devoção a São Benedito começou a se firmar como sua maior. No início do século XX aconteceu o processo de embranquecimento, pela entrada de brancos ao seu quadro de irmãos. Teve como documentos principais os Compromissos, próprios das antigas irmandades religiosas. E seus rituais divergem das variações existentes no Brasil, com nomes como Fandango, Barca, Chegança de Marujos. Não podendo ser dissociada do aspecto sagrado e devocional, mas fazendo parte dele, existe uma delimitação do espaço sagrado (com missa, novena e procissão) e do profano (com a dança, cavalhada, leilão, almoço) num sistema de representações bastante peculiar. Os atos religiosos eram realizados pelos padres da Diocese de Bragança. É a principal contribuição religiosa, histórica e folclórica do Nordeste paraense.

Esmolação

Conjunto de atos religiosos realizado por três comitivas de esmoleiros que percorrem as regiões dos Campos, Colônias e Praias, circunvizinhas a Bragança e outros municípios, angariando esmolas e ofertas para a Festividade. É, em muitos casos, a única presença religiosa nas localidades mais distantes da sede do Município. Cada comitiva de esmoleiros trajando opas, leva uma imagem de São Benedito, instrumentos musicais, bandeiras e executam um conjunto de canções orantes em latim, ladainhas e folias de homenagem a São Benedito, de acordo com um calendário de visitas nas casas de devotos, que pagam suas promessas hospedando e alimentando os esmoleiros.

Hierarquia – Comando das Marujas

A Marujada tem uma hierarquia que demarca significativamente os espaços entre homens e mulheres, enaltecendo a figura feminina da maruja como mais importante em todos os eventos da Festividade. A principal autoridade da Marujada é a Capitoa, de cargo e função vitalícia, que disciplina e comanda as demais marujas, numa inversão social própria do período e bastante peculiar nos cultos afro-brasileiros de resistência à escravidão e submissão das mulheres. Existem ainda outros cargos como Vice-capitoa, Capitão e Vice-capitão. As mulheres são as figurantes principais da Marujada e desde o dia de Natal – vestidas de azul, para o Menino Jesus – e no Dia de São Benedito – com traje oficial em vermelho – impostam seus chapéus turbantes de penas brancas, aba dourada, pequenas flores vermelhas e enfeites dourados ao redor, terminando com fitas coloridas.

Vestidos do Menino Jesus de São Benedito

Como uma das heranças de tradição colonial, as imagens eram vestidas e ornadas com os mais valiosos tecidos e roupas. Para a imagem do Menino Jesus, carregado por São Benedito, desde muitos anos, são confeccionados vestidos, como pagamento de promessas, dos mais variados modelos e valores. Um grande conjunto deles é exposto à visitação dos devotos na Igreja de São Benedito em Bragança.

Cavalhada

Tem como tema principal a influência cristã, um dos eventos da Festividade de São Benedito, lembrando o combate entre cristãos e mouros nas batalhas medievais por territórios sagrados. É composta apenas por cavaleiros e suas montarias, que disputam argolinhas nas cores azul e vermelha. Vence quem conseguir alcançar o maior número delas.

Danças da Marujada

As danças executadas por marujos e marujas compõem uma parte do ritual, como forma de agradecimento ao Santo por graças alcançadas.

a) Roda: dança que inicia e termina todo o ritual da Marujada, como forma de comemoração e agradecimento, apenas com as marujas em círculo, tendo ao centro, a Capitoa e a Vice-capitoa. É o ritual coreográfico de dança que inicia e termina todo o ritual maior da dança, como conjunto. A roda reflete e revive de forma expressiva a origem da festa, pois, nela, constituída em círculo apenas por marujas, pedem licença simbolicamente aos presentes e as autoridades para dar início a dança, assim como há quase dois séculos os escravos pediam permissão aos seus senhores para dançar de casa em casa, segundo a tradição. A roda também é executada na alvorada do dia 18 de dezembro e no encerramento da festa.

b) Retumbão: com o ritmo do lundu de origem afro-brasileira, dançado em dois casais, sendo a mais importante dança do ritual. Chorado, com o mesmo ritmo lundu em um tom musical abaixo do retumbão, dançado em par, onde os marujos iniciam o ritual tirando uma maruja pra dançar, por ordem de hierarquia. segundo ritual da dança, onde se já se contempla a figura (presença) do marujo como a de principal agente já que o capitão e vice-capitão iniciam a coreografia e “chamam” suas parceiras por hierarquia, Capitoa e Vice-capitoa, respectivamente. A presença masculina ressurge a primeiro plano, já que é condição necessária para seu início, sendo encerrado pelos mesmos casais que deram início à dança. Segundo Armando Bordallo da Silva (1981), as mulheres sobressaem-se melhor que homens nesta dança. A maruja para exibir sua agilidade, costuma a um descuido do cavalheiro metê-lo debaixo do rodado de sua saia, quando isso acontece, dificilmente o dançarino volta ao salão.

c) Chorado: Terceira representação, se constitui na verdade, numa variação do Retumbão, sendo dançado sob uma maior suavidade e lentidão dos passos e do tom, apenas por um casal, livremente escolhido e com alternância a cada final de dupla.

d) Xote: como a principal expressão de dança característica da cidade de Bragança, se incorporou à Marujada por seu significado popular, sendo de origem européia. Uma das danças incorporadas à Marujada pelos aristocratas senhores de escravos. Acoplou-se à Marujada, com variações coreográficas. Teve origem, segundo Aurélio Buarque de Holanda, certamente na Hungria, e mobiliza a maioria dos presentes no barracão, quando da sua execução e início e de forma mais tensa alcança o frenesi com alteração rítmica com que é tocado ou dançado.

e) Mazurca:de origem européia, foi introduzida nos salões pelos brancos, formada por pares de casais, livremente dispostos em fila. Mazurca: Trata-se de uma dança popular polonesa, originalmente cantada e dançada, em compasso ternário. A diferença da mazurca polonesa para a mazurca dançada pela Marujada está no ritmo. Na primeira o compasso é lento, na segunda é ritmado, por ser primitivo e de origem africana. A parte mais atraente da mazurca consiste nos seus movimentos ritmados de dois passos à frente e dois passos atrás, os quais são parecidos com o movimento das ondas do mar que avançam sobre a areia da praia e retornam ao mar. A medida que dançam, deixam transparecer a vibração de seus corpos. Na Mazurca, cavalheiros e damas com os braços envolvidos na cintura um do outro, formando um par saltitante, executam passos ligeiros, dois à frente e dois atrás. Nesse vai e vem, os pares volteiam o salão formando um círculo. A mazurca é comparada pelos próprios marujos como uma dança sensual, que expõe o sentimento, atingindo, inclusive um clímax, que se dá na aceleração do ritmo pelos tocadores.

f) Valsa: também de origem européia, introduzida no ritual pelos brancos, composta por casais livremente dispostos. A valsa se incorporou à Marujada. Assumindo certa variação no que se refere à forma de dançar, se opõe ao ritmo frenético da Mazurca por tons calmos, em círculo, por pares deliberadamente formados ( homem -mulher, mulher-mulher).

g) Bagre (ou Contra-dança): uma das mais populares e prazerosa, tendo a frente um marcador que por casais, imita uma quadrilha, também não citada por nenhum outro autor. É a única em que percebemos a presença do presidente da Marujada. É composta por casais formados livremente. Dançada também em círculo, cada par tem que decorar o lugar e o parceiro ou parceira e não errar o compasso marcado pelo mestre da dança , que é o presidente da Marujada, que acalma os sacolejos e balanços de ida e volta ao centro do salão e volteios com a troca de pares, em seqüência. Só se dança a contradança, pelo menos é o que se percebe, em momentos festivos ou em ocasiões de lazer de seus membros, para espairecer dentro do conjunto de outras danças. O Bagre é pouco conhecido, e segundo Armando Bordallo, o ritmo é parecido com o ritmo de uma quadrilha, dançado em roda. Os pares formam círculo e o narrador comanda, determinando os passos. Os pares, vão até o centro do círculo e voltam à posição inicial, fazem trejeitos e coreografia ao som da voz do marcador.

h) Arrasta-Pé: Nunca citado por nenhum autor que estudou as manifestações da Marujada. Outra dança, bastante difundida e não registrada em nenhuma obra. Configura-se sem anacronismo, como o nosso atual forró, dançado quase da mesma maneira popularmente conhecida nos salões de festas comuns.

Rituais

a) Almoço: É resultado do pagamento de uma promessa que seu organizador, no caso juiz ou juíza, fizeram ao Santo e todo juiz ou juíza tem esse compromisso em oferecer o almoço para a Marujada, um no dia 25 e outro no dia 26 de dezembro. Percebe-se no ritual do almoço, que a figura da maruja é posta a segundo plano, quando da disposição das mesmas à mesa, sendo primeiro as autoridades, juizes ao centro da mesa, convidados e personalidades e nas laterais os marujos, configura-se, portanto, a presença de uma hierarquia. A situação já foi bastante diferente quando o serviço da cozinha-cardápio- era diferente para estas facções. Ser juiz ou juíza da Marujada, corresponde ter um certo poder aquisitivo, pois as despesas não são poucas, atualmente os juizes contribuem também com a festividade, sendo patrocinadores.

b) Bendito: Reza em louvor a Deus e a São Benedito, em agradecimento pela alegria e fartura das refeições ou de qualquer outro ritual. É o canto “Benedictus”, em latim, tirado da tradição da Igreja Católica. É cantado nos “lanches” dos dias de alvorada e oferecido nos dias 18 de Dezembro, nos almoços dos dias 25 e 26 e no dia 1º de Janeiro, pela manhã.

c) Leilão: Conforme a tradição, o “leilão do Santo”, realiza-se no dia 26 de Dezembro, no barracão da Marujada. Este acontecimento dentro da festividade corresponde a um cerimonial de trocas entre o promesseiro e São Benedito, em favor de graças alcançadas. Os devotos, durante o “serviço de esmolação”, comprometem-se em levar sua “esmola” para o leilão. Estas são levadas na véspera por alguns devotos, em muitas ocasiões, as “esmolas” chegam momentos antes do início do leilão, e às vezes até durante a sua realização. E estas apresentam uma diversidade muito grande, por exemplo: são leiloados desde cachos de pitomba até animais de porte como garrotes, porcos, cabras, etc. A clientela do “leilão do Santo” é formada por pessoas dos mais diversos níveis sociais. Atualmente a Paróquia executa e organiza o leilão, existe uma diretoria que cuida desta parte, porém antigamente o leilão ficava a critério da Irmandade do Glorioso São Benedito de Bragança.

d) Cavalhada: De acordo com a tradição, a Cavalhada é um jogo que rememora a luta entre cristãos e mouros. Quando o auto popular, entre cavalheiros, chegou a Bragança, já foi incompleto. Algumas características que permaneceram foram as disputas das argolinhas. Antigamente na Cavalhada, existia apenas uma corrida sem competição, com a participação de cavalheiros, onde inclusive a maioria pertencia ao interior, com o passar do tempo, o número de participantes aumentou, principalmente, se pode perceber a participação em maior número das pessoas da cidade e de outros lugares, atualmente a diretoria da Irmandade, através de patrocínios, angaria prêmios para o primeiro colocado. Os prêmios variam. Muitas das vezes, o prêmio é designado ao próprio cavalo. Na Cavalhada, cavalos e cavaleiros desfilam em saudação às autoridades, depois voltam à posição inicial, em desabalada carreira, saem às duplas, uma após outra, a seguir, novamente, aos pares, partem os cavaleiros abraçados até o fim. Terminada esta primeira fase da exibição, dá-se início ao jogo propriamente. Em velozes arrancadas, os cavaleiros levando na mão direita uma pequena lança de madeira, disputam uns após outros; quem consegue enfiar na lança o maior número de argolar. A Cavalhada realiza-se no dia 25 de Dezembro pela parte da tarde, na área próxima ao Aeroporto.

e) Arraial: Antigamente, percebia-se a presença de parques no arraial, atualmente deu-se lugar para apresentação de shows, com músicos da terra, denominada de noite cultural e feiras de artesanato, que comercializa produtos artesanais. Também encontram-se barracas com vendas de bebidas, refrigerantes, há também pipoqueiros, barracas de sorvetes, venda de comidas caseiras e jogos clandestinos.

f) Procissão: É na procissão que acontece o clímax da festa inteira. É nela que se vê de maneira corpórea a expressão da fé em honra a São Benedito por uma graça alcançada. Mesmo ocorrendo a cisão entre Irmandade e Prelazia (1947), na procissão, naquele momento tudo é esquecido, as antigas brigas, as divergências, todos estes personagens se unem para relembrar se auto afirmar como espaço de reprodução social e comemoração. Atualmente a procissão congrega a maioria da população bragantina e se constitui na maior representação de fé em Bragança. É maior que a procissão do Círio de Nazaré, em nossa cidade, e a extensão do seu percurso obedece ao itinerário proposto após 1988, que modificou o antigo cortejo. A procissão se estendia a uma quadra a mais da Alameda Leandro Ribeiro, no bairro da Aldeia, na Travessa Aureliano Coelho, interrompida com a interseção do prédio do Instituto Santa Teresinha. A procissão é iniciada pelo cruciferário (o que carrega a cruz), membro da Irmandade, do Santíssimo Sacramento e pelas enormes filas de marujos e marujas nas laterais, entremeadas de mais de seis estandartes em tons vermelho e branco com a insígnia de São Benedito e o menino Jesus, levado por marujos e marujas escolhidos. As filas de marujos e marujas são estabelecidas a fim de que se distribua melhor o espaço físico das ruas simétricas e estreitas de Bragança, auxiliada pelas organizações policiais, além de representar as estruturas que dominam o cenário da festa como padres, religiosos, Capitoa, Vice-capioa, juízes, autoridades, políticos. Na procissão observa-se a necessidade de se tocar ou até de se carregar o andar, beijar a fita de São Benedito, pagar promessa e agradecer ao Santo pela graça alcançada. A ordem da procissão é a seguinte:

1º) Cruciferário; 2º) Estandartes; 3º) Filas de marujos e marujas (maioria absoluta); 4º) Carros-som; 5º) Autoridades; 6º) Andor com a imagem de São Benedito e 7º) Povo em geral.

Instrumentos musicais

Rabeca, Banjo, Tambor, Reco, Pandeiro

Indumentária

Ainda com relação ao traje, as marujas usam uma blusa branco, toda pregueado e rendada e a saia, vermelha ou azul com ramagens nessas cores. A tiracolo, cingem uma fita vermelha ou azul, conforme a cor da saia e no peito ostentam uma rosa vermelha ou azul. Na cabeça ostentam um chapéu todo emplumado e cheio de fitas coloridas e no pescoço trazem colares coloridos e dourados com medalhas.

A parte mais vistosa dessa indumentária é o chapéu cuja base era feito de feltro, coco ou cartola. Os de fabrico moderno são de carnaúba, palhinha ou mesmo papelão. Seja qual for o material empregado na estrutura básica do chapéu, ele é forrado na parte interna e externa. A aba com papel dourado. Em torno formando um ou mais cordões em semicírculo, presos nas extremidades onde são colocadas voltas ou alças de casquilho dourado, prateado ou colorido. Entre as alças, por cima das voltas, são também colocados espelhinhos quadrados ou redondos.

No alto, plumas e penas brancas, formam um penacho. Da aba, na parte posterior do chapéu, descem ao longo da costa da maruja, numerosas fitas. O maior número ou largura de fitas, embora não indicando hierarquia era reservado às mais antigas.

Os homens vestem calças e camisas brancas, usam chapéu de palha e carnaúba, revestido de pano com a aba virada e fixa em um dos lados com uma flor de papel, artificial em plástico vermelho ou azul, de acordo com a saia da maruja. No braço esquerdo, amarram uma fita, com um laço.