quinta-feira, 25 de novembro de 2010

II Mostra Municipal das Ciências de Bragança

Participe da II Mostra das Ciências do Município de Bragança, organizada pela Secretaria Municipal de Educação, com o tema "Bragança 400 anos Tradição, Educação, Cultura e Arte", no dia 26 de novembro de 2010, na Sede W.T. Eventos (novo local).

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Instituto Santa Teresinha: 72 anos (1938-2010)

A história do Instituto Santa Teresinha e a da educação nas regiões de Bragança e do Guamá se confundem desde que a organização eclesiástica da então Prelazia de Nossa Senhora do Rosário do Guamá, administrada pelos padres Barnabitas, tendo à frente o Pe. Eliseu Coroli, que percebeu o enorme déficit educacional por que passava essa região nas primeiras décadas do século XX.

Imagem 1: Santa Teresinha, patrona e primeira “ecônoma” do IST. Fonte: Acervo pessoal

Para Eliseu Coroli a educação e a saúde foram questões preocupantes. Nascido na Itália, em 09 de fevereiro de 1900, em Castelnuevo (Piacenza), alimentou desde tenra idade o desejo de se tornar missionário. Aos 11 anos, ingressou na Escola Apostólica dos Padres Barnabitas, em Gênova, cumprindo as escalas normais de formação, chegando logo em 1917 a professar, em caráter perpétuo, seus votos. Daí, até se tornar sacerdote, faltava pouco. Foi ordenado presbítero em 15 de março de 1924, acoplando o nome “Maria” ao seu, como regra barnabítica. No mesmo ano, em dezembro, vem ao Brasil em missão, ficando no Rio de Janeiro até 1929, como Vice-reitor da Escola Apostólica dos Barnabitas naquela cidade, até ser destinado em 1930 como missionário para a Amazônia, na cidade de Ourém, no Pará. Em 1934, a sede da Prelazia é transferida para Bragança, sendo o Pe. Eliseu nomeado seu Administrador Apostólico. Finalmente, chega a Bragança em 05 de agosto de 1938. Dois anos depois, é sagrado Bispo, em 13 de outubro.

Ainda no início, somente com o talento de professores das primeiras letras, Dom Eliseu, sentindo a necessidade de irmãos religiosos que o ajudassem em tão árdua tarefa, mobiliza forças e muita persuasão no alcance das Irmãs do Preciosíssimo Sangue, que começam a trabalhar no mesmo ano.

A idéia da fundação de uma escola de formação de professoras, em Bragança, surgiu com a falta de pessoas que servissem de catequistas na região da Prelazia do Guamá. Seu primeiro passo de administrador apostólico concretizou a idéia de arranjar auxiliares que preparassem as novas professoras e catequistas. As irmãs Preciosinas, sem dúvida, foram de muita importância neste precioso trabalho.

Até que uma visita inesperada do Prefeito Augusto Corrêa, do Juiz Dr. Duarte Montenegro e do Sr. Lobão da Silveira, suscitou no Pe. Eliseu a árdua missão. Logicamente, prometeram-lhe todo o apoio necessário a essa investida. Viagens e visitas foram agenciadas. Dirigiu-se ao Interventor do Pará na época, Sr. José da Gama Malcher, requerendo a equiparação dos cursos Normal e Primário para a sua escola. Com a presença do Pe. Afonso de Giorgio, Vigário da Basílica e do Sr. Miguel Pernambuco Filho, Diretor de Educação, ficaram acertados detalhes de praxe a serem cumpridos, e o despacho favorável do então interventor foi publicado no dia 23 de novembro de 1938, data oficial de fundação do Instituto Santa Teresinha, então confiado à Administração Apostólica do Guamá.

Imagem 2: A Catedral de N. S. do Rosário tendo ao fundo o atual e ao lado o primeiro prédio onde funcionou o Instituto Santa Teresinha. Fonte: Acervo IST

A partir daí, a tarefa de Pe. Eliseu se tornou mais difícil. A manutenção da 2ª Escola Normal do Pará deveria ser uma cruz muito mais pesada. A constituição da primeira turma, a filosofia cristã, a formação cívica, respeitando a época e os costumes, o teor religioso do ensino e a obrigação em obter respostas favoráveis desses primeiros alunos, tudo se constituía num sonho que irá se tornar realidade quando da primeira turma de Normalistas sai também a primeira Missionária de Santa Teresinha, a recém-formada Prof. Edith Almeida de Sousa, também Co-fundadora da Congregação.

Pe. Eliseu começa a equipar o educandário com carteiras, móveis e infraestrutura possível naquele tempo, até comprar o prédio da Praça da Matrriz em 1939, onde seria a Escola Normal, confiada à proteção de Santa Teresinha, padroeira das Missões, e santa a quem Pe. Eliseu dedicava expressiva admiração.

A primeira prova da missão realizou-se em 07 de janeiro de 1939, com vinte candidatos. Já no dia 15 de fevereiro começaram as aulas nos cursos Primário e Normal, funcionando em locais diferentes, mas tudo sob os olhares das irmãs Preciosinas e do Pe. Eliseu.

Imagem 3: D. Eliseu, professores, irmãs e a primeira turma de Normalistas de 1943. Fonte: Acervo IST

Dessa forma, começou o primeiro ano letivo, com as matérias de Ditado / Leitura, Composição, Português, Aritmética, Geografia, História, Tabuada e Ciências, que correspondia ao currículo básico daquele tempo para as séries iniciais. Na segunda, terceira e quarta séries, as matérias eram Linguagem / Redação, Ciências, Ditado, Aritmética, Geografia, História, Geometria, Composição, Leitura, além de Catecismo. Quanto ao Curso Normal, as disciplinas eram Português, Geografia, Religião, Aritmética, Ciências, Prendas do Lar, Francês, Ginástica, Desenho e Canto.

Imagem 4: Quadro de formatura da primeira Turma do IST de 1943. Fonte: Acervo IST

Nesta situação, a Escola Normal passa mais um tempo, até que em 05 de julho de 1940, em meio a uma cerimônia magnânima, é lançada a pedra fundamental do prédio onde funciona o Instituto Santa Teresinha, construído graças a doações e esforços de Pe. Eliseu. Com as obras em andamento, a educação é desenvolvida nestes moldes apresentados. Em 1941, já se encontrava preparado o Curso Primário completo, com as suas três séries.

Imagem 5: Construção do atual prédio do IST. Fonte: Acervo IST

Em meados da 2ª Guerra Mundial, o prédio do Instituto Santa Teresinha é desapropriado para as instalações militares da 8ª Região Militar e do 35º Batalhão de Caçadores. Depois de desapropriado, terminado, vendido e pago, Dom Eliseu entrega o prédio ao Exercito, com muita tristeza, mas confiado na providência de negociações, como a da filha do Presidente Vargas, Ivete Vargas, que desfechariam na devolução do prédio ao já Bispo do Guamá, em 06 de março de 1944. Deste ano em diante, o Instituto Santa Teresinha passou a celebrar ininterruptamente as comemorações do mês de maio.

Mas antes disso, em 30 de dezembro de 1943, a primeira turma da Escola Normal recebe o grau de Professor. São eles, pela ordem do convite: Olgarina Vieira, Maria Letícia Sousa, Geralda Almeida, Wilson Sousa, Raimunda Fonseca, Irene Vasconcelos, Maria José Maia, Cirene Vasconcelos, Maria do Rosário Antunes, Arlinda Loureiro, Hilta Sousa, Margarida Pereira, Hilda Gomes, Maria Viganó (religiosa preciosina), Ana Marcy Oliveira, Zarife Sales, Ruth Pereira, Orlandina Lobão e Edith Almeida de Sousa.

E assim a educação de Dom Eliseu não parou mais. Seus cursos e necessidades de adequação de 1946 foram todos seguidos. Houve a organização do Curso Ginasial, também, em 1946, e a fundação da Congregação das Irmãs Missionárias de Santa Teresinha, em 1948, cujo reconhecimento oficial por Roma ocorreu em 1954. Tudo como resultado do processo formativo da primeira turma. O Colégio é, então, o berço das Missionárias de Santa Teresinha.

Imagem 6: D. Eliseu Coroli e Ir. Edith Almeida e Sousa no pátio interno do colégio. Fonte: Acervo IST

Com todas as suas obras, a ampliação do Instituto Santa Teresinha é iniciada, para atender a demanda que crescia na região. A entrega do quarteirão atrás do colégio e o fechamento autorizado da rua é de outubro de 1949. A nova ala só foi inaugurada, porém, em 1974, com todas as suas especialidades reconhecidas: Magistério, Técnico em Contabilidade, Técnico em Saúde, Curso Ginasial, Primário e Jardim de Infância. Imagem 7: Saída de um desfile da Semana da Pátria com alunos do IST. Fonte: Acervo IST

O Instituto Santa Teresinha nasceu sob a autoridade da Administração Apostólica do Guamá, logo depois Prelazia do Guamá. Em seguida, no ano de 1951, passa a ser propriedade da Congregação dos Barnabitas. Somente em 1966, o Superior Geral dos Barnabitas, Pe. Giovanni Bernasconi, doa o Instituto Santa Teresinha às Irmãs Missionárias, como forma de garantir a sustentação da congregação, e a título de justiça pelos seus relevantes trabalhos neste Colégio, que desde lá vem se esmerando na aplicação fiel da sua filosofia de que “educar não é somente instruir; é preparar para a vida!”, propósitos do próprio Dom Eliseu Maria Coroli, o grande responsável por essa obra magnífica nos rincões da Amazônia.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

I Ciclo de Debates sobre Igualdade Racial na UFPA Bragança

Professores(as) da Faculdade de História da UFPA Bragança promovem nos dias 18 e 19 de novembro de 2010 (quinta e sexta-feira, respectivamente) o I Ciclo de Debates sobre Igualdade Racial voltado à discussão de temáticas sobre a questão do negro e do indígena no contexto histórico e educacional brasileiro.
Os professores(as) participantes abordarão temas como o racismo, a escravidão, cultura e educação assim como nas mais recentes discussões sobre a implantação da Lei de nº 10.693/03 que torna obrigatório o ensino de História e Cultura afrobrasileira no Ensino Fundamental e Ensino Médio, assim como relembrarão o Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado no dia 20 de novembro.
Estendemos o convite a todos(as) os(as) profissionais e estudantes da História, das Humanidades e das áreas afins e disciplinas em geral para participarem do Ciclo de Debates, apresentando suas dúvidas, sugerindo e fortalecendo o diálogo acerca da Igualdade Racial e a aplicabilidade desse tema no contexto educacional de nossas Escolas e na vida quotidiana.
Inscrições no local, a partir das 18h., com vagas limitadas. Todos(as) os(as) participantes receberão certificado do evento. Participem!
Programação
Auditório Maria Lúcia Medeiros (UFPA Bragança), às 19h.
Dia 18 de novembro de 2010 (quinta-feira)
Mesa 1: Políticas Afirmativas, Cultura Negra e Educação
Prof.ª M.Sc. Luzanira Carneiro
Prof. M.Sc. Dário Benedito Rodrigues
Auditório Maria Lúcia Medeiros (UFPA Bragança), às 19h.
Dia 19 de novembro de 2010 (sexta-feira)
Mesa 2: Escravidão, Resistência e Identidade Negra
Prof.ª Dr.ª Eliane Soares
Prof. Dr. Ipojucan Campos
Prof.ª Dr.ª Eliana Ferreira
Organização: Prof. M.Sc Adílson Brito (UFPA Bragança), Prof.ª Dr.ª Eliane Soares (UFPA Bragança) e Prof. Dr. Ipojucan Campos (UFPA Bragança) e Graduandos(as) de História da UFPA Bragança.

Lions e LEO Clube de Bragança iniciam a 1ª Campanha Bomba Solidária 2010

Neste ano o Lions Clube de Bragança e o LEO Clube de Bragança realizarão a 1ª Campanha Bomba Solidária, com o objetivo de arrecadar fundos para o Natal Solidário 2010, numa cooperação mútua entre o Lions Clube/LEO Clube e a sociedade bragantina.

Seu Natal será uma Bomba de Solidariedade!

A campanha Bomba Solidária consiste no repasse integral de R$ 0,01 (um centavo de real) por cada litro de combustível vendido nos postos Ajurutea e Dom Eliseu (a princípio) no período de 12 de novembro a 30 de dezembro de 2010.

A abertura da campanha ocorreu no dia 12 de novembro de 2010 na Sede Casa do Leão (Av. Nazeazeno Ferreira, s/n, Centro), com a participação dos representantes do Lions Clube de Bragança, do LEO Clube de Bragança e dos Postos Ajuruteua e Dom Eliseu, que são parceiros do evento, assim como da Fila.Com, empresa que está apoiando toda a campanha.

Faça como esses/as parceiros/as e nos ajudem a divulgar essa campanha, colocando o banner da Campanha Bomba Solidária no seu site, blog ou portal para que juntos possamos encaminhar nossos/as amigos/as a participarem, somando esforços e energias em favor daqueles que precisam, não só neste Natal, mas durante o ano de 2011 da nossa força. E se você conhece alguém que queira aderir à Campanha, entre em contato com o Lions e LEO Clube de Bragança.

E se você conhece alguém que pode ajudar, nos ajude, repassando esse e-mail. E não esqueça, abasteça seu veículo num Posto Ajuruteua ou Posto Dom Eliseu, que são postos da Bomba Solidária 2010. É só R$ 0,01 (um centavo de real) para cada litro abastecido. A sua colaboração será repassada única e exclusivamente para essa finalidade, o Natal de famílias carentes.

Agradecemos a todos/as pela ajuda nessa campanha em prol do Natal de famílias carentes de Bragança. Lions e LEO Clube de Bragança

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Círio Musical & Cultural 2010 inicia hoje

“O Senhor fez em mim maravilhas, Santo é o Seu Nome"

Inicia hoje o Círio Musical & Cultural 2010. Uma programação inovadora de adoração e louvor a Deus por Maria preparada para toda a comunidade bragantina, com muita música, dança, animação, cultura e muita fé nas noites da semana do Círio de Nazaré em Bragança.

Uma estrutura de luz e som foi organizada para louvar a Deus e cantar as suas maravilhas. Participem.

Traga seus amigos e desfrute de noites de fé e cultura no Círio de Nazaré 2010, com shows e apresentações de músicos católicos de Bragança e de nossa Diocese. Abaixo a programação:

15 de novembro (segunda-feira)

- 20h45: Abertura com o Vigário da Catedral Pe. Gerenaldo Messias Bezerra de Carvalho

- 21h: Homenagem da Escola & Companhia de Dança CLIO

- 21h15: Show da Banda Arcanjos (rock católico), de Bragança

- 22h15: Apresentação Família Luz, de Belém

- 22h45: Show com o cantor Felipe Rosa

16 de novembro (terça-feira)

- 21h: Abertura dos Jovens de São Cristóvão, Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, do Bairro do Taíra

- 21h30: Show com o cantor Osvaldo Sodré, de Augusto Corrêa

- 22h15: Show com o Grupo Anjos Proféticos, do Festival de Calouros de Nossa Senhora do Rosário

17 de novembro (quarta-feira)

- 21h: Abertura com o MC Atalaia e MC Macarrep, do Grupo Espaço Cultura de Rua, do Bairro da Aldeia

- 21h30: Apresentação do repertório da Escola & Companhia de Dança CLIO

- 22h: Show com a Juventude Zaccariana, Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

18 de novembro (quinta-feira)

- 21h: Abertura com a Equipe Missa das Crianças, Paróquia de Nossa Senhora do Rosário

- 21h15: Apresentação do Ministério de Música Celebrando Pentecostes, da Igreja de São Benedito e Renovação Carismática Católica (RCC)

- 22h: Show do Grupo Amigos pela Fé, do Bairro da Aldeia

19 de novembro (sexta-feira)

- 21h: Abertura Banda Vedox, com alunos do Instituto Santa Teresinha

- 21h30: Apresentação da dupla Sales e Gutierre, de Castanhal

- 22h: Show com a Banda Ceifeiros, de Paragominas

20 de novembro (sábado)

- Após a Celebração Eucarística, saída da Imagem da Virgem de Nazaré da Catedral até a Capela de Santo Antônio, no Bairro do Alegre

- 21h: Show Mulheres de Nazaré, produção do Círio Musical & Cultural 2010

Observações:

1. Ao final de cada noite, haverá Benção com a Imagem de Nossa Senhora de Nazaré.

2. Ao lado da Catedral, a Comissão de Promoções e Eventos do Círio estará vendendo Comidas Típicas, após as Celebrações Eucarísticas.

Apoio Cultural:

Banco do Brasil S/A – Agência Bragança

Brashow Promoções e Eventos

Câmara de Dirigentes Lojistas de Bragança

Cláudio Abdon e Família

Escola e Companhia de Dança CLIO

Equipe Missa das Crianças

Fundação Educadora de Comunicação (Rádio e TV)

LEO Clube de Bragança

Lions Clube de Bragança

Ministério de Música Kairós

Ponto do Pastel

Renovação Carismática Católica de Bragança

Secretaria Municipal de Educação

Secretaria Municipal de Turismo

Sociedade Beneficente Artística Bragantina

Spaçus Modas

domingo, 14 de novembro de 2010

Círio de Nazaré em Bragança 2010

Um espetáculo de fé e de religiosidade em Bragança. Foram as marcas do Círio de Nazaré 2010. Que nesse ano incentiva o conhecimento e o amor pela História de Bragança. É certo que o Círio de Bragança carece de uma fonte escrita que dê conta da real data de sua origem em terras bragantinas. Considero a presença das ordens religiosas e dos períodos de permanência dos Vigários da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário em Bragança como uma possível vista dessa data de origem.

Já o disse, em postagem anterior, que a devoção e o culto a Nossa Senhora de Nazaré já aparece em documento do Ouvidor Geral Feliciano Ramos Nobre Mourão, de 29 de março de 1764, quando a extinta Igreja de São João Batista (igreja jesuítica, local do atual Cruzeiro da Aldeia).

Gostaria de ressaltar pontos importantes dessa manifestação religiosa para a apreciação de todos, já que nesse ano de 2010, o lema do Círio é “Mãe de Deus, ajuda-nos a amar a História de Bragança”.

Segundo relatos orais e conforme nos apontam seguras fontes jornalísticas, a mais famosa e participada festa mariana em Bragança era a de Nossa Senhora do Rosário, padroeira municipal e diocesana. Depois, com a valorização em nível estadual e regional do Círio de Nazaré na capital do Estado, a festa do Círio de Nazaré em Bragança tomou rumos novos e ganhou impulso com a destinação da Ordem dos Clérigos Regulares de São Paulo, CRSP, Padres Barnabitas para a administração da então Prelazia do Gurupi (depois do Guamá e hoje Diocese de Bragança) a partir de 1930.

Se Bragança possui um dos Círios do Pará mais festejados e antigos, isso se deve à organização dessa festa desses Padres Barnabitas que coordenaram as manifestações do catolicismo bragantino a partir da década de 1930 do século XX. Quem pesquisa essas fontes vai perceber a existência de cerca de pelo menos 03 (três) itinerários diferentes. O mais conhecido foi o que é hoje o percurso da Trasladação (do Instituto Santa Teresinha até a Igreja de São Benedito), pelo Centro comercial e pelo Centro histórico. Já na primeira década deste século, a mudança do itinerário correspondeu a uma vontade de abarcar a maior parte das comunidades paroquiais de Bragança, percorrendo cerca de 4 km em perímetro urbano de Bragança, abrangendo os bairros do Centro, Riozinho, Morro, Alegre, Cereja e Padre Luiz, retornando ao Centro. Atualmente o Círio de Bragança é considerado um dos três maiores do Pará graças à mobilização da comunidade bragantina e regional em seu entorno e à divulgação do evento.

Fatos históricos importantes para o Círio de Bragança e para a devoção nazarena em Bragança:

a) O Bispo Emérito de Bragança foi Vigário da Basílica de Nossa Senhora de Nazaré, Dom Miguel Maria Giambelli, que organizou, por exemplo, a descida da Imagem original do “Glória”, altar-mor da Basílica, em 1969, para ficar no presbitério da igreja. Na época, esse evento ainda era feito de forma simples, sem as pompas atuais.

b) Está sob a guarda da Diocese de Bragança a primeira berlinda em madeira do Círio de Nazaré do Pará, trazida de Belém pela Sra. Benedita (Beni) Ferreira.

c) Uma das réplicas da imagem original de Nossa Senhora de Nazaré encontrada por Plácido, foi feita em conjunto com a imagem que saui na procissão de Belém, chamada de Imagem peregrina. No ano de 1969, o então vigário Pe. Miguel Maria Giambelli (atual Bispo Emérito de Bragança) encomendou a peça do escultor italiano Giácomo Mussner, que fez em dois modelos. A de Belém foi escolhida sendo a imagem sem o talho do manto, ficando a segunda réplica com o talho do manto junto ao formato da imagem de Maria destinada a Bragança.

d) O Hino Virgem de Nazaré é originalmente um poema de autoria da poetisa paraense Ermelinda de Almeida, sendo musicado, por volta da década de 60 pelo Pe. Vitaliano Maria Vari, barnabita, que era Vigário de Bragança e professor no Instituto Santa Teresinha em Bragança.

e) A Guarda de Nazaré foi criada em 1974 pelo Pe. Giovanni Incampo, barnabita, que foi Vigário da Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro de Bragança e por muito anos provincial dos Padres Barnabitas no Pará.

f) A transmissão do Círio de Bragança pela Rádio Educadora de Bragança (inaugurada em 12 de novembro de 1960) é considerada uma das transmissões pioneiras para eventos dessa natureza, sendo uma idealização de Dom Eliseu Coroli, então Bispo Prelado de Bragança.

Imagens do Círio de Nazaré em Bragança 2010

Fonte: Acervo pessoal

sábado, 13 de novembro de 2010

Fala Maria, Mãe do Salvador / Mensagem do Círio 2010

FALA MARIA, MÃE DO SALVADOR

Meus queridos filhos e filhas, eu sou a Mãe do Salvador, portanto Mãe de todos os devotos. Apresento-me com o título de Virgem de Nazaré. Como Padroeira da Amazônia e do povo paraense, tenho muitos devotos nas terras de Bragança.

Para este ano, queremos enfatizar a bragantinidade deste povo misto e de tantas culturas.

Nossa Bragança do Pará está se preparando para celebrar os 400 anos de evangelização e neste tempo fez história: povoou as margens do rio Caeté, construiu casarios, casebres, palácios e palacetes, arborizou e embelezou numerosas praças, criou associações, irmandades, clubes como os Irmãos do Santíssimo, a Marujada de São Benedito, o Círculo Operário Bragantino, o Lions Clube, o Rotary Club, a Guarda de Nazaré (minha guarda), as comitivas de Esmolação de São Benedito e tantos outros.

O passado, caros filhos e filhas, precisa ser preservado e conservado nos seus casarios, memórias, movimentos, associações e organismos vivos da sociedade.

Caso não aja empenho, amor e dedicação tudo irá desaparecer como aconteceu com a famosa Estrada de Ferro (trem). Os nossos prédios antigos estão ruindo. Daqui a pouco Bragança vai se tornar uma metrópole e ficará apenas na História, nas lembranças, nos livros e nos museus.

Vamos conhecer nestes encontros os temas necessários para melhor amarmos a nossa cidade, e assim celebraremos com amor confiando em Deus, que por minha intercessão vos ajudará a amar a cidade de Bragança. Enquanto isso, vamos nos aprofundando em nossa função de missionários pelo Batismo e em 2011 faremos Missão nesta terra de Caeté.

Com Minha Benção, pelas mãos do Pároco.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Inicia o Círio de Nazaré que pede mais amor pela História de Bragança

EVENTOS DO CÍRIO 2010

- Cartaz do Círio/29 de agosto: Lançamento do Cartaz do Círio 2010.

- Missa de Envio/07 de outubro: Na Catedral, às 18h45, Missa da Benção e Envio das Imagens da Virgem de Nazaré para as peregrinações nas famílias, entrega dos cofres e inauguração da nova pintura da Catedral.

- Peregrinações da Virgem de Nazaré/18 de outubro a 10 de novembro: peregrinação da Imagem da Virgem de Nazaré à entidades, associações, escolas e clubes de serviço, sob a responsabilidade da Guarda de Nazaré.

- Ciclo Romaria/11 de novembro: Saída da Catedral, às 19h, percorrendo as principais ruas da cidade ate a Paróquia do Sagrado Coração de Jesus.

- Círio Rodoviário/12 de novembro: Carreata saindo da frente da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, às 19h, levando a imagem da Virgem de Nazaré até a Capela da Comunidade do Camutá.

- Círio Fluvial/13 de novembro: Saída do porto do Camutá e Mirante de São Benedito para o cais de Bragança, de acordo com o horário da maré, conduzindo a Imagem da Virgem de Nazaré até a Capela do Instituto Santa Teresinha.

- Trasladação/13 de novembro: Missa na sacada do Instituto Santa Teresinha às 19h, seguida de Procissão, levando a Imagem da Virgem de Nazaré percorrendo o itinerário de costume até a Igreja de São Benedito.

- Círio de Nazaré/14 de novembro: Missa na Igreja de São Benedito às 6h, seguida da Procissão do Círio, às 7h30, levando a Imagem da Virgem de Nazaré na Berlinda e concluída com Missa campal em frente à Residência Episcopal, presidida pelo Bispo Diocesano de Bragança, Dom Luís Ferrando.

- Círio Musical e Cultural/15 a 20 de novembro: Ao lado da Catedral, com animação e louvor, teatro e música, com a participação de grupos de animação, ministérios de música e arte, pastorais e serviços.

- Romarias/15 a 20 de novembro: Romarias saindo da Catedral, às -5h30 para um determinado bairro/comunidade (conforme escala), concluída com Missa. Às 19h, retorno para a Catedral, concluindo com Missa, pregação e confissões.

- Círio das Crianças/21 de novembro: Procissão saindo da Capela Santo Antônio, às 7h30 para a Catedral, concluindo com a Missa rádio-transmitida.

- Recírio/21 de novembro: Missa na Catedral às 19h, seguida de Procissão conduzindo a Imagem da Virgem de Nazaré para o Instituto Santa Teresinha, de onde será dada a benção final da sacada do Colégio, encerrando as Festividades do Círio 2010.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

CAPES aprova Mestrado em Linguagens e Saberes da Amazônia para o Campus da UFPA Bragança

Recebemos com muita satisfação e alegria a notícia da aprovação do novo e pioneiro Curso de Mestrado strictu sensu para o Campus da UFPA Bragança para a área de Letras/Linguística com o foco em Linguagens e Saberes na Amazônia. O projeto que foi coordenado pelo Prof. Dr. José Guilherme Fernandes (Faculdade de Letras da UFPA Bragança) foi considerado aprovado na Reunião da CAPES (Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) do MEC entre 25 e 29 de outubro de 2010.
Parabéns ao meu amigo Prof. José Guilherme pela belíssima demonstração de empenho e esforço pelas Letras, pelas Humanidades e pela Amazônia. O tempo dirá muito sobre essa data histórica, já que se tem agora o primeiro Curso de Mestrado na área das Humanidades e Letras a ocorrer no interior do Estado vinculado à Universidade Federal do Pará.

domingo, 7 de novembro de 2010

O que Dilma disse no Jornal Nacional em 1º de novembro?

No dia 1º de novembro de 2010, a presidente eleita Dilma Rousseff fez uma aparição no JN, assistiu reportagens sobre a sua vida, biografia e recebeu homenagens do jornalista William Bonner. A primeira presidente da República assistiu atenta e emocionadamente às reportagens e respondeu as perguntas de William Bonner com muita segurança, fora das pressões da campanha eleitoral e muita mais à vontade do que o perfil de quando era Ministra Chefe da Casa Civil da Presidência da República.

Reportagem sobre o pai de Dilma Rousseff e a Bulgária

Após a primeira reportagem sobre a biografia de seu pai, retirada do Fantástico, feita pelo repórter Marcos Losekan.

Bonner: Eu tenho que perguntar. A senhora já se imaginou chegando à Bulgária como Presidente do Brasil?

Dilma: Olha Bonner, eu tenho a impressão que vai ser assim uma comoção, uma emoção pra mim e acho também que uma emoção para eles porque é um país pequeno. Você imagina nesse país pequeno, a visão do Brasil. O Brasil visto de lá é 190 milhões de pessoas, é um país que está se desenvolvendo, criando emprego, um país que é visto no mundo como uma das grandes oportunidades. Então eu acho que vai ser muito interessante até porque eu acredito que eu sou a única “búlgara” (entre aspas), pra eles, que teve algum sucesso fora da Bulgária.

Bonner: Pelo menos um sucesso desses...

Dilma: Eu não sei falar uma palavra. Vai ser muito difícil.

Bonner: A senhora ainda tem contato com búlgaros até hoje?

Dilma: Olha, eu mantive contato com o meu irmão porque ele, apesar de ser um engenheiro, ele não viva em numa situação confortável. Eles não tem uma estrutura de aposentadoria como a nossa. Então eu sempre mantive (contatos), eu remetia recursos pra ele e tal. Mantive contatos sistemáticos com ele. Depois que ele morreu, com a mulher dele. Aí também ela morreu. Então eu perdi contato agora com ele. Porque eu não tive nunca contato com essa minha prima. Você veja que vocês descobriram alguém da minha família.

Bonner: Marcos Losekan, nosso correspondente.

Dilma: O Marcos Losekan é um investigador.

Bonner: Ele é. Nato. Agora nós vamos pra segunda reportagem preparada, essa preparada especialmente para hoje, em que nós vamos rever um pouquinho do que foi a sua infância. A reportagem dessa vez é da Delis Ortiz.

Reportagem sobre a infância e a biografia de Dilma Rousseff

Bonner: Bom presidente, eu vi uma declaração do seu ex-marido a respeito daqueles tempos de combate à ditadura militar, ele disse que jamais passou pela cabeça de vocês, que um dia, a senhora ou ele, ou quem quer que fosse, pudesse chegar a uma Presidência da República. Como é hoje rever essas cenas e rever essas situações?

Dilma: Eu acho que tudo começa, Bonner... é uma situação que eu te diria assim. Naquela época a gente jamais acreditou também que o Brasil viria se transformar numa grande democracia. Então, a partir do momento em que o Brasil se transformou numa grande democracia, a vida vai levando as pessoas por caminhos insuspeitos. Porque a democracia é uma coisa muito rica. Naquela época que havia o fechamento, a juventude não tinha muita opção. Você não podia se manifestar. Uma peça de teatro, por exemplo, Roda Viva, era considerada subversiva. Uma música como Apesar de Você, do Chico Buarque era tida como absurda. Então os caminhos eram fechados. A ditadura no Brasil abriu os caminhos. Eu acho que a minha geração deve esse momento, em que eu, uma pessoa que foi presa no Brasil... deve esse momento à democracia. E mais do que isso, deve esse momento ao fato do Brasil ter sido capaz de iniciar um processo de transformação dentro da maior legalidade. Coisa que na época, o que nós fazemos hoje, era considerado impensável naquela época. Reajustes salariais, por exemplo, acima do salário mínimo levava a greve e a prisões. Manifestações estudantis, que hoje a gente olha com absoluta tranquilidade, levava a prisões. Então, o mundo foi mudando e eu com o mundo. Eu agradeço a Deus a oportunidade que ele me deu de participar do governo do Presidente Lula. Eu acho que ali começa um grande sonho da minha geração, que era que o Brasil crescesse e ao mesmo tempo distribuísse renda, que o Brasil crescesse e ao mesmo tempo milhões de pessoas fossem retiradas da pobreza. E aí, o que eu tenho como missão daqui pra frente é justamente continuar esse processo dentro da legalidade, do fortalecimento da democracia, da liberdade de imprensa, continuar esse processo de transformação do Brasil e de estabilidade, porque também nós conquistamos isso. Porque teve logo no início da democracia, um período que a gente tinha herdado também do final da ditadura, que era inflação alta, dívida externa explodindo e hoje nós somos um país que tem todas as chances de se transformar.

Bonner: Desde 94, é... tem uma geração aí de brasileiros que não sabe o que era aquela inflação que nós vivemos.

Dilma: Não sabe.

Bonner: Exatamente, desde o advento do Plano Real. Vamos seguir vendo as reportagens que nós temos pra mostrar. Aqui, agora, a gente vai ver o próximo capítulo.

Dilma: O próximo capítulo. É uma novela... (risos)

Bonner: O próximo capítulo é com a... É quase isso. Bom, poderia ser uma novela de grande sucesso, no seu caso, eleita presidente da República... (risos). Vamos lá, a reportagem é da Cláudia Bontempo.

Reportagem sobre trabalho e funções exercidas por Dilma Rousseff

Bonner: Bom, essa pergunta agora a gente vai querer que a Fátima Bernardes faça lá do estúdio do Jornal Nacional. Fátima...

Fátima: Boa noite, Presidente. Parabéns pela vitória. Eu queria voltar a esse momento, que a gente viu no fim da reportagem, da “Mãe do PAC” (referindo-se ao Programa de Aceleração do Crescimento), momento que a sua candidatura foi decidida. Como é que a senhora recebeu essa indicação do presidente Lula pra disputar a eleição? Foi com surpresa? Ele teve muito trabalho pra convencê-la? Ou na verdade já era um desejo daqueles que a gente esconde até da gente mesmo?

Dilma: Olha Fátima, sendo assim muito honesta contigo. Eu nunca imaginei ser Presidente da República. Eu sempre fui uma servidora pública. Acredito que ser servidora pública é uma coisa importante, porque a relação que a gente tem com o Estado não pode ser o Estado nos servindo, mas nós servindo ao Estado e a sociedade. Quando o Presidente começou a dar os sinais que ele queria que eu fosse a sua sucessora, a primeira reação que eu tive foi uma reação de não, de achar que não era muito por ali. E aí, aos poucos eu fui me convencendo. E aí é algo muito interessante, Fátima, é o seguinte: servir ao país, chegar a ser Presidente, é de fato, talvez, um sonho que cada brasileiro esconde lá no fundo da alma, por quê? Porque é a maior realização que uma pessoa pode ter no seu próprio país. Porque é o momento em que você pode provar que você vai de fato dar uma contribuição pros milhões de brasileiros e brasileiras que compartilham comigo essa, eu diria assim, aventura histórica pelos brasileiros no ano de 2011 e de sermos capazes de dar aquele salto que a gente espera que o Brasil dê. Então eu quero te dizer o seguinte: apesar de no início eu não ser uma pessoa que estava direcionada pra isso, eu quero te dizer que hoje eu sou uma pessoa certa de que eu vou fazer o melhor que eu puder e quando eu tiver feito o melhor, eu vou fazer ainda um pouco mais pra que o Brasil siga se transformando numa grande economia, numa grande sociedade e de fato numa nação plenamente desenvolvida.

Bonner: Bom, vamos prosseguir. Agora esse seria o capítulo final das reportagens preparadas. E a gente vai ver o que é que tem de histórico na sua eleição, o que nós dissemos desde o início dessa edição do Jornal Nacional. E a reportagem é da Cristina Serra, que a gente tem agora.

Reportagem sobre Dilma Rousseff no Governo Lula, desafios e a campanha

Bonner: A notícia da sua vitória oficial saiu eram 08h07 (20h07, pelo horário de Brasília) da noite de ontem (31.10.2011). O que é que lhe veio à cabeça naquela hora? (Dilma ficou em silêncio). Eita... pergunta difícil... essa foi a mais difícil.

Dilma: Sabe por que ela é difícil? Porque na hora em que lhe vem a notícia, você está assim um pouco anestesiado. E aí é preciso que o tempo passe pra que você absorva todo o impacto duma notícia desse tamanho. Que é uma notícia com a grandeza do Brasil porque não é uma notícia qualquer. É uma notícia assim: daqui pra frente você vai ser responsável por esse país continental imenso e por 190 milhões.

Bonner: Chorou?

Dilma: Eu chorei depois. Eu fui chorando aos poucos. Eu não chorei assim de uma vez só. Eu chorei lá quando eu falei, eu chorei um pouco. Depois eu chorei chegando em casa, bastante.

Bonner: E quase chorou ao se referir ao Presidente Lula?

Dilma: Foi. Ali eu chorei. O pessoal disse que eu me contive, não, eu chorei por dentro e por fora um pouco.

Bonner: Fátima Bernardes, diga.

Fátima: Presidente, agora terminado esse processo desgastante, esse processo eleitoral, a senhora vai começar a trabalhar na composição do novo governo e na formação do seu ministério. A senhora pode dizer pra gente como é que vai ser esse processo a partir de agora? Quer dizer, já começa já?

Dilma: Olha, Fátima, nós vamos fazer primeiro uma transição de dois tipos. Uma transição técnica, ou seja, avaliando todos os aspectos técnicos que serão importantes que a gente tome providências no sentido de serem aqueles que a gente vai encaminhar primeiro. Por exemplo, eu pretendo nos primeiros dias fazer uma reunião com os governadores sobre saúde e segurança. E em seguida, ou paralelamente, melhor dizendo, nós também faremos uma transição política. Nós vamos ter de ver uma composição do governo, que tem esses dois aspectos. Eu vou me esmerar para ter um governo em que o critério de escolha dos ministros e dos cargos da alta administração sejam providos por esses dois critérios...

Bonner: Tem nome certo?

Dilma. Não, não tenho ainda nome certo. E eu pretendo ter um processo, eu não digo que eu vou anunciar um bloco inteiro todo o governo, mas eu pretendo não fazer anúncios...

Bonner: Fragmentados...

Dilma: Fragmentados, espalhados ou individualizados, fazer por blocos.

Bonner: Agora, Presidente, em relação à economia. No mundo hoje, quando se fala em economia, o planeta inteiro está discutindo a questão cambial, a desvalorização do dólar, a valorização de moedas locais. Qual é a sua posição a respeito disso?

Dilma: Bem, eu acredito que a gente não pode correr o risco de querer menosprezar ou, eu te diria assim, eu acho que o câmbio é flutuante. No entanto, indícios de que há hoje no mundo uma guerra cambial são muito fortes. Eu acho que tem moedas subvalorizadas. Então, eu acredito que uma das coisas importantes são as reuniões multilaterais em que fique claro que nós, por exemplo, iremos usar de todas as armas pra impedir o dumping, política de preço que prejudique as indústrias brasileiras. E vou olhar com muito cuidado, porque não acredito que manipular câmbio resolva coisa alguma. Nós temos uma péssima experiência disso.

Bonner: Manipular câmbio pelas mãos do Governo?

Dilma: É... pelas mãos do governo, no Banco Central. Você lembra do câmbio fixo. O que é que ele levou a Argentina e quase nos levou também? A uma situação de crise muito grande.

Bonner: Então a senhora está dizendo é que qualquer modificação que virá não será no sentido de acabar com o câmbio flutuante?

Dilma: Não, de maneira alguma. Eu tenho um compromisso. Muito boa a sua pergunta, que me permite esclarecer. Eu tenho um compromisso forte com a questão dos pilares da estabilidade macroeconômica. Um câmbio flutuante, nós temos hoje uma quantidade de reservas que permite que a gente, inclusive, se proteja em relação a qualquer tipo de guerra ou manipulação internacional (referindo-se à economia). Mas eu acredito também, Bonner, que nós iremos passar por um momento em que o mundo vai estar com um nível de crescimento menor. Hoje, inclusive, o Presidente Obama (referindo-se à Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos da América) me cumprimentou e externou a preocupação dele com as taxas de desemprego nos Estados Unidos. Ele, bastante preocupado com a economia americana no que se refere à sua recuperação. Agora acredito que também o ajuste das economias internacionais não podem ser feitos com base em desvalorizações competitivas, em que você tenta ganhar o seu ajuste nas costas do resto do mundo. Também não está certo isso.

Bonner: Presidente, deixa eu lhe dizer uma coisa. Primeiro, mais uma vez, quero agradecer a sua presença aqui, em nome de todos os profissionais da Rede Globo e em nome do público. Isso aqui é certamente uma deferência. Segundo, a senhora disse ontem e repetiu aqui durante esta entrevista a sua defesa, fez uma defesa pela liberdade de imprensa. Nós aqui estamos entendendo a sua presença no Jornal Nacional como uma demonstração enfática disso. E queremos dizer que nós da imprensa aguardamos diversas oportunidades como essa. Tá certo. Talvez não precise nem vir até aqui, mas que nos abra essa oportunidade de uma conversa franca porque faz parte da democracia que a senhora mesma defendeu...

Dilma: Faz parte da democracia e eu acho que o Brasil pode dar uma demonstração de muita vitalidade com a imprensa livre que nós temos e com essa relação, enfim, muitas vezes as críticas existem e eu acredito que elas cumprem um papel no Brasil. E pode ter certeza que da minha parte, a minha relação com a imprensa vai ser sempre uma relação respeitosa.

Bonner: Muito obrigado mais uma vez. Foi um prazer entrevistá-la sem ter que interrompê-la e dizer que o tempo estava esgotado...

Dilma: Que bom...

Bonner: Agora o meu tempo está esgotado. Estão gritando aqui comigo. Obrigado mais uma vez. Boa noite a todos. Boa noite, Fátima.

Dilma: Obrigado...

Finalização da entrevista.